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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

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Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

EDIA já tem disponível o Anuário Agrícola de Alqueva 2019

Zé LG, 25.02.20

AnuarioAgricolaAlqueva2019 (1).jpgTrata-se de uma “ferramenta” que se assume cada vez mais como uma forma de auxiliar agricultores e investidores a desenvolverem actividades agrícolas sustentáveis. O documento sistematiza informação das várias culturas e variedades com potencial agrícola em Alqueva, a sua rentabilidade económica, bem como, análises às tendências variáveis de mercados nacionais e internacionais.

Consultar em: https://www.edia.pt/…/o-que-fazemos/apoio…/anuario-agricola/

“Eu Solidão” vencedor 2ª edição do Prémio Literário Joaquim Mestre

Zé LG, 09.02.20

202002041806404176.jpgJá é conhecido o vencedor da 2ª edição do Prémio Literário Joaquim Mestre. O original, vencedor, chama-se “Eu Solidão” e é da autoria de Maria Luísa Santos, de 68 anos, natural do Porto. A cerimónia pública de entrega do prémio acontecerá em Beja, na Biblioteca Municipal José Saramago, durante o mês de abril, em data a confirmar. 

O Prémio Literário Joaquim Mestre teve a sua primeira edição em 2018 e que é instituído pela ASSESTA – Associação de Escritores do Alentejo, em parceria com a DRCAlentejo – Direção Regional de Cultura do Alentejo, contando com a colaboração do Município de Beja.

NOTA: Figueira Mestre faria hoje 65 anos, se não tivesse morrido. Saudades...

"e eu não sei se ainda estou viva"

Zé LG, 24.12.19

breviário.jpg“A mesa está posta. Os pratos brancos com flores azuis à volta e ao centro um cavalinho sobre uma ponte. Os garfos, as facas, os guardanapos e os copos. A toalha é aquela, de linho bordado a azul, com flores e pássaros que levam nos bicos cerejas vermelhas. As cadeiras são quatro: a minha, a do meu irmão, a do meu pai e a da minha mãe.

  Todos os anos, na noite de Natal, faço a ceia, ponho a mesa e espero a chegada deles.

  Levei todo o dia a cozinhar: carne de porco com amêijoas, uma galinha acerejada, arroz-doce e filhós, para a sobremesa. Comprei aquele vinho abafado que o meu pai e o meu irmão tanto gostam. Sempre fiz assim.

 Estou velha e cansada de viver.

 Esperei até tarde, porque o meu irmão vinha da vila. Depois, sentei-me ao lume e adormeci. Quando acordei, era de madrugada, já as pessoas tinham vindo da Missa do Galo, já o sino badalara, já em todas as casas se tinham aberto os presentes. Espreitei a rua, mas só vi silêncio e sombras. Tudo parado. Tudo morto como as casas. Levantei os pratos, os garfos, as facas, os guardanapos, os copos, a toalha de linho. Depois, pus umas coisas no guarda-louça e outras na arca. A comida, dei-a aos cães porque o meu pai já morreu, a minha mãe já morreu, o meu irmão já morreu, e eu não sei se ainda estou viva.”

 

 

Conto de Joaquim Mestre, retirado do seu livro Breviário das Almas – colectânea de contos com que ganhou o Prémio Manuel da Fonseca 2008 -, editado pela Oficina do Livro, que publiquei aqui há 10 anos.