Alentejo sem Alqueva seria um deserto, mas com Alqueva continuou a perder população
Nas celebrações do 30.º aniversário da constituição da EDIA, foi apresentado o Estudo de Avaliação do Impacto Económico da Implementação do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva, que analisa o impacto económico da actividade deste projecto dimensionado para fins múltiplos, realçando o impacto na receita fiscal para o orçamento de Estado, que ascende a 339 milhões de euros anuais, e que revela a “eficiência da aplicação de financiamentos públicos”, e que, “À data de hoje, o EFMA já garantiu um retorno financeiro para o Estado superior aos recursos investidos”.
Apesar do ministro da Agricultura, José Manuel Fernande, ter defendido que “Alqueva é um caso de sucesso, não é um elefante branco como aconteceu com outros investimentos públicos. Sem Alqueva, o Alentejo corria o risco de se transformar num deserto”, o estudo apresentado contraria a afirmação, concluindo que o despovoamento do Alentejo prossegue apesar do impacto económico que o grande projecto de regadio está a provocar em 23 concelhos da região Alentejo.
No concelho de Beja há 28.723 cidadãos em condições de votar, menos 822 do que em 2017. Recorde-se que em 2017, os cadernos eleitorais tinham menos 713 eleitores, comparando com os de 2013.
O responsável da Direção da Organização Regional de Beja (DORBE) do PCP considera que o distrito apresenta “uma assustadora falta de estratégia e de planeamento”, advertindo ser necessário construir políticas para que se consiga inverter a “desastrosa tendência” de perda de população no território. João Pauzinho acusa os responsáveis pelos municípios socialistas, na região, de atuarem de forma demagógica, sendo incapazes de reivindicar, junto do Governo, os “interesses reais das populações e da região”.
A Coligação Unidos por Mértola após reflexão e debate alargado sobre o problema estrutural da crise demográfica identificou um conjunto de 10 medidas mais urgentes
Nelson Brito, presidente da Câmara de Aljustrel, considera que é necessário assumir a imigração como solução para o despovoamento do território, defendendo a integração de trabalhadores estrangeiros e suas famílias no Baixo Alentejo como forma de estancar a quebra demográfica.
Dados da população no distrito de Beja: Odemira (+13,3%), Aljustrel (-4,1%), Castro Verde (-5,5%), Beja (-6,8%), Ferreira do Alentejo (-7%), Alvito (-9,1%), Almodôvar (-9,9%), Ourique (-10,2%), Cuba (-10,35), Serpa (-11,9%), Moura (-12,5%), Vidigueira (-12,7%), Mértola (-14,7%), e Barrancos (-21,8).