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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Com o PS a governar sozinho, os trabalhadores e os pobres que paguem a crise

Zé LG, 02.08.22

Sempre que acontece algo de muito negativo, lá vêm as fases costumeiras de que “nada irá ficar como dantes”, “o mal afecta-nos a todos”, “agora é que vamos perceber que estamos todos no mesmo barco”, “a ganância de alguns irá ser combatida para que os que mais precisam possam ter mais alguma coisa e mais dignidade”, …. Depois é o que se tem visto e está a ver.

Ouvimos ainda recentemente, aquando do debate do Orçamento de Estado, o governo afirmar que não há condições para aumentar os salários e as pensões, tal como falta dinheiro para assegurar as funções do Estado, designadamente as que mais poderão combater as crescentes desigualdades sociais, como se está ver com o que se está a passar no Serviço Nacional de Saúde.

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Mas, por outro lado e de forma pornográfica, os bancos aumentaram em mais do dobro os seus lucros no primeiro semestre, fundamentalmente à custa do do desemprego de milhares de trabalhadores e do aumento das comissões. E ainda justificam tais aumentos com a necessidade de fazer face à inflação, que, segundo os seus administradores, afecta a todos.

Aliás, os lucros, pornográficos face à situação que estamos a viver, estão a ser obtidos igualmente por muitas outras empresas, designadamente na área das energias, que utilizam a mesma justificação da inflação.

Ou seja, as grandes empresas servem-se da inflação para especularem e terem lucros superlativos, enquanto os trabalhadores, os reformados e os mais necessitados empobrecem devido ao aumento do custo de vida provocado pela inflação.

Esta é a política de subserviência aos grandes interesses instalados que o governo do PS insiste em seguir e acentuar, agora sem os empecilhos dos seus ex-parceiros da Geringonça… É um fartar vilanagem.

Ver lucros dos bancos aqui e aqui.

Os mais ricos dobraram a riqueza com a pandemia

Zé LG, 24.01.22

images.jpg«... a Oxfram, no seu mais recente relatório, revela que a fortuna dos homens mais ricos do planeta cresceu para o dobro durante a pandemia, ... não tem qualquer dúvida em concluir que as desiguldades estão a "dilacerar" o mundo.» - Rui Tavares Guedes, Director-executivo da Visão, na última edição da revista.

«É natural que isso inspire a revolta e a desconfiança." Afirma ainda RTG e com razão. Até quando vamos permitir que continue esta monstruosa imoralidade, como lhe chamou António Guterres, o Secretário Geral das Nações Unidas?

Aumentar os salários para fazer a economia crescer

Zé LG, 23.01.22

10522.jpgOs que defendem o sistema actual estão sempre a afirmar - a velha e requentada cassete -, que é necessário aumentar a produtividade para produzir mais riqueza para, depois sim, aumentar os salários  e distribuir melhor a riqueza produzida. O resultado está à vista - por mais riqueza que seja produzida, ela vai sendo concentrada cada vez mais nos mesmos e as desigualdades sociais e a pobreza vão aumentando. O aumento dos salários fica sempre para depois e os novos meios de facilitação do trabalho é utilizado para despedir trabalhadores e não para lhes garantir uma vida melhor, designadamente com mais tempo para a família e o lazer, como prometem.

A solução não está pois em repetir o mesmo que tão maus resultados tem dado, mas sim optar por um modelo alternativo, que dê prioridade a uma mais justa distribuição da riqueza e consequente aumento de salários, contribuindo dessa forma para o aumento do consumo interno, da produtividade e da produção e o crescimento da economia. Esta é a questão que mais separa a direita da esquerda. E o PS, no governo, não foi tão longe quanto devia nesta mudança de rumo... nem irá, se não tiver de contar com os partidos à sua esquerda para governar.

“O sistema financeiro global é uma imoralidade. Favorece os ricos e castiga os pobres”, disse Guterres

Zé LG, 22.01.22

Guterres.png… que recordou que enquanto as economias com mais poder estão a recuperar da recessão, os países com mais baixos rendimentos experimentam “o seu crescimento mais lento em uma geração”.

Estes desequilíbrios não são um erro, mas uma característica do sistema financeiro mundial”, insistiu Guterres, para defender a necessidade de mudanças, mostrando-se muito crítico com a importância dada às agências de notação financeira, que de forma rotineira dão más notas aos países pobres, deixando-os assim sem acesso a financiamentos privados.

Não disse nada que não se soubesse, mas é importante que quem desempenha as suas funções denuncie estes crimes contra a humanidade. Porque é disso que se trata, quando uns poucos condenam à fome, à miséria e à morte tantos milhões...

“É preciso haver um investimento sério do poder central para inverter o desequilíbrio em Portugal”, defende Santiago Macias

Zé LG, 26.11.21

SM.png«Portugal não tem propriamente interior, o que tem é um país que está desequilibrado em termos demográficos, desequilibrado em termos de desenvolvimento e que está concentrado e torno de duas grandes áreas metropolitanas, Lisboa e Porto, além do Algarve. E é isso que é preciso inverter. Tem de haver uma intenção firme do nosso poder central. Os incentivos têm de partir do governo, porque as câmaras municipais, sobretudo as de pequena dimensão, com os orçamentos e a capacidade de decisão que têm não conseguem reverter a situação. E não é, manifestamente, com a criação de medidas fictícias, como a descida da taxa do IMI ou a devolução de uma parte do IRS aos munícipes - uma espécie de Robin dos Bosques ao contrário, que é dar dinheiro aos mais ricos - que se vai fixar a população. Não é por uma pessoa receber mais 100 ou 200 euros por ano que vai deixar de viver no Seixal e ir morar para Barrancos ou Moura. É preciso haver um investimento sério do poder central. Não vale a pena continuar a criar observatórios, autoridades ou unidades de missão se depois não há recursos financeiros ou intervenção política.»

O que separa mais as pessoas

Zé LG, 27.10.21

PA 4112307.JPG.crdownloadO que mais separa as pessoas é o acesso aos bens de primeira necessidade. Uns têm acesso a tudo e outros não têm acesso a (quase) nada. E não é o trabalho, ao contrário do que muitos tentam fazer crer, nem sequer o conhecimento ou a inteligência que as separa de forma tão dramática. É evidente que o trabalho, a inteligência e o conhecimento são ferramentas fundamentais para o sucesso. Mas há quem se farte de trabalhar, seja inteligente e tenha bastante conhecimento e não passe da cepa torta, enquanto outros que (quase) nada fazem e não se distiguem pela inteligência e pelo conhecimento, que não param de acumular riquezas. Quantos dos que se fartam de trabalhar não conseguem ter e garantir aos seus uma vida minimamente digna? Há cada vez mais trabalhadores que, apesar de trabalharem, são, cada dia que passa, mais pobres. Até quando vamos tolerar que estas tremendas injustiças se mantenham e, em muitos casos, se acentuem? Exigem-se medidas que contribuam para inverter este rumo e não apenas algumas mesinhas podem servir para ajudar a aguentar mais as dores sociais que tanto afectam tanta gente, mas não resolvem os problemas essencias com que as sociedades se confrontam.

Conflitos, alterações climáticas e COVID-19 ameaçam objetivo das Nações Unidas da Fome Zero

Zé LG, 17.10.21

Sem nome.pngO Índice Global da Fome (IGF 2021) alerta para retrocessos na luta contra a fome, com cerca de 50 países a não conseguirem atingir a Fome Zero até 2030. Segundo o relatório divulgado hoje pela ONG Ajuda em Ação, a situação da segurança alimentar no mundo tornou-se em 2020 e 2021 ainda mais grave devido ao “cocktail tóxico da crise climática, da pandemia COVID-19 e de conflitos violentos cada vez mais graves e prolongados”.

Guterres apela à “criação de impostos de solidariedade ou sobre os lucros durante a pandemia, para reduzir as desigualdades”

Zé LG, 13.04.21

transferir.jpg“Apelo a que os Governos ponderem a criação de impostos de solidariedade ou sobre a riqueza a aplicar àqueles que tiveram lucros durante a pandemia, para reduzir as desigualdades”, disse o secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres. De acordo com Guterres, no último ano, os mais ricos do mundo viram o seu património dar um salto de cinco biliões de dólares, enquanto os mais pobres ficaram ainda mais vulneráveis e fragilizados.

“Precisamos de um novo contrato social, baseado na solidariedade e em investimentos na educação, em empregos decentes e ‘verdes’, na proteção social e nos sistemas de saúde. Esta é a fundação para o desenvolvimento sustentável e inclusivo“, sublinhou o mesmo.

Lembram-se de nos dizerem que o novocoronavírus era democrático?

Zé LG, 07.10.20

dinheiro-euro-carteira.pngOs mais ricos do mundo “saíram-se extremamente bem” durante a pandemia de covid-19, aumentando as suas fortunas já acumuladas, em mais de um quarto (27,5%) no auge da crise de Abril a Julho, para um valor recorde de 10,2 biliões de dólares, “um novo pico, ultrapassando o recorde anterior de 8,9 biliões alcançado no final de 2017”. O número de bilionários também atingiu um novo máximo de 2189, contra 2158 em 2017.
O relatório o banco suíço UBS constatou que os bilionários beneficiaram, principalmente, com a aposta na recuperação dos mercados bolsistas mundiais quando estavam no seu ponto mais baixo durante os confinamentos globais, em Março e Abril.

E diziam-nos que o novocoronavírus era democrático... Para além do acentuar das desigualdades económicas e sociais, acentuou-se também a diferença de tratamento n(d)a doença. Veja-se o batalhão de médicos e os medicamentos usados no tratamento de Trump e comparem com a falta de assistência de tantos outros...

ROTEIRO “CIDADANIA EM PORTUGAL” EM SINES E ALVITO

Zé LG, 02.05.17

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O Roteiro “Cidadania em Portugal” está, entre hoje e amanhã, no Alentejo Litoral e Baixo Alentejo.

O programa prevê a realização de acções de sensibilização em matérias como o Trabalho Digno e Crescimento Económico, Interculturalidade, Bullying e Igualdade de Género.

O Roteiro pretende “colocar as redes e comunidades locais a discutir os temas da cidadania, da participação cívica, o combate às desigualdades ou as discriminações”.

No percurso do Roteiro estão já mais de 160 municípios de Portugal continental e regiões autónomas.

A iniciativa está hoje em Sines. Na quinta-feira chega a Alvito, o único município do Baixo Alentejo que recebe o Roteiro.

 

"Crescimento é material. Desenvolvimento é humano."

Zé LG, 14.07.13

O que as multidões da rua estão reclamando é: desenvolvimento em primeiro lugar e a seu serviço o crescimento  (PIB). Crescimento é material. Desenvolvimento é humano. Signfica mais educação, mais hospitais de qualidade, mais saneamento básico, melhor transporte coletivo, mais segurança, mais acesso à cultura e ao lazer. Em outras palavras: mais condições de viver minimamente feliz, como humanos e cidadãos e não como meros consumidores passivos de bens postos no mercado.  Em vez de grandes estádios cujas entradas aos jogos são em grande parte proibitivas para o povo, mais hospitais, mais escolas, mais centros técnicos, mais cultura, mais inserção no mundo digital da comunicação.

O crescimento deve ser orientado para o desenvolvimento  humano e social. Se não se alinhar a esta lógica, o governo se vê condenado a ser mais o gestor dos negócios do que  o  cuidador da vida de seu povo, das condições de sua alegria de viver e de sua admirada criatividade cultural.

As ruas estão gritando por um Brasil (e por Portugal também) de gente e não de negócios e de negociatas; por uma sociedade menos malvada devido às desigualdades gritantes; por relações sociais transparentes e menos escusas que escondem a praga da corrupção; por uma democracia onde o povo é chamado a discutir e a decidir junto com seus representantes o que é melhor para o país.

Leia, na íntegra, este interessante e oportuno texto de Leonard Boff, em:  http://leonardoboff.wordpress.com/2013/07/13/equivocos-conceptuais-no-governo-do-pt/

Quem é que ainda não percebeu o que se está a passar?

Zé LG, 01.04.13

Na Roménia 40% da população vive com severas carências e dificuldades.

Em Espanha três milhões de espanhóis têm de receber apoio alimentar das mais diversas ONG.

Em Portugal temos 18% da população vivendo abaixo do limiar da pobreza, mas 43% da população corre um sério risco de nela tombar.

Nos EUA, em 1980, os 1% mais ricos detinham 10% da riqueza nacional. Agora controlam 20%!

A nível planetário, em 20 anos, os 1% mais ricos aumentaram em 60% o seu rendimento.

Na China, os 10% mais ricos controlam 60% da riqueza nacional.

Na Áustria, os 5% mais ricos controlam 50% da riqueza, e os 50% mais pobres apenas 4%.

Na alemanha, a desigualdade subiu ainda mais entre 1998 e 2008. Os 50% mais pobres , que detinham 4% do rendimento nacional, estão agora reduzidos a 1%. Os 10% mais ricos, que detinham 45%, possuem agora 53% da riqueza nacional.

Em 2010 calcula-se que a fuga para paraísos fiscais por parte de grandes fortunas individuais atingiu o montante astronómico de 32 biliões de dólares (mais do que a soma do PIB conjunto dos EUA e do Japão). Em 2011, as operações da "banca sombra", uma rede de instituições que realiza operações bancárias sem se sujeitar à regulação estadual, totalizou 67 biliões de dólares , ou seja 111% do PIB planetário desse ano.

 

Estes dados foram retirados do ensaio "A pobre Europa dos pobres", de Viriato Soromeno-Marques, publicado na Visão de 21 de Março de 2013.

Quem diz não perceber o que se está a passar em Portugal, na Europa e no mundo tem aqui a explicação. Estes números mostram bem como a ganância levada ao extremo pelos principais usurpadores da riqueza produzida, com a subserviência dos governos por si apadrinhados, está a desmantelar o Estado social, considerado por eles como o inimigo a abater. Vamos ver até onde os Povos aguentam continuar a ser explorados desta forma tão violenta e ignóbil...

"Não à exploração, às desigualdades e ao empobrecimento! Outra política é possível e necessária."

Zé LG, 10.02.12

Estamos perante uma política de terrorismo económico e social que exige uma resposta de grande dimensão a nível nacional.

O Governo do PSD-CDS e o grande patronato pretendem:

  • colocar o Estado ao serviço das empresas;
  • pôr a segurança social a financiar os patrões para pagar menos e precariezar as relações de trabalho;
  • facilitar os despedimentos e diminuir as indemnizações e o valor do subsídio de desemprego;
  • flexibilizar os horários de trabalho e reduzir a retribuição;
  • atacar a contratação colectiva e promover o trabalho gratuito com a redução de feriados e dias de férias.

Esta é uma política que é preciso combater. Dia 11 vamos manifestar todos os descontentamentos, protestos e indignações contra a política que rouba aos trabalhadores e ao povo ao mesmo tempo que empurra o país para o precipício.

Trabalho, produção, produtividade

Zé LG, 07.02.12

Os governantes falam muito da necessidade de aumentar a produtividade, como se esse aumento fosse a chave para a resolução dos problemas que atravessamos. Este aumento pode ser importante, mas também pode contribuir pouco para a resolução dos principais problemas e até agravá-los, aumentando o desemprego, a concentração da riqueza e as desigualdades.

O que importa mais é criar mais postos de trabalho, produzir mais o que mais falta faz, e distribuir melhor a riqueza. Este é o caminho para o crescimento, o desenvolvimento e a justiça social.

Prosseguir o caminho, que tem vindo a ser seguido, do aumento do desemprego, da concentração da riqueza e do acentuar das desigualdades só contribui para a recessão económica e para a destruição do estado social.

Quantos menos trabalharem mais têm de contribuir para manter os que não trabalham, porque o não podem fazer, por incapacidade, porque ainda ou já não têm idade para trabalhar ou porque não conseguem arranjar trabalho.

O cerne do problema está neste último grupo. Para que serve aumentar a produtividade e o tempo de trabalho se continuar a crescer o número de desempregados, a não ser para aumentar os lucros de algumas grandes empresas e os dividendos escandalosos dos respectivos accionistas? O que mais importa é criar condições para que todos os que possam e queiram trabalhem e produzam, porque assim, para além de assegurar o crescimento económico e o progresso social, se evitam também problemas de saúde pública e se combatem eficazmente os défices.

Por tudo isto, é vergonhoso e ofensivo da dignidade das pessoas governantes falarem dos trabalhadores como se fossem preguiçosos e não quizessem trabalhar, como se existissem postos de trabalho para quem queira trabalhar. Governantes que assim actuam não são dignos de exercer os cargos que ocupam.

“A resposta civilizada é dividir o trabalho”

Zé LG, 13.01.12

“The New Economics Foundation” organizou uma conferência em defesa de uma ideia totalmente revolucionária: em nome do bem-estar da população, da diminuição da pobreza, da redução do consumo, da diminuição das emissões de dióxido de carbono ninguém deveria trabalhar mais de 21 horas por semana.
Conforme os interesses da empresa e trabalhador, o trabalho poderia concentrar-se em três dias, ser feito em part-time (três horas por dia) ou até sazonalmente, no máximo de 1092 horas distribuídas ao longo do ano.
Para começar a transformação, “The New Economics Foundation” defende que se arranque com uma semana de trabalho de quatro dias. “Diminuindo a semana de trabalho para quatro dias poderemos criar uma melhor balança entre trabalho pago” e aquilo a que chamam “vital core economy”: família, amigos e vida comunitária. Seria um caminho de pequenos passos, até à grande revolução das 21 horas. O que obrigaria cada um de nós a “reclassificar” as relações entre tempo, dinheiro e consumo, e a sua verdadeira relação com aquilo que chamamos “bem-estar”.
Para os autores, estas ideias são “uma antecipação racional de um modo de vida com baixos gastos de emissões de carbono”, fundamental à sobrevivência a prazo. Trabalhar 21 horas por semana vai trazer “ganhos consideráveis, abrindo novas oportunidades para reduzir as desigualdades de rendimento e viver mais saudavelmente.
Leia todo o artigo em:

http://www.ionline.pt/portugal/agora-algo-radicalmente-diferente-melhor-trabalhar-so-21-horas

 

 

Trata-se de uma proposta provocatória, que, pela oportunidade, justifica um grande debate. Vamos a ele?

Isto verificou-se até Junho. Imagine-se agora!...

Zé LG, 04.01.12

Portugal é o único país onde a austeridade exigiu mais aos mais pobres!
Entre os seis países da União Europeia mais afectados pela crise, Portugal é o único onde as medidas de austeridade exigiram um esforço financeiro aos pobres superior ao que foi pedido aos ricos, revela um estudo recente publicado pela Comissão Europeia. Na comparação com Grécia, Estónia, Irlanda, Reino Unido e Espanha, Portugal é também o País que regista um dos maiores aumentos de risco de pobreza devido às medidas de consolidação orçamental adoptadas durante a crise, ultrapassando a barreira dos 20% da população em risco.
O artigo, que considera o período entre 2009 e Junho do ano passado, revela que “Portugal é o único país com uma distribuição claramente regressiva”, isto é, onde os pobres pagaram proporcionalmente muito mais que os ricos para o esforço de consolidação. Isto num país que é já o mais desigual da União Europeia.
Leia todo o artigo aqui - http://sala-de-imprensa.net/blog/portugal-e-o-unico-pais-onde-a-austeridade-exigiu-mais-aos-mais-ao-pobres/.

A (ir)responsabilidade política

Zé LG, 21.12.11

A crise que estamos a viver - e que se vai agravar ainda -, não surgiu de geração espontânea. Tem causas e responsáveis.

Nos últimos anos os poderes políticos democráticos têm vindo a ser dominados por poderes difusos sem representação nem legitimação democráticas. Em consequência disso, a democracia representativa tem vindo a degradar-se, perdendo valor para cada vez mais pessoas, o que é demonstrado pelos crescentes níveis de abstenção. Votar para quê se depois de eleitos fazem o que querem - muitas vezes, exactamente o contrário do que prometeram -, é a questão que cada vez mais pessoas colocam.

Desta forma – com a subordinação dos poderes políticos a outros poderes, mais ou menos, difusos e o desinteresse pela política e a progressiva abstenção eleitoral das pessoas -, não é de estranhar a crescente descredibilização que atingem os políticos, que, muitos deles, não fazem muito para contrariar. Basta lembrar as inúmeras promessas de crescimento económico e desenvolvimento feitas e os anúncios do fim ou do princípio do fim da crise, quando tudo aponta para o seu agravamento.

É neste quadro que ouvimos repetirem que vivemos acima do que podemos e que, por isso, são necessárias medidas de austeridade e que os sacrifícios têm de ser feitos por todos. Alguns, cuja consciência social lhes pesa mais, ainda avançam que os sacrifícios devem ser pedidos com equidade... Parece, ao ouvi-los, que vivemos em autogestão, sem governos e sem políticas, como se estes e estas não tivessem quaisquer responsabilidades na situação que estamos a viver nem nas suas causas.

Se vivemos acima das nossas possibilidades é porque permitiram que assim acontecesse, ou melhor, é porque nos desafiaram a fazê-lo. Mas se vivemos acima das nossas possibilidades existem muitos que vivem abaixo das suas necessidades, mesmo das mais básicas, e das razões porque tal acontece fogem como o diabo da cruz os principais responsáveis.

O problema não se resolve apenas com mais equidade na distribuição dos sacrifícios – porque há muita gente que já os faz no limite (ou mesmo ultrapassando-os) da dignidade do ser humano -, mas sim com uma maior equidade na repartição da riqueza. Se em vez da maior parte da riqueza produzida ficar para uns poucos, passar a ser melhor repartida, ficando a maior parte para quem a produz, a produção nacional crescerá mais e mais rapidamente, dinamizando a economia nacional, porque aquela maior parte da riqueza produzida servirá para satisfazer necessidades mais básicas, não sendo aplicada, como está a ser em “off shores” e na economia virtual ou de casino. E, desta forma, serão mais eficazmente combatidos o défice e, mais importante, a dívida externa.

Mas mesmo que, para além dessa mudança radical, só queiram usar paliativos para enfrentar a crise – tentando controlar o défice através da austeridade sem promoção do crescimento económico -, os políticos terão de agir mais e prometer e anunciar menos medidas, o que não tem acontecido até aqui.

Mesmo a nível local, apesar dos significativos cortes aplicados às finanças locais, pelo menos, nos últimos três orçamentos de Estado, parece que a generalidade dos autarcas não quiseram enfrentar a situação e continuaram a agir como se tudo continuasse como dantes. Raros foram os que, para enfrentar a nova realidade, fizeram novas opções estratégicas e reorientaram as políticas e as práticas das suas autarquias. A maioria optou por se queixar das novas restrições orçamentais, embora mantendo as mesmas orientações e práticas, como se não lhes competisse introduzir mudanças na estratégia, nos projectos e no modelo gestionário, envolvendo nisso os trabalhadores e as populações.

Penedo Gordo, 02.12.2011

Publicado na revista Mais Alentejo, nº 108.