Quase metade dos votos do Alentejo não servem para eleger deputados
Um estudo indica que 1.263.334 votos nas últimas eleições legislativas foram “desperdiçados” e não serviram para eleger nenhum deputado, correspondendo a 20,4% do total, com os territórios do interior a serem particularmente prejudicados.
Henrique Oliveira salientou que “existe uma grande desigualdade no território e na emigração entre os grandes círculos e os pequenos”, realçando que “Quase metade dos votos de Portalegre não servem para eleger nenhum deputado, ao passo que cerca de 90% dos votos de Lisboa e de 84% no Porto servem para eleger deputados”, acrescentando que “os partidos que conseguem capitalizar mais o voto são os grandes partidos – que conseguem ver 90% dos seus votos convertidos em mandatos” –, enquanto os pequenos “não conseguem passar dos 40 a 45%” - o PAN precisou de 126.805 votos para conseguir obter um mandato parlamentar, enquanto o PS só precisou de 23.237 votos para eleger um deputado – ou seja, o PAN precisou de “cinco vezes mais votos do que o PS”. Referiu ainda que há formas de tornar o sistema mais igualitário - “criar um círculo de compensação nacional, ... agrupar os círculos do interior em grandes círculos… ou um único círculo nacional”.
