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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

ROTEIRO “CIDADANIA EM PORTUGAL” EM SINES E ALVITO

Zé LG, 02.05.17

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O Roteiro “Cidadania em Portugal” está, entre hoje e amanhã, no Alentejo Litoral e Baixo Alentejo.

O programa prevê a realização de acções de sensibilização em matérias como o Trabalho Digno e Crescimento Económico, Interculturalidade, Bullying e Igualdade de Género.

O Roteiro pretende “colocar as redes e comunidades locais a discutir os temas da cidadania, da participação cívica, o combate às desigualdades ou as discriminações”.

No percurso do Roteiro estão já mais de 160 municípios de Portugal continental e regiões autónomas.

A iniciativa está hoje em Sines. Na quinta-feira chega a Alvito, o único município do Baixo Alentejo que recebe o Roteiro.

 

"Crescimento é material. Desenvolvimento é humano."

Zé LG, 14.07.13

O que as multidões da rua estão reclamando é: desenvolvimento em primeiro lugar e a seu serviço o crescimento  (PIB). Crescimento é material. Desenvolvimento é humano. Signfica mais educação, mais hospitais de qualidade, mais saneamento básico, melhor transporte coletivo, mais segurança, mais acesso à cultura e ao lazer. Em outras palavras: mais condições de viver minimamente feliz, como humanos e cidadãos e não como meros consumidores passivos de bens postos no mercado.  Em vez de grandes estádios cujas entradas aos jogos são em grande parte proibitivas para o povo, mais hospitais, mais escolas, mais centros técnicos, mais cultura, mais inserção no mundo digital da comunicação.

O crescimento deve ser orientado para o desenvolvimento  humano e social. Se não se alinhar a esta lógica, o governo se vê condenado a ser mais o gestor dos negócios do que  o  cuidador da vida de seu povo, das condições de sua alegria de viver e de sua admirada criatividade cultural.

As ruas estão gritando por um Brasil (e por Portugal também) de gente e não de negócios e de negociatas; por uma sociedade menos malvada devido às desigualdades gritantes; por relações sociais transparentes e menos escusas que escondem a praga da corrupção; por uma democracia onde o povo é chamado a discutir e a decidir junto com seus representantes o que é melhor para o país.

Leia, na íntegra, este interessante e oportuno texto de Leonard Boff, em:  http://leonardoboff.wordpress.com/2013/07/13/equivocos-conceptuais-no-governo-do-pt/

Quem é que ainda não percebeu o que se está a passar?

Zé LG, 01.04.13

Na Roménia 40% da população vive com severas carências e dificuldades.

Em Espanha três milhões de espanhóis têm de receber apoio alimentar das mais diversas ONG.

Em Portugal temos 18% da população vivendo abaixo do limiar da pobreza, mas 43% da população corre um sério risco de nela tombar.

Nos EUA, em 1980, os 1% mais ricos detinham 10% da riqueza nacional. Agora controlam 20%!

A nível planetário, em 20 anos, os 1% mais ricos aumentaram em 60% o seu rendimento.

Na China, os 10% mais ricos controlam 60% da riqueza nacional.

Na Áustria, os 5% mais ricos controlam 50% da riqueza, e os 50% mais pobres apenas 4%.

Na alemanha, a desigualdade subiu ainda mais entre 1998 e 2008. Os 50% mais pobres , que detinham 4% do rendimento nacional, estão agora reduzidos a 1%. Os 10% mais ricos, que detinham 45%, possuem agora 53% da riqueza nacional.

Em 2010 calcula-se que a fuga para paraísos fiscais por parte de grandes fortunas individuais atingiu o montante astronómico de 32 biliões de dólares (mais do que a soma do PIB conjunto dos EUA e do Japão). Em 2011, as operações da "banca sombra", uma rede de instituições que realiza operações bancárias sem se sujeitar à regulação estadual, totalizou 67 biliões de dólares , ou seja 111% do PIB planetário desse ano.

 

Estes dados foram retirados do ensaio "A pobre Europa dos pobres", de Viriato Soromeno-Marques, publicado na Visão de 21 de Março de 2013.

Quem diz não perceber o que se está a passar em Portugal, na Europa e no mundo tem aqui a explicação. Estes números mostram bem como a ganância levada ao extremo pelos principais usurpadores da riqueza produzida, com a subserviência dos governos por si apadrinhados, está a desmantelar o Estado social, considerado por eles como o inimigo a abater. Vamos ver até onde os Povos aguentam continuar a ser explorados desta forma tão violenta e ignóbil...

"Não à exploração, às desigualdades e ao empobrecimento! Outra política é possível e necessária."

Zé LG, 10.02.12

Estamos perante uma política de terrorismo económico e social que exige uma resposta de grande dimensão a nível nacional.

O Governo do PSD-CDS e o grande patronato pretendem:

  • colocar o Estado ao serviço das empresas;
  • pôr a segurança social a financiar os patrões para pagar menos e precariezar as relações de trabalho;
  • facilitar os despedimentos e diminuir as indemnizações e o valor do subsídio de desemprego;
  • flexibilizar os horários de trabalho e reduzir a retribuição;
  • atacar a contratação colectiva e promover o trabalho gratuito com a redução de feriados e dias de férias.

Esta é uma política que é preciso combater. Dia 11 vamos manifestar todos os descontentamentos, protestos e indignações contra a política que rouba aos trabalhadores e ao povo ao mesmo tempo que empurra o país para o precipício.

Trabalho, produção, produtividade

Zé LG, 07.02.12

Os governantes falam muito da necessidade de aumentar a produtividade, como se esse aumento fosse a chave para a resolução dos problemas que atravessamos. Este aumento pode ser importante, mas também pode contribuir pouco para a resolução dos principais problemas e até agravá-los, aumentando o desemprego, a concentração da riqueza e as desigualdades.

O que importa mais é criar mais postos de trabalho, produzir mais o que mais falta faz, e distribuir melhor a riqueza. Este é o caminho para o crescimento, o desenvolvimento e a justiça social.

Prosseguir o caminho, que tem vindo a ser seguido, do aumento do desemprego, da concentração da riqueza e do acentuar das desigualdades só contribui para a recessão económica e para a destruição do estado social.

Quantos menos trabalharem mais têm de contribuir para manter os que não trabalham, porque o não podem fazer, por incapacidade, porque ainda ou já não têm idade para trabalhar ou porque não conseguem arranjar trabalho.

O cerne do problema está neste último grupo. Para que serve aumentar a produtividade e o tempo de trabalho se continuar a crescer o número de desempregados, a não ser para aumentar os lucros de algumas grandes empresas e os dividendos escandalosos dos respectivos accionistas? O que mais importa é criar condições para que todos os que possam e queiram trabalhem e produzam, porque assim, para além de assegurar o crescimento económico e o progresso social, se evitam também problemas de saúde pública e se combatem eficazmente os défices.

Por tudo isto, é vergonhoso e ofensivo da dignidade das pessoas governantes falarem dos trabalhadores como se fossem preguiçosos e não quizessem trabalhar, como se existissem postos de trabalho para quem queira trabalhar. Governantes que assim actuam não são dignos de exercer os cargos que ocupam.

“A resposta civilizada é dividir o trabalho”

Zé LG, 13.01.12

“The New Economics Foundation” organizou uma conferência em defesa de uma ideia totalmente revolucionária: em nome do bem-estar da população, da diminuição da pobreza, da redução do consumo, da diminuição das emissões de dióxido de carbono ninguém deveria trabalhar mais de 21 horas por semana.
Conforme os interesses da empresa e trabalhador, o trabalho poderia concentrar-se em três dias, ser feito em part-time (três horas por dia) ou até sazonalmente, no máximo de 1092 horas distribuídas ao longo do ano.
Para começar a transformação, “The New Economics Foundation” defende que se arranque com uma semana de trabalho de quatro dias. “Diminuindo a semana de trabalho para quatro dias poderemos criar uma melhor balança entre trabalho pago” e aquilo a que chamam “vital core economy”: família, amigos e vida comunitária. Seria um caminho de pequenos passos, até à grande revolução das 21 horas. O que obrigaria cada um de nós a “reclassificar” as relações entre tempo, dinheiro e consumo, e a sua verdadeira relação com aquilo que chamamos “bem-estar”.
Para os autores, estas ideias são “uma antecipação racional de um modo de vida com baixos gastos de emissões de carbono”, fundamental à sobrevivência a prazo. Trabalhar 21 horas por semana vai trazer “ganhos consideráveis, abrindo novas oportunidades para reduzir as desigualdades de rendimento e viver mais saudavelmente.
Leia todo o artigo em:

http://www.ionline.pt/portugal/agora-algo-radicalmente-diferente-melhor-trabalhar-so-21-horas

 

 

Trata-se de uma proposta provocatória, que, pela oportunidade, justifica um grande debate. Vamos a ele?

Isto verificou-se até Junho. Imagine-se agora!...

Zé LG, 04.01.12

Portugal é o único país onde a austeridade exigiu mais aos mais pobres!
Entre os seis países da União Europeia mais afectados pela crise, Portugal é o único onde as medidas de austeridade exigiram um esforço financeiro aos pobres superior ao que foi pedido aos ricos, revela um estudo recente publicado pela Comissão Europeia. Na comparação com Grécia, Estónia, Irlanda, Reino Unido e Espanha, Portugal é também o País que regista um dos maiores aumentos de risco de pobreza devido às medidas de consolidação orçamental adoptadas durante a crise, ultrapassando a barreira dos 20% da população em risco.
O artigo, que considera o período entre 2009 e Junho do ano passado, revela que “Portugal é o único país com uma distribuição claramente regressiva”, isto é, onde os pobres pagaram proporcionalmente muito mais que os ricos para o esforço de consolidação. Isto num país que é já o mais desigual da União Europeia.
Leia todo o artigo aqui - http://sala-de-imprensa.net/blog/portugal-e-o-unico-pais-onde-a-austeridade-exigiu-mais-aos-mais-ao-pobres/.

A (ir)responsabilidade política

Zé LG, 21.12.11

A crise que estamos a viver - e que se vai agravar ainda -, não surgiu de geração espontânea. Tem causas e responsáveis.

Nos últimos anos os poderes políticos democráticos têm vindo a ser dominados por poderes difusos sem representação nem legitimação democráticas. Em consequência disso, a democracia representativa tem vindo a degradar-se, perdendo valor para cada vez mais pessoas, o que é demonstrado pelos crescentes níveis de abstenção. Votar para quê se depois de eleitos fazem o que querem - muitas vezes, exactamente o contrário do que prometeram -, é a questão que cada vez mais pessoas colocam.

Desta forma – com a subordinação dos poderes políticos a outros poderes, mais ou menos, difusos e o desinteresse pela política e a progressiva abstenção eleitoral das pessoas -, não é de estranhar a crescente descredibilização que atingem os políticos, que, muitos deles, não fazem muito para contrariar. Basta lembrar as inúmeras promessas de crescimento económico e desenvolvimento feitas e os anúncios do fim ou do princípio do fim da crise, quando tudo aponta para o seu agravamento.

É neste quadro que ouvimos repetirem que vivemos acima do que podemos e que, por isso, são necessárias medidas de austeridade e que os sacrifícios têm de ser feitos por todos. Alguns, cuja consciência social lhes pesa mais, ainda avançam que os sacrifícios devem ser pedidos com equidade... Parece, ao ouvi-los, que vivemos em autogestão, sem governos e sem políticas, como se estes e estas não tivessem quaisquer responsabilidades na situação que estamos a viver nem nas suas causas.

Se vivemos acima das nossas possibilidades é porque permitiram que assim acontecesse, ou melhor, é porque nos desafiaram a fazê-lo. Mas se vivemos acima das nossas possibilidades existem muitos que vivem abaixo das suas necessidades, mesmo das mais básicas, e das razões porque tal acontece fogem como o diabo da cruz os principais responsáveis.

O problema não se resolve apenas com mais equidade na distribuição dos sacrifícios – porque há muita gente que já os faz no limite (ou mesmo ultrapassando-os) da dignidade do ser humano -, mas sim com uma maior equidade na repartição da riqueza. Se em vez da maior parte da riqueza produzida ficar para uns poucos, passar a ser melhor repartida, ficando a maior parte para quem a produz, a produção nacional crescerá mais e mais rapidamente, dinamizando a economia nacional, porque aquela maior parte da riqueza produzida servirá para satisfazer necessidades mais básicas, não sendo aplicada, como está a ser em “off shores” e na economia virtual ou de casino. E, desta forma, serão mais eficazmente combatidos o défice e, mais importante, a dívida externa.

Mas mesmo que, para além dessa mudança radical, só queiram usar paliativos para enfrentar a crise – tentando controlar o défice através da austeridade sem promoção do crescimento económico -, os políticos terão de agir mais e prometer e anunciar menos medidas, o que não tem acontecido até aqui.

Mesmo a nível local, apesar dos significativos cortes aplicados às finanças locais, pelo menos, nos últimos três orçamentos de Estado, parece que a generalidade dos autarcas não quiseram enfrentar a situação e continuaram a agir como se tudo continuasse como dantes. Raros foram os que, para enfrentar a nova realidade, fizeram novas opções estratégicas e reorientaram as políticas e as práticas das suas autarquias. A maioria optou por se queixar das novas restrições orçamentais, embora mantendo as mesmas orientações e práticas, como se não lhes competisse introduzir mudanças na estratégia, nos projectos e no modelo gestionário, envolvendo nisso os trabalhadores e as populações.

Penedo Gordo, 02.12.2011

Publicado na revista Mais Alentejo, nº 108.

Portugal é o país mais desigual entre as economias europeias

Zé LG, 05.12.11

De acordo com o estudo "Divided We Stand: Why Inequality Keeps Rising", da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), o fosso entre ricos e pobres atingiu o nível mais elevado dos últimos 30anos.

De acordo com vários indicadores, Portugal continua a ser um dos países mais desiguais do mundo desenvolvido, em que os 20% mais ricos têm rendimentos seis vezes superiores (6,1) aos dos 20% mais pobres, revela a OCDE.

Dilma contra a corrente do “pensamento único”

Zé LG, 04.10.11

A Presidente brasileira, Dilma Rousseff, garantiu em Bruxelas, que não tomará medidas de austeridade fiscal para fazer frente aos efeitos da crise económica e destacou que medidas recessivas só levam à «estagnação e ao desemprego».

Dilma Rousseff relembrou o período de dificuldades passado pelo Brasil nas décadas de 1980 e 1990 e criticou as medidas «extremamente recessivas» adoptadas na altura, que  só serviram para gerar estagnação e desemprego.

A Presidente considerou que «dificilmente» se consegue sair da crise sem aumentar o consumo, o investimento e o nível de crescimento da economia e defendeu que «Os países devem agir para evitar que seus povos vivam o desemprego e perdas dos direitos sociais», acrescentando que o seu país tem conseguido aliar crescimento a distribuição de rendimentos.

Afinal isto não está mal para todos

Zé LG, 24.08.11

A fortuna dos 25 mais ricos de Portugal aumentou 17,8 por cento, somando 17,4 mil milhões de euros, revela a lista anual da revista Exame, liderada por Américo Amorim. Após três anos consecutivos de queda, os bilionários conseguiram aumentar os seus activos.

Os três mais ricos são: 1º Américo Amorim: 2587,2 milhões de euros, 2º Alexandre Soares dos Santos: 1917,4 milhões de euros, 3º Belmiro de Azevedo: 1297,6 milhões de euros.

Leia toda a notícia aqui.

 

O problema não está só no tamanho do bolo mas principalmente como ele é repartido. A continuar assim, quanto maior for a riqueza produzida maiores serão as desigualdades, com as consequências conhecidas.

A situação é de tal maneira escandalosa que já apareceram alguns dos mais ricos (nos EUA, em França e também por cá, Joe Berardo) a dizerem que os Estados devem criar um imposto sobre as maiores riquezas, o que as Esquerdas a sério há tanto reclamam e as direitas e a esquerda envergonhada têm persistido em recusar.

Fome no Alentejo

Zé LG, 16.06.11

João Dias Coelho, da Direcção Regional do Alentejo do PCP, afirma que no Alentejo, “a par do crescimento do desemprego, crescem pólos de fome e miséria”.

 

Tendo em conta diversos indicadores apresentados por instituições de solidariedade social, esta afirmação do PCP confirma a gravidade da situação social no Alentejo e a necessidade de serem tomadas medidas que a combatam e assegurem condições de dignidade a todas as pessoas.

O sorvedouro do BPN

Zé LG, 26.12.10

O governo injectará mais 500 milhões de euros no BPN, anuncia o Público. . . Eles somam-se aos 4,8 mil milhões de euros já ali despejados após a sua nacionalização. O caso merece algumas observações:

1) O mesmo governo que deixou/deixa afundar centenas de empresas produtivas pelo país afora encontrou recursos vultuosos para salvar um banco insolvente – o contraste é chocante;

2) A nacionalização foi cuidadosamente circunscrita apenas ao próprio banco e não à sociedade que era sua proprietária (a qual supõe-se ainda ter património);

3) Os accionistas da holding proprietária do BPN (quem são?) foram assim poupados à nacionalização;

4) É lícito supor que esta nacionalização foi feita para evitar que o assunto fosse a tribunal, pois um processo de falência poderia tornar-se demasiado público para os interesses envolvidos;

5) O BPN ainda poderá exigir mais recursos do que os 5,3 mil milhões já recebidos, pois ninguém garante qual a dimensão do seu buraco.

In: http://resistir.info/

Adivinhem quem fez estas afirmações

Zé LG, 10.12.10

"O Estado tem um papel essencial na redistribuição do rendimento, de modo a combater as intoleráveis desigualdades sociais e assimetrias regionais que se têm vindo a aprofundar".

"Podemos voltar a ter um País respeitado".

"Exercerei uma magistratura ativa para que as políticas públicas atribuam prioridade ao combate ao desemprego, o maior flagelo social da atualidade".

"Defendo o mercado livre sujeito a regulação eficaz, transparente e independente".

Os novos pobres

Zé LG, 22.11.10

A crise quando chega toca a todos, e eu já não sei se hei-de ter pena dos milhares de homens e mulheres que, por esse país fora, todos os dias ficam sem emprego se dos infelizes gestores do Banco Comercial Português que, por iniciativa de alguns accionistas, poderão vir a ter o seu ganha-pão drasticamente reduzido em 50%, ou mesmo a ver extintos os por assim dizer postos de trabalho.

A triste notícia vem no DN: o presidente do Conselho Geral e de Supervisão daquele banco arrisca-se a deixar de cobrar 90 000 euros por cada reunião a que se digna estar presente e passar a receber só 45 000; por sua vez, o vice-presidente, que ganha 290 000 anuais, poderá ter que contentar-se com 145 000; e os nove vogais verão o seu salário de miséria (150 000 euros, fora as alcavalas) reduzido a 25% do do presidente. Ou seja, o BCP prepara-se para gerar 11 novos pobres, atirando ainda para o desemprego com um número indeterminado de membros do seu distinto Conselho Superior. Aconselha a prudência que o Banco Alimentar contra a Fome comece a reforçar os "stocks" de caviar e Veuve Clicquot, pois esta gente está habituada a comer bem.