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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

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Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

O que (não) tem sido feito para evitar o atraso progressivo de Beja?

Zé LG, 31.08.20

Beja foi um Município pioneiro na afirmação do Poder Local Democrático. Foi dos primeiros a ter uma cobertura quase total de saneamento básico, incluindo tratamento de esgotos e lixo. Foi dos primeiros e dos poucos, em conjunto com Aljustrel, a assegurar autonomamente o abastecimento de água. Conquistou prémios de Cidade Limpa e outros. Foi dos primeiros a recuperar os bairros clandestinos e a avançar com habitação social. Alargou significativamente a cobertura de electricidade, a rede viária e de campos desportivos a quase todo o Concelho. Foi o primeiro a ter um Plano de Salvaguarda para o seu Centro Histórico e Estudos de Desenvolvimento Económico para o Concelho (que apontou pela primeira vez a utilização da Base Aérea para fins civis - aeroporto), a complementar o seu primeiro PDM. Resolveu e ultrapassou o impasse a que tinha chegado o Parque Industrial, adquirindo os terrenos e colocando-os à venda. Foi dos primeiros a ter um campo de futebol relvado e pista de atletismo. Assumiu a responsabilidade de concluir e pôr a funcionar a Casa da Cultura. Foi dos primeiros a ter a sua Biblioteca, que durante anos foi um exemplo para o resto do país. Sem o seu apoio determinante, não teria sido possível ao NERBE construir as suas instalações nem à ACOS fazer da OVIBEJA uma feira de referência nacional nem a construção do Parque de Feiras e Exposições.

Muito mais podíamos recordar de projectos pioneiros ou que, não o sendo, foram marcantes para o progresso da Cidade e do Concelho de Beja e até da própria região, como aconteceu com a criação da Associação de Municípios do Distrito de Beja, a aquisição e retoma da publicação do Diário do Alentejo ou criação da Região de Turismo da Planície Dourada. Mas parece ser suficiente para recordar que Beja esteve durante muitos anos na linha da frente do que de melhor se fez a nível autárquico em Portugal.

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Mas, entretanto, o que é que se passou nas duas últimas décadas, para assistirmos ao atraso progressivo relativamente aos outros municípios, incluindo alguns da nossa região? Nalgumas das áreas que atrás referi, o atraso é evidente e tem vindo a acentuar-se nos últimos anos. Hoje, é frequente encontrarmos outros concelhos com melhores estradas e arruamentos, electificação e iluminação pública, limpeza, equipamentos, actividades….

A que é que isso se deve? O que é que levou um Município de referência positiva em muitas áreas para se transformar em mais um que nem sequer consegue dar resposta satisfatória às suas responsabilidades próprias? O que se passa com projectos, alguns com várias versões, como o "Flávio dos Santos", o pavilhão gimnodesportivo, o parque de campismo, os "Moinhos de Santa Iria"?

Muitas vezes se responsabiliza – e muitas vezes, com razão , o Município por não conseguir resolver problemas e satisfazer necessidades do Concelho e das populações que não são da sua responsabilidade directa, porque são da responsabilidade do governo. Mas aqui estou a cingir-me ao que é da exclusiva responsabilidade do Município.

Muitas vezes disseram que se a Câmara Municipal fosse do mesmo partido do governo muito mais seria feito. Antes fez-se o que referi e muito mais. E agora? Porque não avançaram e não avançam a autoestrada até à fronteira, a renovação da limha de caminho de ferro e de material circulante, o Tribunal, a 2ª fase do Hospital?

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