"A regionalização é uma emergência democrática"
«Em 2025, Portugal continua a ser um dos poucos países da União Europeia sem regiões administrativas efetivas. A regionalização – uma promessa constitucional – tem sido constantemente adiada, muitas vezes por cálculo político, outras por receio da complexidade institucional que acarretaria. No entanto, os custos da sua ausência são cada vez mais visíveis, ... A ausência de estruturas regionais eficazes contribui para um sentimento generalizado de afastamento do poder central. … A ausência de regiões impede respostas adaptadas aos problemas locais, que são múltiplos… A regionalização daria aos territórios a capacidade de planear e implementar políticas públicas adaptadas às suas realidades. Não se trata de criar mais burocracia, mas de promover uma governação intermédia com legitimidade democrática e poderes reais. … E esse abandono tem uma face institucional: um Estado centralizado, lento e surdo às diferenças. ... a distância de Lisboa é também simbólica e política. É aqui que se geram os ressentimentos.
A regionalização é uma emergência democrática. Não é apenas uma proposta administrativa: é uma estratégia de defesa da democracia. ...» Tiago Encarnação, aqui.
“Apesar da pandemia [da covid-19] e da guerra na Ucrânia, o Governo deu prioridade a esta reforma administrativa. Tendo bem presente os impactos económicos deste acordo, o Governo avançou neste sentido porque acredita que esta é uma reforma necessária”, sustentou Ana Abrunhosa.
“Não se pode deixar de fazer [o referendo] porque se tem medo de ouvir os portugueses. Eu até compreendo a posição do PSD, porque de facto, nos últimos anos, cada vez que os portugueses foram ouvidos só disseram coisas que o PSD não gostou que os portugueses tivessem dito”, declarou António Costa na intervenção que proferiu na abertura da reunião da Comissão Nacional do PS, que decorre em Ilhavo, Aveiro.
«Nesta discussão da descentralização de competências do poder central para a administração municipal, é recorrente a questão da falta de meios orçamentais! O interessante nestas questões, independentemente do processo menos claro, que foi "negociado" com a ANMP, será de saber que tutela queremos para os serviços essenciais das populações! Como a regionalização ainda parece estar longe, uma questão básica se impõe- fica mais barato para o País a prestação de serviços sob alçada autárquica, ou com as vantagens óbvias decorrentes da proximidade com os problemas dos cidadãos, ou por outro lado, esse desígnio é mais racional do ponto de vista da aplicação dos nossos impostos, sob tutela central? Como parece que o pacote financeiro e orçamental para o efeito, não será consensual, continuaremos (até quando?) neste limbo de empurrar responsabilidades (legítimas) por falta de condições operacionais! Qualquer coisa não estará clara neste processo de transferência de competências, que parece mais impositivo do que negocial! E assim sendo, está condenado ao fracasso logo à partida!» Anónimo 11.06.2022, 