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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

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Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

O 25 de Abril pôs fim a um dos piores períodos da História de Portugal

Zé LG, 26.04.23

Banner-Lopes-Guerreiro-300x286.jpg“Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo”. Foi desta forma que Sophia de Mello Breyner Andresen tão bem descreveu o 25 de Abril.

Efectivamente foi esta a madrugada que eu - e tantos outros da minha geração -, esperava há tanto tempo, desde logo para acabar com a angústia de saber se tinha de ir ou não à guerra colonial, guerra injusta, com derrotas anunciadas, que se arrastava há tempo demais, com mortos e estropiados e famílias destroçadas e um país isolado da comunidade internacional e decadente.

Mas o 25 de Abril foi muito mais ainda, foi o por fim a uma ditadura – o velho e decadente Estado Novo -, à polícia política e à libertação dos presos políticos, a instauração da liberdade e da democracia, a modernização dos costumes e o abrir as portas à luta por justiça social e a todos os sonhos reprimidos durante 48 anos.

 

O 25 de Abril não foi apenas um golpe de estado, para satisfazer questões profissionais e alterar o regime, o que já não era pouco. Foi mais do que isso, porque, no MFA – Movimento das Forças Armadas – havia muitos militares com formação e experiência política e, principalmente, porque a adesão do Povo foi espontânea, imediata e geral, naquilo a que se chamou aliança Povo – MFA, e que obrigou este a ir muito para além do que alguns pretendiam e desejavam.

No pós 25 de Abril surgiram claramente duas correntes: Uma que pretendia apenas a democratização do regime, com substituição de umas elites por outras, sem grandes mexidas nas estruturas do Estado, com mais ou menos algumas preocupações sociais; A outra, revolucionária, pretendia também mudar o sistema económico, avançando com nacionalizações das grandes empresas e propriedades agrícolas, facultando o acesso dos trabalhadores ao seu controlo e gestão, de forma a garantir uma mais justa repartição da riqueza produzida.

O confronto entre as duas correntes tornou-se inevitável no PREC – Processo Revolucionário em Curso -, com alguns momentos de tensão, que podiam ter provocado uma guerra civil, mas que, apesar de tudo, acabou por ser evitada, graças à intervenção de grandes figuras, cuja acção tem sido progressivamente desvalorizada.

Deste confronto resultou a vitória da primeira corrente, a que pretendia “apenas” a democratização do regime, o que levou a que no final da década de Setenta praticamente todas as empresas e propriedades nacionalizadas ou ocupadas pelos trabalhadores tenham sido devolvidas aos seus proprietários, sendo restaurada, na prática, a situação existente antes da revolução, incluindo o peso das mesmas famílias, quer na economia quer na política, nesta mais por interpostos representantes.

Apesar da revisão que alguns pretendem fazer da História, quer branqueando o Estado Novo, quer acusando o 25 de Abril por não ter conseguido as transformações necessárias a um maior desenvolvimento do País e a uma maior qualidade de vida das pessoas, o regime vigente antes do 25 de Abril foi mesmo uma ditadura, que prendeu e matou quem o contestava, e que manteve o País isolado, subdesenvolvido, com a esmagadora maioria dos portugueses na miséria.

Apesar de todos os ziguezagues e recuos que se têm registado e de todos os problemas, que não são poucos, o Portugal de hoje, quer em termos políticos, quer económicos, quer sociais, nada tem a ver com o País do Estado Novo. E se não evoluiu mais não foi por causa do 25 de Abril mas porque o 25 de Abril não foi cumprido nalguns dos seus desígnios, em especial, o da maior justiça social.

Importa, por isso, que os que viveram esses tempos tenebrosos, os recordem e expliquem aos jovens, para que estes tenham a informação do que foram esses 48 anos de ditadura e pobreza a todos os níveis e, para que dessa forma, eles possam fazer as suas opções, melhor informados, e não se deixem levar pelo canto da sereia, que pretende branquear um dos piores períodos da nossa longa História.

Viva o 25 de Abril! Até para a semana!

Pode ouvir aqui.

 

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