«Durante décadas, o edifício do antigo Governo Civil de Beja foi um símbolo de respeito institucional e de valor arquitetónico. Hoje, é um esqueleto decadente, abandonado à sua sorte, a servir de cenário para um filme de terror (quem lá entra, sabe). Pior do que a degradação visível das suas estruturas é o silêncio cúmplice de quem tem responsabilidade direta na sua conservação.
O cenário é inaceitável. ... Apesar do estado avançado de degradação, o edifício continua a albergar vários serviços do Estado, como a PSP, AIMA, IMT, Finanças e Proteção Civil. Diariamente, funcionários são obrigados a exercer as suas funções num ambiente insalubre e potencialmente perigoso, enfrentando riscos reais para a sua segurança. Para além das questões estruturais, é legítimo questionar a motivação de quem trabalha num local escuro, degradado e abandonado, onde o abandono se sente em cada parede a desfazer-se. ...
O edifício do antigo Governo Civil de Beja é hoje o espelho de um Estado ausente, incapaz de cuidar do que é seu e de quem o serve. A decadência deste edifício não é apenas material, é também moral. E é tempo de exigir respostas, ação e responsabilidade. Antes que seja tarde demais.» António Lúcio, aqui.