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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

ROTEIRO “CIDADANIA EM PORTUGAL” EM SINES E ALVITO

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O Roteiro “Cidadania em Portugal” está, entre hoje e amanhã, no Alentejo Litoral e Baixo Alentejo.

O programa prevê a realização de acções de sensibilização em matérias como o Trabalho Digno e Crescimento Económico, Interculturalidade, Bullying e Igualdade de Género.

O Roteiro pretende “colocar as redes e comunidades locais a discutir os temas da cidadania, da participação cívica, o combate às desigualdades ou as discriminações”.

No percurso do Roteiro estão já mais de 160 municípios de Portugal continental e regiões autónomas.

A iniciativa está hoje em Sines. Na quinta-feira chega a Alvito, o único município do Baixo Alentejo que recebe o Roteiro.

 

"Crescimento é material. Desenvolvimento é humano."

O que as multidões da rua estão reclamando é: desenvolvimento em primeiro lugar e a seu serviço o crescimento  (PIB). Crescimento é material. Desenvolvimento é humano. Signfica mais educação, mais hospitais de qualidade, mais saneamento básico, melhor transporte coletivo, mais segurança, mais acesso à cultura e ao lazer. Em outras palavras: mais condições de viver minimamente feliz, como humanos e cidadãos e não como meros consumidores passivos de bens postos no mercado.  Em vez de grandes estádios cujas entradas aos jogos são em grande parte proibitivas para o povo, mais hospitais, mais escolas, mais centros técnicos, mais cultura, mais inserção no mundo digital da comunicação.

O crescimento deve ser orientado para o desenvolvimento  humano e social. Se não se alinhar a esta lógica, o governo se vê condenado a ser mais o gestor dos negócios do que  o  cuidador da vida de seu povo, das condições de sua alegria de viver e de sua admirada criatividade cultural.

As ruas estão gritando por um Brasil (e por Portugal também) de gente e não de negócios e de negociatas; por uma sociedade menos malvada devido às desigualdades gritantes; por relações sociais transparentes e menos escusas que escondem a praga da corrupção; por uma democracia onde o povo é chamado a discutir e a decidir junto com seus representantes o que é melhor para o país.

Leia, na íntegra, este interessante e oportuno texto de Leonard Boff, em:  http://leonardoboff.wordpress.com/2013/07/13/equivocos-conceptuais-no-governo-do-pt/

Quem é que ainda não percebeu o que se está a passar?

Na Roménia 40% da população vive com severas carências e dificuldades.

Em Espanha três milhões de espanhóis têm de receber apoio alimentar das mais diversas ONG.

Em Portugal temos 18% da população vivendo abaixo do limiar da pobreza, mas 43% da população corre um sério risco de nela tombar.

Nos EUA, em 1980, os 1% mais ricos detinham 10% da riqueza nacional. Agora controlam 20%!

A nível planetário, em 20 anos, os 1% mais ricos aumentaram em 60% o seu rendimento.

Na China, os 10% mais ricos controlam 60% da riqueza nacional.

Na Áustria, os 5% mais ricos controlam 50% da riqueza, e os 50% mais pobres apenas 4%.

Na alemanha, a desigualdade subiu ainda mais entre 1998 e 2008. Os 50% mais pobres , que detinham 4% do rendimento nacional, estão agora reduzidos a 1%. Os 10% mais ricos, que detinham 45%, possuem agora 53% da riqueza nacional.

Em 2010 calcula-se que a fuga para paraísos fiscais por parte de grandes fortunas individuais atingiu o montante astronómico de 32 biliões de dólares (mais do que a soma do PIB conjunto dos EUA e do Japão). Em 2011, as operações da "banca sombra", uma rede de instituições que realiza operações bancárias sem se sujeitar à regulação estadual, totalizou 67 biliões de dólares , ou seja 111% do PIB planetário desse ano.

 

Estes dados foram retirados do ensaio "A pobre Europa dos pobres", de Viriato Soromeno-Marques, publicado na Visão de 21 de Março de 2013.

Quem diz não perceber o que se está a passar em Portugal, na Europa e no mundo tem aqui a explicação. Estes números mostram bem como a ganância levada ao extremo pelos principais usurpadores da riqueza produzida, com a subserviência dos governos por si apadrinhados, está a desmantelar o Estado social, considerado por eles como o inimigo a abater. Vamos ver até onde os Povos aguentam continuar a ser explorados desta forma tão violenta e ignóbil...

"Não à exploração, às desigualdades e ao empobrecimento! Outra política é possível e necessária."

Estamos perante uma política de terrorismo económico e social que exige uma resposta de grande dimensão a nível nacional.

O Governo do PSD-CDS e o grande patronato pretendem:

  • colocar o Estado ao serviço das empresas;
  • pôr a segurança social a financiar os patrões para pagar menos e precariezar as relações de trabalho;
  • facilitar os despedimentos e diminuir as indemnizações e o valor do subsídio de desemprego;
  • flexibilizar os horários de trabalho e reduzir a retribuição;
  • atacar a contratação colectiva e promover o trabalho gratuito com a redução de feriados e dias de férias.

Esta é uma política que é preciso combater. Dia 11 vamos manifestar todos os descontentamentos, protestos e indignações contra a política que rouba aos trabalhadores e ao povo ao mesmo tempo que empurra o país para o precipício.

Trabalho, produção, produtividade

Os governantes falam muito da necessidade de aumentar a produtividade, como se esse aumento fosse a chave para a resolução dos problemas que atravessamos. Este aumento pode ser importante, mas também pode contribuir pouco para a resolução dos principais problemas e até agravá-los, aumentando o desemprego, a concentração da riqueza e as desigualdades.

O que importa mais é criar mais postos de trabalho, produzir mais o que mais falta faz, e distribuir melhor a riqueza. Este é o caminho para o crescimento, o desenvolvimento e a justiça social.

Prosseguir o caminho, que tem vindo a ser seguido, do aumento do desemprego, da concentração da riqueza e do acentuar das desigualdades só contribui para a recessão económica e para a destruição do estado social.

Quantos menos trabalharem mais têm de contribuir para manter os que não trabalham, porque o não podem fazer, por incapacidade, porque ainda ou já não têm idade para trabalhar ou porque não conseguem arranjar trabalho.

O cerne do problema está neste último grupo. Para que serve aumentar a produtividade e o tempo de trabalho se continuar a crescer o número de desempregados, a não ser para aumentar os lucros de algumas grandes empresas e os dividendos escandalosos dos respectivos accionistas? O que mais importa é criar condições para que todos os que possam e queiram trabalhem e produzam, porque assim, para além de assegurar o crescimento económico e o progresso social, se evitam também problemas de saúde pública e se combatem eficazmente os défices.

Por tudo isto, é vergonhoso e ofensivo da dignidade das pessoas governantes falarem dos trabalhadores como se fossem preguiçosos e não quizessem trabalhar, como se existissem postos de trabalho para quem queira trabalhar. Governantes que assim actuam não são dignos de exercer os cargos que ocupam.

“A resposta civilizada é dividir o trabalho”

“The New Economics Foundation” organizou uma conferência em defesa de uma ideia totalmente revolucionária: em nome do bem-estar da população, da diminuição da pobreza, da redução do consumo, da diminuição das emissões de dióxido de carbono ninguém deveria trabalhar mais de 21 horas por semana.
Conforme os interesses da empresa e trabalhador, o trabalho poderia concentrar-se em três dias, ser feito em part-time (três horas por dia) ou até sazonalmente, no máximo de 1092 horas distribuídas ao longo do ano.
Para começar a transformação, “The New Economics Foundation” defende que se arranque com uma semana de trabalho de quatro dias. “Diminuindo a semana de trabalho para quatro dias poderemos criar uma melhor balança entre trabalho pago” e aquilo a que chamam “vital core economy”: família, amigos e vida comunitária. Seria um caminho de pequenos passos, até à grande revolução das 21 horas. O que obrigaria cada um de nós a “reclassificar” as relações entre tempo, dinheiro e consumo, e a sua verdadeira relação com aquilo que chamamos “bem-estar”.
Para os autores, estas ideias são “uma antecipação racional de um modo de vida com baixos gastos de emissões de carbono”, fundamental à sobrevivência a prazo. Trabalhar 21 horas por semana vai trazer “ganhos consideráveis, abrindo novas oportunidades para reduzir as desigualdades de rendimento e viver mais saudavelmente.
Leia todo o artigo em:

http://www.ionline.pt/portugal/agora-algo-radicalmente-diferente-melhor-trabalhar-so-21-horas

 

 

Trata-se de uma proposta provocatória, que, pela oportunidade, justifica um grande debate. Vamos a ele?

Isto verificou-se até Junho. Imagine-se agora!...

Portugal é o único país onde a austeridade exigiu mais aos mais pobres!
Entre os seis países da União Europeia mais afectados pela crise, Portugal é o único onde as medidas de austeridade exigiram um esforço financeiro aos pobres superior ao que foi pedido aos ricos, revela um estudo recente publicado pela Comissão Europeia. Na comparação com Grécia, Estónia, Irlanda, Reino Unido e Espanha, Portugal é também o País que regista um dos maiores aumentos de risco de pobreza devido às medidas de consolidação orçamental adoptadas durante a crise, ultrapassando a barreira dos 20% da população em risco.
O artigo, que considera o período entre 2009 e Junho do ano passado, revela que “Portugal é o único país com uma distribuição claramente regressiva”, isto é, onde os pobres pagaram proporcionalmente muito mais que os ricos para o esforço de consolidação. Isto num país que é já o mais desigual da União Europeia.
Leia todo o artigo aqui - http://sala-de-imprensa.net/blog/portugal-e-o-unico-pais-onde-a-austeridade-exigiu-mais-aos-mais-ao-pobres/.

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