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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

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Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

JORGE BARNABÉ CRITICA POLÍTICA DA CÂMARA DE BEJA E OPOSIÇÃO DO PS

Zé LG, 31.08.16

É O QUE NÃO É QUE MAIS INTERESSA!

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A intenção da Câmara de Beja de criar uma parceria com a Fundação de Serralves - uma das mais icónicas e prestigiadas instituições portuguesas ligadas à cultura e ao conhecimento - não é por si só um erro. Não o é! Pelo contrário. Assim se entenda o contrato que sustenta essa parceria e se justifique o dinheiro investido como mais valia para o nosso Concelho. (atrever-me-ia a dizer que se fosse eu até seria capaz de decisão parecida, embora corra o risco de alguns se convencerem que quero ser mais qualquer coisa que um cidadão).

O erro não está em algumas escolhas que o Presidente da Câmara faz, mas sim - e lamentavelmente - nas escolhas que não faz!

Ou seja:

- o problema não são as festas e os eventos (já o disse noutra ocasião) é a intenção de manipular os cidadãos com uma distração bacoca quando noutras áreas a autarquia pouco ou nada faz!;
- o problema não está no derrube do depósito para "reerguer" um templo e um centro de artes e de arqueologia (que já defendi, é de estrema importância para a diferenciação cultural e atractividade do nosso Concelho!), mas sim na prática autocrática que não permite escutar opiniões e até melhorar decisões!;
- o problema não está na deslocação do parque de campismo para uma zona de lazer comunitário, desajustado de uma estratégia/visão urbanística para as próximas décadas, está na limitação de uma visão que quer impor-se a si própria independentemente da assertividade!;
- o problema não está na construção de um palácio de justiça em zona habitacional e exterior ao centro da cidade, mas sim na demonstração de que não existe (para além das palavras ocas) a miníma noção das políticas e dos esforços necessários para revitalizar e repovoar o centro histórico!;
- o problema não está na incapacidade da CM Beja em assumir o Museu Rainha D. Leonor, como era sua responsabilidade. O problema é que usa o Museu como disputa partidária!

Mas voltemos à parceria com Serralves: dizia eu que não é um erro, poderia até dizer que é uma decisão acertada se tivesse acesso aos termos e às intenções dessa parceria. Desculpem-me mas parece-me que a argumentação dos custos dessa parceria é um pouco provinciana e desconhecedora da realidade de gestão das autarquias: o investimento numa área não implica necessariamente a abdicação de outra, sobretudo no que se relaciona com cultura e património onde incidem a maior parte dos apoios comunitários (capazes de sustentar uma estratégia cultural e turística coerente, inteligente e esforçada - não é o caso de Beja!).

Não é por investimento noutra parceria que a autarquia de Beja se vê inibida de poder investir nas associações, nos clubes, na programação e criação culturais: Não é não! É por opção! E esse é o erro crasso que podemos e devemos debater e criticar.
Aliás, como aqui expus, em todas as áreas o erro está no que não se faz. E porque é que não se faz? Por opção! Por critério da limitação da competência e por cansaço! Sim, o presidente da Câmara, que chama a si tudo e mais algumas coisa - revelando absoluta centralidade da governação e das opções - vive esgotado nas ideias, não tem chama que anime uma estratégia de desenvolvimento económico e social, nem cultural, nem social.

E por opção segue o caminho das coisas fáceis, cria o show-off que ilude e disfarça... nada mais do isto, infelizmente! Mas isso, repito, não quer dizer que algumas decisões estejam erradas, não estão. Estão apenas desgarradas, orfãs, famintas de mais qualquer coisa que não seja o capricho de governar com altivez!

E desculpem a insistência mas parece que já é tempo de levarmos as coisas a sério e sermos sérios nas coisas: quem quer governar também tem a obrigação e a responsabilidade de fundamentar e saber do que fala. Que isso de atirar areia para os olhos não é coisa exclusiva do actual presidente da Câmara de Beja. Leio por aí (refiro-me ao comunicado do PS - Beja) muita ligeireza e pouco conhecimento do que se fala. E isso é preocupante para quem queira ser candidato de alternativa!

Jorge Barnabé

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