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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

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"JÁ FALTA POUCO" ?

Zé LG, 04.07.17

A demolição do antigo Depósito de Água da Praça da República continua a dar que falar, pela polémica gerada e por algumas contradições nas notícias oficiais e oficiosas que têm sido produzidas. Aqui fica mais um texto de José Filipe Murteira sobre o assunto.

 

Património em Beja – apenas contradições ou dois pesos e duas medidas?

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1 - A demolição.
Desde janeiro que é um facto mais que consumado a demolição do depósito da água (eufemisticamente tratada em nota de imprensa da CMB de 25 desse mês como a conclusão dos “trabalhos de acompanhamento [!!!] do reservatório de água”).
As três fotografias mostram o local : as duas primeiras publicadas em 23 de janeiro e 12 de março na página https://www.facebook.com/arqueologiadascidadesdebeja/ , editada pela arqueóloga responsável pelos trabalhos no local, e a terceira, editada na página do FB da CMB, aquando da visita ao local do Ministro da Cultura, no dia 16 de junho.
Da observação das três fotos retira-se, desde logo, uma conclusão: o depósito não foi demolido na totalidade, já que são visíveis duas das sapatas que sustentavam os seis pilares que o suportavam.

Este facto levou a que, no período reservado ao “público”, na última Assembleia Municipal, tivesse colocado a questão se as sapatas iam ser ainda retiradas ou, caso se mantenham, como irão ser integradas num programa de musealização de um sítio onde predominam vestígios de várias épocas, nomeadamente o grande templo romano do séc. I. Fiquei, então, a saber que, na visita do ministro, a citada arqueóloga terá referido que as sapatas vão mesmo ficar. Aguardemos, então, pelo projecto que consiga realizar essa verdadeira “quadratura do círculo”, a coexistência pacífica entre duas construções com quase dois mil anos a separá-las.
Ainda sobre a demolição do depósito, outra dúvida (esta não colocada na AM): na nota de imprensa da CMB escrevia-se que “… foi possível dar a conhecer um conjunto de estruturas arqueológicas do período romano de grande dimensão e em bom estado de conservação…”. Ora, das notícias vindas a público, a única estrutura nova que a demolição pôs a descoberto foi “… um tanque ao nível da rua” que terá sido construído entre os anos 70 e 30 a.C… “ (segundo a arqueóloga, em notícia do Diário do Alentejo de 27 de janeiro).
Posto isto, para além da questão que coloquei na AM, outras se impõem :
1. Qual a importância real deste tanque/cisterna que, ainda segundo a arqueóloga serviria para “… distribuir água pública à cidade…” na época romana?
2. Para além dessa descoberta qual foi, na realidade, a mais-valia resultante da demolição do depósito?
3. Qual foi o custo desta obra?
4. Já existem projectos de musealização, quer para o Centro de Arqueologia, quer para o seu exterior?
5. Para quando a conclusão dos trabalhos e a abertura dos dois espaços (em conjunto ou separadamente)?
Ficam as perguntas, aguardemos pelas respostas. É claro que não compete à arqueóloga referida nesta publicação responder, mas sim ao executivo municipal, em particular ao seu presidente. A referência à responsável pelas escavações tem a ver com o facto de, na maior parte das vezes, ter sido ela a fazer declarações públicas sobre o tema.
Por exemplo, no artigo do DA dizia que "... abertura [do Centro de Arqueologia] está prevista para o final de março...". Esta data era ainda realçada no título da publicação do FB de 12 desse mês : "Forum da cidade romana de Pax Iulia. tudo a postos para que as obras terminem" e numa resposta à pergunta "Quando uma visita publica às escavações?" : "Já falta pouco."

José Filipe Murteira 

 

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