“Cardeal Américo Aguiar, temos um novo Cerejeira?”
«… Quando vejo a Igreja aproximar-se, sem pudor, de forças políticas que vivem do medo, da divisão e da desumanização do outro, não consigo fingir que é apenas “diálogo” ou “normalidade democrática”. Não é. Há linhas que, quando se atravessam, deixam marcas na história. Dirijo-me diretamente ao Cardeal Américo Aguiar porque o seu lugar não é indiferente. Um cardeal não é apenas “mais um”. O que diz, onde aparece, com quem se mostra confortável, envia sinais a milhões de pessoas. E a pergunta, justa e inevitável, impõe-se: Temos um novo Cerejeira? Não no sentido de reescrever o passado, mas de repetir o erro: uma Igreja demasiado próxima do poder errado, no tempo errado, pelos motivos errados. … Não quero, décadas depois, ver repetir a mesma fotografia com outros protagonistas e o mesmo erro de fundo: uma hierarquia eclesiástica demasiado confortável com quem vive da cultura do medo, da suspeita e da exclusão. Chegados aqui, há uma escolha que já não é teórica: ou a Igreja incomoda o poder, ou passa a servi-lo. Ou está ao lado de quem é empurrado para a margem, ou se senta à mesa de quem empurra. ...» Rui Lourenço, aqui.