Não é a greve que prejudica o país. É a mentira. É a recusa em manter a palavra dada.
«Dizes que “um dia temos de pôr cobro a isto” - e achas que isso é liderança. Mas não é. Porque quem lidera não ameaça. Ouve. Assume. Cumpre. Tu não sabes - ou finges não saber. Não sabes o que é olhar nos olhos de quem trabalha e dizer, com verdade: “A palavra que demos mantém-se.” Não sabes o que custa manter o país em movimento. Turnos longos. Salários baixos. Vidas adiadas. Esqueceste que a democracia vive de confiança - não de conveniência. Que a força de um Estado reside no respeito, não na imposição. Gritaram com a greve na CP. Gritaram com comboios parados e adesão total. E tu, em vez de escutares, preferiste ameaçar. Mandar calar. Dizes que há que pôr cobro “a isto”. Mas “isto”, o quê? O direito à greve? A exigência de justiça? Ou o desconforto de seres confrontado com o que não cumpriste? Invocas a autoridade - mas esqueces a honra. Escudas-te na gestão corrente, depois de aprovares tudo… menos o que prometeste. A quebra não foi dos trabalhadores. Foi tua. Não é a greve que prejudica o país. É a mentira. É a recusa em manter a palavra dada. … Porque quando dizes que é preciso pôr cobro “a isto”, o que devias ouvir é: Esta não é uma luta de partidos. É uma exigência de decência. E essa, sim, não se negocia.» AC, aqui.
