Foi-se o estado, continua a calamidade
Terminou no domingo o estado de calamidade decretado pelo Governo para fazer face às situações críticas provocadas pelas intempéries. Apesar de muitas autarquias terem reclamado o seu prolongamento por mais tempo o Governo não acedeu.
Quase setenta concelhos do centro do País e do Vale do Tejo e o de Alcácer do Sal foram drasticamente atingidos por uma forte tempestade e por grandes chuvadas que provocaram cheias, que inundaram campos e povoações e submergiram e destruíram diversas estradas, incluindo a A1, a autoestrada que liga o Porto a Lisboa.
O Governo subestimou a gravidade da situação e teve dificuldade em se aperceber das graves consequências do mau tempo.
Por isso, autarcas, líderes partidários e outras figuras públicas reclamaram tanto a declaração da situação de calamidade, porque esta permite a adoção de medidas excecionais de apoio às populações afetadas, como: prestação de apoios de emergência de bens de primeira necessidade, alojamento e cuidados de saúde; apoio às famílias das vítimas; reparação e reconstrução de infraestruturas e equipamentos municipais; medidas de contenção de impactos ambientais e de restauro do património; apoios financeiros, para a recuperação da habitação, do parque empresarial e automóvel e das explorações agrícolas.
E é por por estas medidas serem ainda necessárias e poderem ser prestadas de forma mais rápida, por ficarem dispensadas de algumas burocracias durante a situação de calamidade, como concursos e licenças, que muitas autarquias afetadas reclamaram o seu prolongamento por mais algum tempo, sem terem sido atendidas pelo Governo.
Esperemos que o Governo não tenha voltado a subestimar a realidade e não venha, com a sua recusa de prolongar o a situação de calamidade, a dificultar a capacidade de resposta rápida a situações de emergência que ainda não foram acudidas.
E, pior do que isso, se tal é possível, esperemos que o governo não volte a fazer com as vítimas destas catástrofes o que está a fazer com as vítimas dos incêndios, cuja maioria continua a aguardar os apoios urgentes que deveriam ter sido pagos pouco tempo após terem sido anunciados. Esperemos que o governo não fique mais uma vez pela generosidade dos anúncios dos apoios a quente e pela hipocrisia de não acudir às pessoas quando mais precisam dos seus apoios.
No meio desta dramática situação emergiram algumas figuras que, pela sua postura face à calamidade, à instabilidade, à incerteza, às pressões, souberam manter a compostura, a proximidade e tranquilizar as populações, reclamar ou anunciar medidas de apoio, sem se deixarem cair na demagogia ou no jogo do empurra. Entre outras, destaco Gonçalo Lopes, o presidente do Município de Leiria, Ana Abrunhosa, a presidente do Município de Coimbra, Maria da Graça Carvalho, a ministra do Ambiente e nossa conterrânea de Beja, e António José Seguro, enquanto candidato e já depois de eleito, tendo dedicado uma boa parte do seu discurso de vitória às populações atingidas e à necessidade dos apoios necessários lhes chegarem a tempo.
Mas o que, mais uma vez, veio ao de cima e fez toda a diferença nos primeiros apoios às vítimas foi a extraordinária solidariedade do Povo português. Perante a incapacidade revelada, mais uma vez, pelo governo e pelas empresas de eletricidade e telecomunicações, de reagir de imediato à catástrofe, à insensibilidade de alguns governantes, à tentativa de aproveitamento político da situação pelo candidato presidencial e chefe do Chega e do jogo do empurra de responsabilidades por parte de algumas figuras de partidos, o Zé Povinho, anonimamente, não esperou e chegou-se à frente prestando os primeiros socorros e apoios de toda a natureza aos que deles mais careceram. Não constituindo uma surpresa, o Povo português mostrou mais uma vez a sua fibra ao mobilizar-se no apoio aos que dele precisaram. Bem haja!
Até para a semana!
LG, 17/02/2026