Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Lá como cá

Muito se fala na necessidade dos processos de desenvolvimento, aos vários níveis, serem mais equilibrados e justos, quer em termos territoriais quer sociais.

Há mesmo casos, como na vizinha Espanha, em que regiões mais atrasadas reivindicam do poder central o pagamento da dívida histórica de que se consideram credoras, porque o seu atraso se deve, em grande parte, às políticas nacionais.

Mas o que continua a acontecer, na maioria dos casos, seja em regimes democráticos ou em ditaduras, é o acentuar das desigualdades territoriais e sociais, ficando os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres, como diversos indicadores confirmam.

Os ricos e poderosos, sejam países, grupos económicos ou pessoas individuais, querem sê-lo cada vez mais, não permitindo uma mais justa distribuição da riqueza produzida.

E para manterem a sua situação de privilegiados recorrem a todos os meios ao seu alcance, que, como é evidente, são imensos, desde os mais refinados, como a “democrática” manipulação das opiniões públicas, até às mais violentas e prepotentes, como a utilização das chamadas “forças da ordem” ou a criação e utilização de grupos paramilitares, quando não têm suficiente controlo sobre aquelas.

É tudo isto que está a ser usado até ao limite nalguns países da América Latina, em que governos eleitos democraticamente pretendem alterar os processos de desenvolvimento em curso, tornando-os mais equilibrados através de uma mais justa distribuição da riqueza produzida.

É o caso da Bolívia em que os governadores das províncias mais ricas lideram uma revolta contra o governo central de Evo Morales, que pretende redistribuir os lucros do petróleo e do gás pelas regiões mais pobres do país.

É interessante apreciarmos as reacções de alguns governos da Europa e da América, acusando de falta de democracia os governos daqueles países.

Fingem ignorar que foram eleitos tão democraticamente como eles e que têm tanta, para não dizer mais, legitimidade como eles para introduzirem as alterações que contribuam para tirar os seus países do subdesenvolvimento para que foram atirados por governos anteriores, sempre apoiados por eles. 

É interessante, também, verificarmos que governos que persistem em manter e acentuar as desigualdades territoriais e sociais são democráticos e que os que se esforçam por combatê-las e promover a justiça social são anti-democráticos, na opinião do poder dominante vigente.

Tal como o uso da força e da violência ao serviço dos mais poderosos é considerada legítima enquanto que se for usada pelos excluídos é considerada terrorista, por esse mesmo poder dominante vigente.

Tudo fazem para transformar uma falácia numa lei irrevogável da história, ou seja, a afirmação de que sempre houve ricos e pobres e que sempre continuará a haver.

Mesmo que assim fosse sempre poderiam e deveriam os ricos ser menos ricos e os pobres menos pobres.

O que se está a passar num número crescente de países da América Latina merece um acompanhamento e uma análise diferentes das que costumam ser feitas quando o que neles está a acontecer acontece num ou noutro país isolado, como aconteceu no Chile de Allende ou com o nosso 25 de Abril.

O que está a acontecer na América Latina é o desenvolvimento de um movimento que tenta romper com a submissão às acções imperialistas dos Estados Unidos da América, que congrega cada vez mais países, mesmo em estádios diferentes, mas com muitos interesses comuns, que procura usar em seu próprio proveito as suas riquezas e, nalguns casos, distribui-las de forma mais justa.

É esta nova realidade que os analistas do costume parecem não querer ver e, muito menos, mostrar.

É evidente que não é um processo único nem uniforme. São vários processos (porque não dizê-lo?) revolucionários em curso, com tempos diferentes como diferentes são igualmente os meios com que podem contar e também diferentes serão alguns objectivos e os métodos para os tentar alcançar.

Como se costuma dizer, ainda a procissão vai no adro. Importa por isso estarmos atentos ao seu desenvolvimento e aos eventuais impactos na Península Ibérica, por força dos laços existentes.

E o Alentejo, como região mais atrasada e deprimida, devido, em grande parte, às políticas nacionais, tem razões acrescidas para estar atento e expectante ao que ali se está a passar…

 Lido na Rádio terra Mãe, em 17 de Setembro de 2008.

 

Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

Comentários recentes

  • Anónimo

    Comboio parado a 10 km de Beja. Continua a saga! Q...

  • Anónimo

    Uma leitura curiosa do J.Espinho.Algo incoerente e...

  • votante

    Pois eu vou votar, mas com a convicção que o meu v...

  • Anónimo

    Que os Baixo-Alentejanos votem CONTRA o Governo do...

  • Francisco Santos

    Para além de tudo isso a Maria Alice foi uma das p...

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds