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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Despedi-me do PCP, há 10 anos

Zé LG, 01.01.21

Adeus Camaradas!

Depois de muita ponderação e de ter adiado esta decisão para não criar quaisquer polémicas no último ciclo eleitoral, decidi renunciar à condição de militante do PCP.

Podia, para tal, invocar as minhas conhecidas divergências nos planos da ideologia, da política, da prática e da organização, designadamente da democracia interna com a Direcção do PCP, que naturalmente também contaram para esta minha decisão. Mas, apesar dessas divergências de sempre, desde que fui admitido como militante, não foram elas que me determinaram a tomar esta decisão.

A “gota de água” foi o desincentivo à militância que fui sentindo desde o XVII Congresso (2004), em que dei a cara afirmando a minha discordância em relação ao funcionamento do Partido. Nessa altura logo, foi assumido por um alto dirigente do Partido que só não era expulso pelos danos que tal decisão provocaria ao Partido. Desde então, para além de convocatórias para reuniões destinadas a aprovar o que já está aprovado e de convites para iniciativas comemorativas do aniversário do Partido e outras, para mais nada tenho sido convocado.

Se o Partido não precisa da minha participação militante, eu também não tenho jeito para “verbo-de-encher”

Promotores e mecenas de Vila Viçosa recuperam casa e espólio de Florbela Espanca

Zé LG, 31.12.20

ta_-_2020-12-30t063446.066.pngNeste ano em que se assinalam os 90 anos sobre a morte de Florbela Espanca, encontra-se em franco desenvolvimento o projeto da CASA FLORBELA ESPANCA ® em Vila Viçosa, uma iniciativa concebida por um conjunto de promotores e de mecenas, que tem como objetivo valorizar, estudar e divulgar a vida e a obra da Poetisa.
O projeto tem por base a requalificação do imóvel onde Florbela Espanca residiu durante a infância e adolescência, precisamente no nº 59 da antiga Rua da Corredoura (actual Rua Florbela Espanca), em pleno centro histórico de Vila Viçosa.
Para além da aquisição do edifício "florbeliano", foi possível reunir um vasto espólio original da Poetisa, em parte inédito, que conjuga textos manuscritos, cartas, postais, fotografias e objectos pessoais e que irá ser o núcleo estruturante do projeto museológico que está a ser desenvolvido e que muito em breve será uma realidade.

(Ex)citações em tempos de crise

Zé LG, 28.11.20

Em tempos de crise a natureza humana revela-se mais, no que tem de melhor e pior. Os comportamentos, atitudes e discursos negativos predominam, embora existam exemplos positivos que nos ajudam a compreender melhor como melhor podia ser o mundo se fossem partilhados por mais.

A solidariedade dos que menos têm para os que já nada têm é mais praticada por mais gente, porque cresce significativamente o número dos que menos vão tendo e porque a ameaça de poderem ficar sem nada e da solidariedade dos outros poderem precisar reforça este sentimento.

A disponibilidade para resistir às malfeitorias de quem tanto e tão bom prometeu e lutar por uma vida melhor cresce igualmente nestes tempos, apesar das pressões e repressões de todo o género, desde as mais evidentes às mais refinadas, como agora se viu com a Greve Geral, a segunda que juntou as duas centrais sindicais e a maior que se realizou em Portugal.

 

 

Há 16 anos, fiz a minha primeira e última intervenção em congressos do PCP

Zé LG, 27.11.20

Camaradas

"As teorias de Marx, Engels e Lénine estão sujeitas às correcções, aos aprofundamentos e às actualizações que ao longo do tempo a evolução e as mudanças políticas, económicas e sociais, o progresso científico e a experiência revolucionária necessariamente impõem. Desde o "Manifesto Comunista" de Marx e Engels passou um século e meio. Desde "O imperialismo, estádio supremo do capitalismo" de Lenine passou mais de um século em que o capitalismo sofreu assinaláveis transformações. Em todo este longo período verificaram-se a nível mundial profundas e radicais transformações nas sociedades. As transformações da vida obrigaram à análise das novas realidades e no domínio da teoria a modificação e actualizações de conceitos e princípios."

Esta é apenas uma citação da resolução política, aprovada no XIII Congresso, em Maio de 1990, na ressaca da falência dos partidos comunistas de leste.

Se a recordo aqui é porque parece que a estamos a ignorar.

A preparação e a realização do último congresso agravaram ainda mais a que já era uma situação complexa que se vivia no Partido. Depois do congresso as coisas complicaram-se ainda mais. Nenhum dos grandes objectivos aprovados foi alcançado. Há responsabilidades externas que são apontadas. As responsabilidades internas ou não são reconhecidas ou são atribuídas aos militantes, principalmente aos que têm assumido posições críticas. Nunca aos dirigentes.

 

 

"Desporto... com tudo aberto"

Zé LG, 20.11.20

"O desporto deveria ser aquela actividade, em todos os níveis de competição, desde as crianças aos adultos, com tudo aberto. Porque é a melhor forma de ter um corpo resiliente e com mecanismos imunitários. Claro que teriam de ser cumpridas algumas regras básicas, mas não é aceitável que um grupo de jovens que pratica futebol, andebol ou basquetebol esteja "fechado". - Prof. Carlos Neto, em entrevista à VISÃO de 5/11. 002 - Cópia (2).jpgA propósito desta entrevista, fui ao baú buscar esta fotografia, com meio século, onde eu e outros colegas "fomos apanhados" a fazer ginástica no campo, num dos tempos das actividades extra-curriculares que tínhamos às quartas-feiras de tarde no Liceu. E no Liceu, a maior parte do desporto escolar tinha lugar nos espaços exteriores...

No centésimo aniversário do nascimento do Poeta Raul de Carvalho

Zé LG, 04.09.20

raul252bcarvalho.jpg...

Terra de alqueives, ou monda, ou de pousio,

Terra de largos trigueirais ao sol,

— Quem vos mandou contaminar-me,

E para sempre, do vosso resplendor?...

 

Poalha luminosa, mas agreste;

Folha de zinco em brasa; imensidão;

A toda a volta — Tanto em vós como em mim —

Implantou Deus a solidão.

 

Solidão! de hastes curvas no silêncio

Que dá a volta inteira à terra inteira,

Solidão que eu invoco como se

Vos conhecesse pela primeira vez!...

 

Subo os degraus a medo; páro e ouço...

O que ouço eu? a voz dos sinos? minha mãe?

É com palavras simples e em segredo

Que eu beijo a terra onde nasci também,

In: Perdão, que pode ler todo aqui.

Raul de Carvalho morreu há 40 anos

Zé LG, 03.09.20

imgLoader.ashx RC.jpgRaul de Carvalho nasceu em Alvito faz amanhã 100 anos, onde começou a redigir os primeiros versos.

O poeta conta com vinte e uma obras publicadas em vida e duas ainda a título póstumo.

A preocupação com a condição dos mais desprotegidos é uma constante na vida do poeta, tendo estado ligado a protestos contra a Lei da Segurança Interna, com Natália Correia, Ruy Cinatti e Augusto Abelaira.

A sua inclinação artística pela pintura e pela fotografia fez-se sentir durante os anos vividos em Lisboa.

Raul de Carvalho morreu a 3 de Setembro, na véspera do seu sexagésimo quarto aniversário.

Jerónimo de Sousa na homenagem a Catarina Eufémia

Zé LG, 23.05.20

20200519_declaracoa_jeronimo_sousa_spg.jpgJerónimo de Sousa participa, no próximo domingo, às 11 horas, na homenagem a Catarina Eufémia promovida pela DORBE-Direcção da Organização Regional de Beja do PCP. Em 2020, devido à pandemia do COVID19, a homenagem assume um modelo diferente, não há desfile e a opção foi a realização, no Largo da Igreja, de uma concentração com cerca de 50 militantes, obedecendo às regras de segurança das autoridades de saúde.

Há 46 anos

Zé LG, 25.04.20

..., precisamente a esta hora, fui acordado pela Senhora da casa onde estava hospedado, em Castro Verde, a informar-me de que havia uma revolta (não me lembro se foi o termo que usou) em Lisboa.

A primeira coisa que me ocorreu e que a questionei foi se seria um golpe de estado do Kaulza de Arriaga. Na altura receava-se que tal pudesse acontecer e provocasse um endurecimento ainda maior da repressão por parte do regime.

Levantei-me logo, para, com os meus colegas e amigos, tentar perceber o que se estava a passar. Os meios de comunicação eram bem diferentes dos de hoje e, praticamente só tínhamos a informação que era emitida pela televisão e pela rádio. Foram horas e dias seguidos com os olhos pregados na televisão e os ouvidos no rádio.

Foram dias de renascimento e de esperança que as portas de Abril abriu. Foi um viver intenso e colectivo como nunca imaginei viver. Nem tudo correu da melhor forma, nem logo nem depois, mas por nada deste mundo queria não ter vivido aquele tempo.