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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

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Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

A estória de um aeroporto arrancado a ferros que não querem que descole

Zé LG, 06.10.22

Banner-Lopes-Guerreiro-300x286.jpgHá uns trinta e cinco anos, a Câmara de Beja mandou elaborar o Plano Director Municipal e um Estudo de Desenvolvimento Económico do Concelho, que completasse aquele nestas vertentes.

Este Estudo apontou, pela primeira vez, o interesse em aproveitar as pistas da Base Aérea para a construção de um Aeroporto, aproveitando as óptimas condições orográficas, demográgicas, climáticas e de luz, que foram determinantes para a localização da Base em Beja. Poucos anos depois, o Plano Integrado de Desenvolvimento do Distrito de Beja, mandado elaborar pela Associação de Municípios do Distrito de Beja, não só confirmou como reforçou aquela proposta.

E assim, com base na fundamentação daqueles estudos, as autarquias, as associações empresariais, sindicais e sociais, os partidos a nível regional e outros actores regionais foram progressivamente convergindo na defesa da construção de um aeroporto em Beja. E, como “água mole em pedra dura tanto bate até que o fura”, o governo, perante as pressões, lá acabou por mandar fazer o projecto de construção do Aeroporto de Beja.

O projecto foi outra luta, com inúmeros ziguezagues na definição do que para que deveria servir. Ora era o transporte dos produtos produzidos na região, ora eram os turistas, ora a instalação de actividades ligadas à aeronáutica… Tudo serviu para ir empatando, como se todas estas funções não pudessem ser compatíveis, o que acabou, mais ou menos, por ser reconhecido. Depois foi a luta pelo financiamento, que, mais uma vez, depois de várias promessas lá acabou por ser garantido. Cerca de 35 milhões de euros, grande parte de fundos comunitários.

Passados mais uns anos e mais um sem número de atribulações, eis o Aeroporto de Beja concluído e inaugurado pelo então primeiro-ministro José Sócrates, que no seu discurso o classificou de internacional, tendo em conta as suas condições únicas para voos intercontinentais de grande porte.

Finalmente pronto a entrar em funcionamento e quando os Baixos Alentejanos se preparavam para poder usufruir das diversas potencialidades do Aeroporto de Beja, começa o para arranca, que se veio a agravar com a sua passagem para a alçada da ANA – Aeroportos de Portugal.

Com o progressivo esgotamento da capacidade dos aeroportos de Lisboa e de Faro, nova esperança surgiu de que finalmente o governo iria olhar para o Aeroporto de Beja, mais que não fosse como alternativa àqueles aeroportos nos períodos de esgotamento da sua capacidade. Mas não! Nem sequer nesta perspectiva...

Agora, o governo, com o acordo do PSD, decidiu avançar com um estudo de avaliação comparativa de diversas possíveis localizações do futuro aeroporto, designadamente Alcochete, Montijo e Santarém. Mais uma vez, Beja ficou de fora… até de um estudo. Porque não incluem Beja no estudo, para ver o que dá, se o próprio primeiro-ministro admitiu a possibilidade de incluir outras eventuais localizações naquele estudo?

António Costa sempre se tem manifestado contra Beja. Infelizmente não tem sido só em relação ao Aeroporto. Agora tem um aliado de peso Carlos Moedas, nosso conterrâneo. É bom que os mais distraídos se vão apercebendo de com quem não podemos contar.

Perante tudo isto, será tempo de baixarmos os braços? Não! É agora tempo de dos unirmos ainda mais e de reclamarmos, por todas as vias e usando todos os meios, para que o Aeroporto e a Base Aérea de Beja sejam incluídos naquele estudo. Se não o fizermos, não nos podemos queixar dos outros, dos que já sabemos que não podemos contar para nos ajudar. O tempo escasseia. Urge que todos os actores políticos, económicos e sociais convirjam nessa reclamação. É tempo de mostrarem do que são capazes em defesa da nossa região. O Aeroporto e a Base Aérea de Beja têm de ser incluídos naquele estudo.

Até para a semana!

Também pode ouvir aqui.

 

 

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