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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

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Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Associação Ambiental receia que “situações como a da aldeia das Fortes se venham a multiplicar”

Zé LG, 17.12.19

42208840_2099139730400968_4388250768738615296_n.jpA Associação Ambiental dos Amigos das Fortes considera que a constatação de que “a capacidade estática de armazenamento das unidades de receção de bagaço de azeitona está “praticamente esgotada” coloca em evidência as fragilidades do modelo de desenvolvimento e exploração do EFMA, a ausência da aceitação de uma estratégia global equilibrada para o setor agrícola e para o EFMA tem provocado desequilíbrios estruturais, que já penalizam as comunidades e populações residenciais limítrofes, onde estão instalados os olivais e as unidades de receção dos bagaços e que não tem dúvidas de que se nada for feito, situações como a da aldeia das Fortes se venham a multiplicar à medida que acresce a pressão para aumentar a capacidade de laboração das unidades industriais de extracção do óleo do bagaço de azeitona, e a abertura de novas fábricas.

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Aos órgãos de comunicação social, agradecemos a divulgação da seguinte nota de imprensa.De acordo com alguma imprensa escrita (...) “a capacidade estática de armazenamento das unidades de receção de bagaço de azeitona está “praticamente esgotada”, o alerta é da CONFAGRI que prossegue afirmando que “as três grandes unidades de receção de bagaço de azeitona proveniente dos lagares que processam toda a azeitona produzida no Alentejo já têm grande parte da sua capacidade estática de armazenamento esgotada e que pode “(...) originar um verdadeiro caos ambiental ao não haver onde colocar aquele bagaço de azeitona”. IN: https://www.dinheirovivo.pt/economia/producao-de-azeite-podera-parar-alertam-cooperativas/

A Associação Ambiental dos Amigos das Fortes não pode deixar de considerar que esta constatação, não só coloca em evidência as fragilidades do modelo de desenvolvimento e exploração do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva (EFMA), que tem assentado na monocultura do olival sem que os organismos responsáveis olhem para o território, para as comunidades e para o necessário reforço dos serviços e equipamentos públicos, para além da necessária estratégia a desenvolver de fixação de agroindústrias amigas do ambiente que possam corresponder aos subprodutos originados por esta monocultura sem colocar em causa a sustentabilidade económica e ambiental.

A ausência da aceitação de uma estratégia global equilibrada para o setor agrícola e para o EFMA, pelos organismos competentes, tem provocado estes desequilíbrios estruturais, que já penalizam as comunidades e populações residenciais limítrofes, onde estão instalados os olivais e as unidades de receção dos bagaços.

A verdade é que o anunciado investimento de mais olival a qualquer custo sem olhar aos meios necessários que acompanhem este crescimento,está a vista de todos. Faltam mecanismos de regulação por parte do governo, modernização das vias rodoviárias (face ao volume de camiões em trânsito nas nossas vias), monitorização dos impactos da agricultura super-intensiva e das unidades de queima de bagaço de azeitona no território e nas comunidades, a ausência de dotação de mais recursos humanos na função pública (SEF, ACT, Escolas Públicas, SNS) face ao volume de imigrantes no nosso território e por fim a ausência de uma política de exploração agrícola familiar, sustentável e amiga do ambiente, compatível com a exploração latifundiária.

Não temos dúvidas de que nada se for feito, situações como a da aldeia das Fortes se venham a multiplicar à medida que acresce a pressão para aumentar a capacidade de laboração das unidades industriais de extracção do óleo do bagaço de azeitona, e a abertura de novas fábricas.

A AAAF acredita que existem alternativas e que atualmente é necessário apostar na economia circular e na tão proclamada transição ecológica e energética. Apostar num sector agrícola virado para os desafios do século XXI, modernizado e inovador, em que possa haver espaço para cadeias de produção ecológicas, multifuncionais e de proximidade, baseada em cadeias curtas e numa economia circular, como é a necessidade manifestada nas metas climáticas, e no que está exposto nos relatórios do IPCC e nas directivas da FAO.

Não será demais relembrar que aguardamos o cumprimento da Resolução da Assembleia da República n.º 279/2018 que recomenda ao Governo a adopção de medidas urgentes para acabar com o problema ambiental e de saúde pública relacionado com a laboração do bagaço de azeitona, em Fortes, Ferreira do Alentejo, e nos concelhos limítrofes que está por cumprir por parte de todos os eleitos e decisores políticos e para a qual é necessário fazer cumprir.

Ferreira do Alentejo, Fortes, 12 de dezembro de 2019

Para mais informações: Fátima Mourão –Associação Ambiental dos Amigos das Fortes -962 743 77