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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

“E já não terão ninguém para lhes mostrar solidariedade”

Um dia deixaram de te telefonar

E raramente te marcavam serviços de agenda

E tu pensaste que era por acaso

E que a direcção devia estar muito ocupada

 

Depois de ganhares o prémio 'Gazeta' pela segunda vez

Proibiram-te de fazer “grandes” reportagens

Porque a direcção tinha um entendimento do direito de autor

Diferente do teu e do sindicato

E tu pensaste que com o tempo tudo se resolveria

 

Depois tiraram-te o carro de serviço

E nunca mais te destacaram para cobrir eleições,

Visitas presidenciais ou edição de noticiários

E tu ainda deste o benefício da dúvida

 

Depois começaram a comunicar contigo apenas por email

A fazerem-te um pedido de trabalho por mês

E o director a ligar-te quatro vezes em quatro anos:

Uma (depois de almoço) a dizer que o teu trabalho estava uma merda;

Outra a dizer que a esponja do teu microfone aparecia suja na televisão;

e duas outras a dizer que estavas na lista para despedimento

E aí começaram a desaparecer as dúvidas

 

A não marcação de trabalhos, a falta de contactos,

O isolamento, a contínua discriminação, a ausência de meios

Só tinham um objectivo: a extinção do teu posto de trabalho

E a tua substituição por quem, custando menos, se sujeitasse mais

 

E já não havia mais espaço para ter dúvidas:

No rolo compressor do poder

Só interessa quem custa menos, se submete,

Quem tem medo

 

Mas um dia destes alguns dos que agora fazem as listas

Também serão postos em listas.

Um telefonema pela manhã dir-lhes-á que já não fazem falta,

Que o seu trabalho não justifica o salário,

Que há sempre alguém mais barato do que eles

 

E já não terão ninguém para lhes mostrar solidariedade

Porque os que ficarem serão sempre

 

Os que melhor se deixarem submeter.

 

(Parafraseando Maiakovsky , Niemöller , Brecht…)

Carlos Júliohttp://www.cincotons.com/2014/06/acerca-do-processo-de-extincao-de-posto.html#comment-form

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