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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

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Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

BOA EDUCAÇÃO OU FALTA DE FRONTALIDADE

Zé LG, 26.06.18

Assistimos, com demasiada frequência, a opiniões e discursos redondos, excessivamente cuidadosos na verbalização do que se pensa.

Não gosto disto. Prefiro a frontalidade na verbalização das convicções a (quase) esconder estas na “delicadeza” usada no verbo. Sempre assim procedi, tendo algumas vezes sido acusado de falta de educação para com os meus interlocutores, designadamente quando em funções de órgãos de soberania. Pouco me incomodou. Incomodava-me mais certamente se tivesse sido acusado de não defender os interesses do território e das populações de representei.

Vem isto a propósito de declarações de A. Lampreia, que não conheço, em defesa da Igreja Católica. Acho que ainda não concordei com nenhuma das ideias que tem defendido, no Diário do Alentejo, mas acho que faz bem em expressá-las de forma tão clara e com frontalidade, que rareiam no pouco debate que ainda se vai por aqui fazendo.

 

Na última edição do DA, A. Lampreia escreveu “Anda muita gente escandalizada porque a Diocese de Beja colocou na sua página do Facebook um apelo aos católicos praticantes (só a eles o assunto interessa) para que vigiem o sentido de voto dos deputados. Faz todo o sentido, pois os deputados devem representar quem vota neles, não podem andar a dizer uma coisa e fazer outra…

Ao chamar a atenção dos fiéis, a diocese não fez mais do que recordar algo básico: responsabilizar. Mas houve tantas reclamações que quem manda mandou apagar essa mensagem. Consta que ela desagradava ao avantajado deputado Pedro do Carmo (que se ufana de ser católico, mas votou a favor do “sim”) e ao seu “ajuda” em Beja, Paulo Arsénio(…).”

Espero ver Pedro do Carmo e Paulo Arsénio, directamente visados, responderem a este comentário bem como à posição que A. Lampreia tem defendido em relação ao uso do património da Igreja Católica reparado com grandes investimentos públicos.

Em minha opinião, se a Igreja Católica pretender usar o seu património, recuperado com investimentos públicos para que possa ter utilidade pública, apenas para as suas práticas, deverá devolver ao Estado o investimento que este fez.

Acho que posições como as que A. Lampreia e outros têm vindo a defender em relação a várias questões sociais e de consciência, ao arrepio das que o Papa Francisco tanto se tem esforçado por espalhar, contribuem para o afastamento de muita gente da Igreja Católica, fechando-a cada vez mais sobre si mesmo. Como não sou crente, durmo bem com isso…