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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

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Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

O Altar das polémicas

Zé LG, 01.02.23

Banner-Lopes-Guerreiro-300x286.jpgA divulgação dos valores da adjudicação, pela Câmara Municipal de Lisboa, de um Altar para a realização de uma missa campal no encerramento da Jornada Mundial da Juventude, agendada para o início de Agosto, gerou uma enorme polémica, com declarações contraditórias dos principais responsáveis e os mais diversos aproveitamentos.

Houve mesmo quem tenha levado a polémica para um confronto entre a Igreja Católica e os que não a apoiam, utilizando argumentos como os que comparam a Jornada Mundial da Juventude ao Campeonato Europeu de Futebol e aos milhões investidos nos diversos estádios onde se realizaram os jogos. Ver pessoas responsáveis, até da própria Igreja, a compararem uma iniciativa da Igreja com um campeonato de futebol parece-me revelador do nível de debate a que se chegou…

A Jornada Mundial da Juventude, embora sendo uma iniciativa da Igreja Católica e a Constituição da República Portuguesa consagrar a separação dos poderes do Estado e da Igreja, deve ter o apoio do governo e das autarquias envolvidas, pelo impacto causado pelo mais de um milhão de jovens de todo o mundo que se vão deslocar até ao nosso País e pela projecção e prestígio internacionais daí decorrentes.

 

Tal não significa que o o governo e as autarquias devam participar de ânimo leve, sem regras e sem o mínimo respeito pela separação de poderes vigente. Ou seja, todos os investimentos e despesas devem ser feitos criteriosamente, com respeito pelas regras e não em regime de “pontapé para a frente e fé em deus”, como parece poder estar a acontecer.

Se é aceitável que as autarquias tenham antecipado investimentos na necessária renovação urbana da degradada zona ribeirinha para poder acolher alguns dos eventos integrantes da Jornada, já não parece aceitável que gastem largos milhões de euros em altares, com projectos megalómanos, reveladores de novo-riquismo e sem respeito por aquilo que tem vindo a defender o Papa Francisco e, ainda por cima, através de ajustes directos…

Carlos Moedas tentou justificar tal situação pelo facto da actual Câmara de Lisboa, a que preside, não ter recebido nada preparado do anterior Executivo Camarário, presidido por Fernando Medina, pelo pouco tempo disponível para fazer as obras e, ainda, pelas condições impostas pela Igreja. Foi desmentido pelos vereadores do PS, que divulgaram o estado em que estavam os diversos projectos aquando da mudança do Executivo Camarário. O Bispo Auxiliar de Lisboa, Américo de Aguiar, presidente da Fundação JMJ Lisboa 2023 disse que se sentiu chocado ao ter tido conhecimento do valor – mais de cimo milhões de euros -, por que foi adjudicada a construção do Altar no Parque Tejo. O Presidente da República também se mostrou incomodado com aquele valor, recordando o que tem sido a postura do Papa Francisco de recusar manifestações de opulência. E, finalmente e não menos importante, o próprio Vaticano se veio demarcar da decisão do projecto e respectivos custos, dizendo-se alheio a tal decisão.

Perante estes factos, parece que Carlos Moedas pretendendo ser “mais papista que o Papa” e usar a Jornada Mundial da Juventude como arma de arremesso política se meteu por atalhos apertados, dos quais dificilmente não sairá chamuscado. Como se já não chegasse de confusão, Carlos Moedas afirmou, há dias, à saída de uma reunião com Marcelo Rebelo de Sousa, que “aquilo que for a vontade do Presidente e da Igreja, eu aceitarei e farei” para garantir a construção do Altar. Será que, ao proferir tal afirmação não teve presente que o presidente da Câmara da Capital de Portugal não pode ser “um pau mandado” seja de quem for, porque foi eleito para servir Lisboa e os lisboetas e não quaisquer outros interesses?

Esperemos que os espíritos serenem e que haja a capacidade de rever os projectos – parece que não é só o do Altar do Parque Tejo mas também o do Parque Eduardo VII a padecerem daqueles males -, de forma a a evitar a megalomania, a ostentação, a feira de vaidades, em que parece que alguns terão pretendido transformar a Jornada Mundial da Juventude, tudo ao arrepio dos princípios que o Papa Francisco tem defendido. Só assim, Portugal aproveitará a realização em Lisboa e arredores de um dos maiores eventos mundiais.

Até para a semana!  Aqui.

 

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