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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

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Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Aos que usam e abusam do politicamente correcto

Zé LG, 20.09.22

Banner-Lopes-Guerreiro-300x286.jpgDepois de alguns convites que, por uma ou outra razão, acabaram por não ter efeitos práticos, inicio hoje uma crónica semanal na Rádio Vidigueira, a convite do Marco Abundância, a quem muito agradeço. Aproveito para saudar todos os ouvintes da Rádio Vidigueira e em especial os habitantes deste concelho, de onde sou natural.

Este convite teve em mim um efeito agri-doce. Por um lado, é mais uma responsabilidade que me vai ocupar algum do pouco tempo livre de que disponho e obrigar-me a estar mais atento ao que se passa, tendo em conta que há já duas décadas que deixei a vida política activa, com excepção de uma ou outra intervenção pontual e da gestão do meu blogue, o Alvitrando. Por outro lado, a apresentação destas crónicas semanais vai contribuir para uma maior reflexão sobre alguns temas e sobre eles sistematizar melhor o meu pensamento crítico, que espero poderem ser algumas “pedradas no charco”, em que se encontra a nossa sociedade, particularmente na nossa região. Ouvir aqui.

 

Vivemos tempos complexos e difíceis, em que os líderes de muitos países não passam de capatazes dos grandes interesses económicos, tudo fazendo para nos impor um pensamento único do mundo, como se as políticas que nos impõem fossem as únicas e não tivessem alternativas.

A nível nacional, para além da obediência a esse pensamento único e das promessas de que a maioria eleitoral não iria contribuir para o uso e abuso do poder, estes poucos meses de governo de maioria absoluta já deu algumas mostras do poderá ser capaz de fazer.

E, finalmente, a nível regional é que o que vê – uma submissão total dos eleitos aos poderes nacionais, designadamente os da cor polícia do governo, que usam e abusam do politicamente correto, sem darem mostras de serem capazes de erguer a sua voz e de dar um murro na mesa sempre que os interesses regionais não estiverem a ser atendidos.

Ainda recentemente, alguns episódios mostraram a que nível de acomodação e silêncio se remeteram: O primeiro deputado e até há pouco tempo líder da distrital de Beja do PS, como forma de pressionar para que o Aeroporto de Beja possa ser mais potenciado, não encontrou melhor forma do que a de escrever uma carta à ANA – Aeroportos de Portugal…; Na reabertura da Piscina Descoberta de Beja, perante o silêncio do autarca local, foi Ceia da Silva que garantiu que, “Como presidente da Comissão de Coordenação eu exijo (...) que o Governo construa aquilo que falta da autoestrada (…) pelo menos até ao Aeroporto de Beja”; Perante a degradação da capacidade de resposta de serviços de saúde, o que têm feito os eleitos do partido do governo?

Todos nos lembramos das repetidas campanhas eleitorais em que tudo fizeram para condicionar o voto dos eleitores, garantindo-nos que o melhor era ter o poder local da mesma cor do poder central, para que este tivesse mais em conta as nossas necessidades e investisse mais na nossa região. Está à vista!...

Aos que usam e abusam do politicamente correcto, para não fazerem ondas e serem bem vistos “lá em cima”, ignorando as promessas solenes de servir os seus territórios e as populações que os elegeram, recordo as palavras que Miguel Torga escreveu sobre os alentejanos: “É preciso ter uma grande dignidade humana, uma certeza em si muito profunda, para usar uma casaca de pele de ovelha com o garbo dum embaixador.”

Até para a semana!

 

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