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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

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EVENTUAIS IMPACTOS POLÍTICOS DOS RESULTADOS ELEITORAIS

Zé LG, 25.01.16

Sem pretender fazer futurologia nem sequer análise científica, para que não me encontro habilitado, deixo aqui algumas apreciações sobre os eventuais impactos dos resultados das eleições presidenciais que ontem se realizaram.

Para além de Marcelo Rebelo de Sousa, o eleito Presidente da República, António Costa poderá ser quem mais ganhou com estes resultados. Primeiro, porque viu implodir a oposição interna no PS, em resultado da desastrosa campanha e ainda piores resultdos de Maria de Belém, cujo único mérito, para a área que representava, foi impedir a segunda volta. Segundo, porque terá MRS "peado" face às repetidas declarações de tudo fazer para assegurar a estabilidade e a manutenção do governo até ao fim da legislatura.

Pedro Passos Coelho, que se viu obrigado a recomendar o voto em MRS, depois de  ter tentado afastá-lo da corrida classificando-o de cata-vento, poderá ser o líder partidário a sofrer as piores consequências da eleição de MRS. Primeiro, porque este não se esquecerá do que ele lhe fez, criando melhores condições para que surjam outros candidatos à liderança do PSD. E, em segundo lugar, pelo compromisso que MRS assumiu de tudo fazer para manter a estabilidade política e o governo.

Marisa Matias ganhou maior notoriedade, afirmou-se como um(a) dos principais líderes políticos, quer no BE quer no país e contribuiu para a consolidação do BE como terceiro partido e com margem de progressão. O BE soube aproveitar da melhor maneira a divisão do eleitorado do PS e a inviabilização de uma candidatura apoiada pelas esquerdas, provocadas pela candidatura extemporânia de Maria de Belém. O BE, se não entrar em euforias e conseguir evitar alguns dos piores erros dos partidos mais antigos, poderá vir a ser um caso sério no panorama político-patidário.

Jerónimo de Sousa, com os piores resultados de sempre devido à inflexibilidade de estratégia e táctica política manifestada pelo PCP, poderá ver a sua continuidade como secretário-geral posta em causa no próximo Congresso. E o PCP, a continuar na mesma linha, dificilmente recuperará os bons resultados (em função do contexto) alcançados nas últimas eleições autárquicas, europeias e legislativas. 

O CDS tudo irá fazer para cobrar de MRS a "recomendação desinteressada e empenhada" no voto na sua candidatura, aproveitando igualmente o afastamento de Portas para ultrapassar dificuldades de relacionamento pessoais.

Sampaio da Nóvoa, que fez uma campanha notável, saindo do (quase) anonimato para um resultado altamente meritório, sem apoios partidários, fez discurso exemplar na noite das eleições e constituiu-se numa importante "reserva da nação", podendo voltar à cena política pela porta grande se e quando quiser.

Uma última palavra para a situação financeira crítica em que algumas candidaturas poderão ficar, uma vez que apenas três - as que consegiram mais de 5% dos votos -, poderão contar com a subvenção estatal. E, neste aspecto, realço a candidatura de Edgar Silva, uma das que mais investiu e que nada irá receber, o que não deixará de gerar uma dificuldade acrescida no PCP na digestão dos resultados obtidos, por todas as consecuências que daí resultarão.

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