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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

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Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

E, de repente, com a saída de Marta Temido do Ministério, os problemas da Saúde parecem ter acabado…

Zé LG, 28.09.22

Banner-Lopes-Guerreiro-300x286.jpgEste Verão aqueceu, como nunca antes, os confrontos das diversas corporações com a ministra da Saúde, Marta Temido. De repente, começaram a ser divulgadas dificuldades e impossibilidades de tratar doentes, principalmente nalgumas especialidades, em quase todos os hospitais. Ora nesta região ora naquela, ora neste hospital ora naquele, foram surgindo notícias com denúncias de problemas no Serviço Nacional de Saúde, todas elas convergindo na acusação da incapacidade de Marta Temido ser capaz de os resolver.

Entretanto, a divulgação de alguns casos de maior gravidade, incluindo o da morte de uma criança, com insinuações da responsabilidade a Marta Temido, levou esta a precipitar o seu pedido de demissão, apesar do inquérito feito ter concluído que a morte da criança não se deveu à falta de assistência.

Com a demissão de Marta Temido – uma defensora do Serviço Nacional de Saúde – e como por milagre, "acabaram” aquelas notícias e denúncias. De repente “acabaram” os inúmeros problemas nos diversos hospitais e demais serviços de Saúde. “Acabaram” as demissões e ameaças de demissões, “acabaram” as declarações de inúmeros profissionais e responsáveis de serviços de Saúde a declinarem a sua responsabilidade em eventuais problemas, por considerarem que não tinham condições para exercer com segurança as suas funções.

 

Mas, para que possamos perceber o que verdadeiramente está em jogo, importa lembrar o que alguns abutres do Serviço Nacional de Saúde, a começar dentro do PS, com Maria de Belém na primeira linha, como sempre tem acontecido, logo surgiram a afirmar que era necessário o governo aproveitar a oportunidade para abrir mais ainda o caminho aos grandes grupos privados da Saúde, procurando condicionar logo à partida a escolha do futuro ministro.

E assim, reacenderam o debate sobre o que deve ser o Sistema Nacional de Saúde, em confronto com o Serviço Nacional de Saúde, para nele tudo fazerem para albergar os grandes grupos económicos, numa fase em que estava a ser aprovada a regulamentação do Serviço Nacional de Saúde.

António Costa ainda tentou por alguma água na fervura, afirmando que a substituição não iria alterar a política de Saúde, porque quem define esta é o governo e o ministro deve aplicá-la, havendo naturalmente ajustamentos à sua aplicação em função do novo ministro.

Esta afirmação que não passa de uma evidência, provocou a reação imediata de alguns dos abutres de serviço que, quais profetas da desgraça, afirmaram que, assim sendo – mantendo-se a mesma política -, os problemas iriam continuar.

Face a tudo o que referi e sem escamotear os muitos problemas existentes no Serviço Nacional de Saúde, parece-me evidente o que aqueceu este Verão na área da Saúde.

Certamente que foram os diversos problemas surgidos em diversos hospitais e outros serviços de Saúde. Mas será que esses problemas não existiam antes? Não sabíamos todos que, com a concentração de quase toda a capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde na resposta à pandemia da COVID-19, se iam agravar os muitos problemas existentes e diminuir a respostas a quase todas as outras doenças? Então porque, de repente, de forma gradual e – porque não dizê-lo também -, concertada, nos foi apresentada uma situação catastrófica do Serviço Nacional de Saúde? A resposta parece-me evidente. Foi uma orquestração por parte dos que defendem que a Saúde é um negócio como qualquer outro, em que quem tem dinheiro compra bons serviços e quem não tem recorre ao Serviço Nacional mínimo de Saúde.

Ao explanar esta visão que tenho da guerra sem fronteiras que se trava entre os que defendem o negócio privado da Saúde e os que defendem o Serviço Nacional de Saúde predominantemente público, não deixarão os primeiros de me acusarem, como fazem a todos que defendem a maior conquista de Abril, de defender o Serviço Nacional de Saúde por razões ideológicas de Esquerda. Como se eles não defendessem o negócio da Saúde por razões ideológicas também, para além dos interesses económicos de alguns…

A afirmação feita por Manuel Pizarro, o novo ministro da Saúde, de que “A gestão privada dos hospitais já provou que funciona, deve continuar e até ser alargada” não deve deixar descansados os que, como eu, defendem o Serviço Nacional de Saúde público.

Antes de terminar e para que não restem dúvidas, devo esclarecer que a defesa do Serviço Nacional de Saúde, público, geral e gratuito, não exclui o envolvimento e a participação de privados, como aliás se verifica. O que deve prevalecer é o interese público e não a submissão aos interesses dos que dominam o negócio da Saúde.

Fiquem bem e com saúde, se possível. Até para a semana.

Crónica, de ontem, de Lopes Guerreiro, na Rádio Vidigueira.

 

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