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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Combater o despovoamento e a desertificação do Alentejo

Há muitos grandes investimentos em curso no Alentejo.

Uns são resultado da iniciativa privada, outros da responsabilidade do Estado e outros, ainda, de parcerias público-privado.

Uns são completamente nacionais, outros completamente estrangeiros e outros, ainda, integram as duas componentes.

Alguns já estão a ser concretizados no terreno, outros estão em projecto, em diferentes fases, e outros ainda estão em fase de pré-projecto.

Os PIN’s – Projectos de interesse Nacional, a revisão de PDM’s e de outros planos de ordenamento têm facilitado o aparecimento e aprovação de muitos desses projectos.

Muitos outros projectos poderiam já estar no terreno não fora o atraso, de mais de um ano, registado na entrada em funcionamento pleno do QREN e do Programa Operacional do Alentejo e na consequente aprovação de financiamentos.

Entretanto, se apreciarmos bem como esses investimentos são implantados no terreno e, depois, como são ou vão ser explorados concluiremos que as consequências para a dinamização da economia local, mas, principalmente, para a criação de emprego e uma maior justiça social na região não são tão significativas como se poderia esperar.

 

Veja-se o que se passa com as centrais solares ou a plantação de olivais, só para dar dois exemplos.

As centrais solares só ocupam meia dúzia de postos de trabalho, a maior do mundo ocupa duas dezenas.

Com os olivais passa-se, mais ou menos, a mesma coisa. Ainda na última campanha os espanhóis experimentaram uma máquina de apanha de azeitona que, sozinha com dois operadores, substitui duzentos trabalhadores.

Serão novos projectos inovadores e que acrescentem valor aos produtos regionais que poderão contribuir para aqueles objectivos.

É neste contexto que alguns projectos vindos a público ganham um maior impacto.

O papel que o CEBAL – Centro de Biotecnologia do Baixo Alentejo e Alentejo Litoral poderá desempenhar na investigação que leve à transformação de resíduos de produtos regionais em novas matérias-primas, que poderão gerar novas áreas de negócio de elevado valor acrescentado, e a eventual construção, em Alvito, de uma central de biomassa para aproveitar os resíduos do bagaço da azeitona para produção de energia, que já hoje é aqui tratado, podem ser apenas dois bons exemplos.

Projectos deste tipo e outros de micro e pequenas empresas e a entrada em funcionamento e, consequente, aprovação de financiamentos de projectos poderão contribuir mais para combater o despovoamento e a desertificação do Alentejo do que alguns daqueles projectos.

Naturalmente que se a gestão dos fundos comunitários for feita como no anterior Quadro Comunitário de Apoio, que deixou arrastar o tempo para só agora informar os agricultores e outros empresários da Serra de Serpa que os seus projectos de electrificação rural não vão ser financiados, a fixação das pessoas à terra, o desenvolvimento sustentado do mundo rural, o combate ao despovoamento e à desertificação do Alentejo, embora soando bem não passarão de expressões ocas e vazias de conteúdo.

Vamos ver se é desta que o Alentejo dá o salto para o desenvolvimento, que tanto ambicionamos, ou se, mais uma vez, vamos continuar a ser apenas terreno fértil para projectos muito interessantes mas que não contribuem para aquela justa ambição do povo alentejano…

Lido na Rádio Terra Mãe, em 20.03.2008.

 

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