Alvitrando
Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.
19
Nov 17

O Grupo Parlamentar do PCP confrontou o ministro Adjunto, responsável político pela Unidade de Missão para a Valorização do Interior, com o modelo de desenvolvimento do interior do país, reivindicando políticas diferentes para o interior e para a situação do distrito de Beja

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O PCP frisou naquela interpelação ao Governo, que no Alentejo foi feito o maior investimento hidroagrícola do país, mas o modelo associado ao desenvolvimento do projeto estimulou a concentração da propriedade, aumentou as preocupações ambientais e a destruição do património cultural, não promoveu o povoamento, não reduziu o desemprego e não dinamizou substancialmente as economias locais, a não ser alguma empresa de fornecimento de serviços e equipamentos de regadio. Neste contexto, o PCP reivindica um modelo de investimento nas infraestruturas que têm de acompanhar o aumento produtivo.

O PCP refere ainda, que o distrito de Beja aguarda desde 1985 pela construção de dois Itinerários Principais (IP2 e IP8) e desde 1998 pela construção do IC27, a ligação ferroviária tem-se vindo a degradar e o atual Governo continua sem assumir a eletrificação da linha, o aeroporto, construído para aproveitamento de uma das melhores pistas do país, não se articula nem com a rodovia nem com a ferrovia. Por tudo isto, o Grupo Parlamentar do PCP exigiu que, ao investimento e ao aumento da produção, esteja associado um modelo económico verdadeiramente orientado para o desenvolvimento regional e a coesão social e territorial.

publicado por Zé LG às 10:11
Estas reivindicações do PCP não são novas, são aliás, do senso comum!...Necessitamos indubitavelmente de melhores vias de comunicação rodoviárias e ferroviárias, e de mais infraestruturas, é certo! Mas no que à fileira agrícola diz respeito, não só as políticas do sector, se têm revelado erradas, mas também há aí alguma hipocrisia disfarçada na medida em que de um modo geral, a primeira coisa que os alentejanos fizeram quando apareceu um novo quadro vocacionado para as culturas de regadio, tratou de vender as terras (e não são poucos hectares) a investidores exteriores ao invés de procurar iniciar novos paradigmas de produção agrícola, mais formação e informação (aqui o estado não cumpriu o seu papel)!...Se hoje há preocupações com as aceleradas transformações do território e da paisagem alentejana por força do crescimento desenfreado das culturas de regadio intensivo e superintensivo, apercebe-se que pouco foi feito para repensar o modelo de desenvolvimento que estas práticas promovem!...é muito pouco, para uma região vasta, com potencial agrícola e água por todo o lado para regar!
E um sector primário forte e bem estruturado na região, só traria benefícios para sectores conexos como o turismo, a agro-indústria, o comércio, etc...Quando se circula pela vasta região do baixo alentejo, fica -se hoje um pouco mais triste, com a proliferação das culturas intensivas e com a progressiva destruição de áreas de montado e de pastagens que constituiram outrora a base da subsistência do povo alentejano e o regozijo de quem apreciava as características únicas desta singular paisagem!...Espero de futuro, estar enganado!
Ecce homo a 19 de Novembro de 2017 às 20:29
Não precisa do futuro para estar enganado, já o está agora, ou, pelo menos pouco informado.
O Alentejo é o suficientemente grande e diverso para suportar vários tipos de exploração.
Já farta um pouco o raciocínio do preso por ter cão e por não ter.
Anónimo a 19 de Novembro de 2017 às 21:53
Caro anónimo, não sei se é adepto deste tipo de culturas ou não! É claro que há espaço para a diversidade agrícola, mas também deveria haver regras para salvaguardar ecossistemas consolidados, boas práticas agrícolas e sustentabilidade ambiental!...há muitos estudos de natureza científica que alertam para os problemas já identificados. Convido-o a ler:

"Aplicações excessivas de pesticidas, herbicidas, fungicidas e fertilizantes estão a gerar efeitos negativos muito elevados sobre os ecossistemas do Norte ao Sul do país, crescem os receios sobre o impacte resultante da plantação maciça de olival intensivo, tecnologia que chegou a Portugal há dez anos pela mão de empresários espanhóis. Técnicos agrários e investigadores universitários já lançam o alerta para os malefícios que tal prática acarreta para os solos. Num colóquio realizado no sábado sobre Olival e desenvolvimento local, durante o certame RuralBeja - Feira de Outono, que decorreu em Beja, José Velez, professor na Escola Superior Agrária de Beja (ESAB), deixou patente o impacte no meio ambiente provocado pela monocultura de oliveiras, quando focou o que se está a passar em Espanha. Nas áreas onde foi instalado este tipo de cultura "não há ribeiras nem rios, nem peixes, nem rãs, nem cágados".
Os sistemas de rega implantados para o olival conduzem à artificialização das linhas de água e à destruição de galerias ribeirinhas, como se pode constatar, com maior incidência, em várias explorações agrícolas em Beja, Ferreira do Alentejo, Vidigueira, Serpa e Moura. José Velez questiona o uso excessivo dos aquíferos numa das zonas mais férteis da região alentejano, os barros de Beja, e José Soeiro, deputado comunista na Assembleia da República, partilha das preocupações expressas pelo professor da ESAB, frisando que a região assiste, sem qualquer intervenção do ministério do Ambiente, à "utilização dos aquíferos sem qualquer controlo".
Laura Torres, professora catedrática da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, associa o seu uso excessivo e sem controlo aos sinais anómalos que estão a surgir nos ecossistemas, destacando "os comportamentos aberrantes dos peixes", revelando que já foram referenciados exemplares "bissexuados" e outros com comportamentos "aberrantes". "Não sabemos o que é feito e como é feito" no tratamento dos olivais, mas fazer olival moderno em Trás-os-Montes é usar mais pesticidas, fungicidas, erbicidas, insecticidas e abusar dos fertilizantes", sintetiza Laura Torres, que enumera um conjunto de receitas "para provocar doenças e pragas no olival". Incisiva, classifica os insecticidas como "os narcóticos da natureza". A nova agricultura intensiva "passou a estar dependente de drogas", disse.
Laura Torres refere que são conhecidos 255 inimigos da oliveira, mas 90 por cento "não causam problemas" por limitações impostas pelos ecossistemas. Destruindo as defesas naturais, surgem novas pragas e doenças que eram desconhecidas até aqui. Há o hábito nefasto de limpar os solos ocupados por oliveiras de todo tipo de ervas, um factor que contribui igualmente para a erosão dos solos.
No Alentejo "perde-se um centímetro de terreno arável por ano", alerta José Velez, realçando um fenómeno que pode ser observado nalguns locais no Alentejo, onde as árvores "descerem entre 20 e 30cm", em resultado da erosão dos solos."
A questão central, não é o entrave à implementação de novas práticas agrícolas, que até poderão naturalmente constituir-se como um estímulo à economia local, mas será necessário adequar os interesses e os investimentos envolvidos à defesa de um bem maior- a preservação e o estudo da paisagem que é tão antigo como a geografia, como diria O prof. Orlando Ribeiro.



Ecce homo a 20 de Novembro de 2017 às 10:29
Não, não sou a favor desse tipo de culturas.
O que digo é que todos esses "doutores" que ai citou, sabiam da existência dos problemas do olival intensivo e super intensivo bem antes do que aconteceu.
Essa lógica de opinar depois de já não haver solução não leva a nada. Porque não apresentam antes, já que sabem tanto, quais os caminhos a seguir para reverter determinadas situações e implementar outras.
Eu digo-lhe porquê, se formos ao fundo da questão chegamos à mentalidade predominante, à falta de informação, aos interesses instalados.
Imagine só que tivesse de pagar o azeite a preços de um verdadeiro azeite biológico. Agora faça o mesmo exercício paro tudo o resto, é, para já, insustentável para quase todos nós.
Anónimo a 20 de Novembro de 2017 às 11:37
Já vi que tem preferência pelo consumo de azeite de quinta categoria, resultante da última extracção de azeitona, que de azeite tem pouco, mas que custa 2 ou 3 euros a garrafa!...É isso que nos andam a vender! Bem sei que nem toda a gente pode comprar azeite biológico (que é escasso e a preços inacessíveis para a maioria das bolsas). Mas isso é uma questão secundária, ou que depende apenas do orçamento familiar de cada indivíduo, o que quis aqui realçar foi o simples efeito da globalização desenfreada, onde impera a lógica do mais forte (efeito de escala) em nome do mercantilismo selvagem, sem preocupações de qualquer espécie a não ser o lucro imediato!...E que falar dos postos de trabalho que os vaticinadores do costume, apregoaram de modo peregrino, como se essas práticas por si só assegurassem o crescimento económico da região!...Há outras áreas ou fileiras como se quiser, como o vinho, os hortícolas, as frutas, e já há aliás, bons exemplos nessa área, mas que não possuem a dimensão do olival superintensivo!...Acresce ainda, que as opiniões que se vão exprimindo sobre o assunto aparecem em consequência da realidade, e que nalguns casos, talvez por falta de informação à priori, se tornem agora mais evidentes e mensuráveis!...mas parece que não foi isso que entendeu!...è um acto de cidadania esta participação na discussão, e não deve ser entendido como um entrave ou força de reacção de qualquer espécie, sendo antes um humilde contributo, que vale o que vale, ou antes vale tanto quanto o seu!

bem haja
Ecce homo a 20 de Novembro de 2017 às 14:18
Para começar, ter preferências é um luxo que todos têem nos dias de hoje em países desenvolvidos, uns mais do que outros, mas sempre assim foi.
Vamos por partes, a informação sobre as consequências de práticas intensivas há muito é conhecida.
O que se chama globalização, não é mais do que a evolução da espécie humana e o decorrer do tempo.
Que bela reportagem se pode ver no Beja Blog, onde mostra o nosso Alentejo à 40 anos atrás.
Em termos ecológicos e de mudança nos ecossistemas o que são 40 anos? é muito pouco, e, no entanto, que fantástica mudança em todos os aspectos.
Convém termos visões globais sobre os assuntos e, nesse caso a conclusão é simples, o mundo tal como está é insustentável.
Não podemos é desesperar com a situação, senão vejamos, se gosta de comer carne, sabe de certeza que essa prática é altamente poluidora, se gosta de peixe contribui para a extinção de espécies, se lava a roupa e toma banho, polui o ambiente, se usa plásticos, contribui para as alterações climáticas, se usa roupa é cúmplice de exploração no trabalho, se usa tecnologias é conivente com trabalho escravo e destruição de habitats, se usa carro é o que se sabe, etc, etc.
Os contributos valem o que valem, mas a honestidade dos argumentos vale mais.

Anónimo a 20 de Novembro de 2017 às 15:09
Expus os meus argumentos com a mesma honestidade que presumivelmente o Sr. ou Sr.ª expos os seus!

"Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, em relação ao universo, ainda não tenho certeza absoluta". Albert Einstein


Ecce homo a 20 de Novembro de 2017 às 15:22
Por muitos ilustres que cite não apaga a força do pensamento próprio.
Anónimo a 20 de Novembro de 2017 às 15:41
O que o PCP pretende no desenvolvimento agricola da região já todos nós conhecemos. Quanto aos conhecimentos desses ilustres doutores e engenheiros sobre os olivais e as praticas aí realizadas, tenho dúvidas se alguma vez terão visitado um olival intensivo em Portugal, mas parece que em Espanha estão do mais bem informados.
Azeiteiro a 20 de Novembro de 2017 às 12:50
Excelente debate que já há bastante tempo se impunha. Mérito para LG e o PCP que aqui o despoletou.
Apenas há um aspeto que me intriga. O Eng. José Vélez atrás referido não é porventura o atual sub-Diretor Regional da Agricultura do Alentejo?
É que quem lê o trecho que atrás referido, certamente fica a pensar que se tratará de algum contestatário que se envolveu numa cruzada contra os interesses de lobbies poderosos ou de alguém que está a tentar mandar abaixo a politica do ministro da agricultura e dos anteriores governos, alguns da mesmíssima cor política.
Curioso pormenor, hem?
Anónimo a 20 de Novembro de 2017 às 19:19
É a mesma pessoa! o eng.º José Velez ex-vereador da CMB, ligado durante alguns anos ao Politécnico de Beja e actual Director Regional Adjunto da Agricultura e Pescas do Alentejo!...e nada disto é assim tão curioso, se se pensar que é uma prática comum em Portugal colocar os boys partidários, que por alguma razão terminam mandatos autárquicos ou carreira política, e têm que ser criteriosamente "empurrados" para preencher as vagas na Administração Pública ( que é terreno fértil para estas manobras partidárias)!...há exemplos em todos os quadrantes políticos, é só fazer um rápido exercício de memória!...Já não é defeito, mas feitio, como diz o povo!
Anónimo a 20 de Novembro de 2017 às 21:06
Por cá temos uma colecção de personagens que conseguem ter esta mesma opinião que este sobre oliveiras, taqui fica o link: https://youtu.be/fVMHen-njPc
Azeiteiro a 21 de Novembro de 2017 às 06:41
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