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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Allentejo

Tal como o Algarve passou a Allgarve também o Alentejo já começou a ensaiar o Allentejo.

Esta semana, três anos depois da implosão das torres da Torralta e com a presença do ministro da Economia, que tutela o Turismo, Manuel Pinho, foi inaugurada a primeira fase do TroiaResort, um grande empreendimento turístico na Península de Tróia dos principais empresários do regime, Belmiro de Azevedo e Américo Amorim.

Além da requalificação de três edifícios de aparthotéis, o projecto envolve a construção de apartamentos e moradias turísticas, dois hotéis de luxo de cinco estrelas, uma marina, um centro de congressos, um centro equestre, campo de golfe e áreas de serviços.

"Com este projecto e outros que se lhe seguem, como a Herdade da Comporta ou Herdade do Pinheirinho, caminhamos para tornar Portugal numa potência mundial no turismo", garantiu Manuel Pinho, à margem da cerimónia de inauguração.

Depois do TroiaResort, seguem-se outros empreendimentos que se estenderão até Melides, que para a Quercus podem tornar o Litoral Alentejano numa "nova espécie de Algarve".

"Se por um lado é importante o desenvolvimento, por outro estamos, mais, perante um crescimento exponencial do betão junto à costa. E este projecto é apenas o primeiro passo", disse, ao Jornal de Notícias, Carla Graça, dirigente daquela associação ambientalista.

Esta situação poderá não se ficar pelo Litoral Alentejano. Pode-se estender também ao regolfo do Grande Lago de Alqueva. Ou seja, podemos vir a ter um Allentejo e um Allqueva. Tudo em grande…

É evidente que ninguém põe em causa a importância que o turismo tem para o PIB do país e como poderá contribuir para o desenvolvimento do nosso Alentejo.

Mas não nos podemos esquecer do que tantas vezes repetimos – que não queremos que o Alentejo se transforme num novo Algarve -, pelo que deveríamos aprender com os erros dos outros e transformar o atraso da região num potencial de desenvolvimento sustentado.

Não deveríamos pôr em causa o equilíbrio ambiental, uma das maiores riquezas do Alentejo, nem permitir o crescimento urbano desordenado, nem construir grandes massas de betão junto à costa nem muito menos quase dentro de água, limitando o acesso livre às melhores praias.

Ora, ao que parece, de todas estas ameaças ao que poderá ser a nossa “galinha dos ovos de ouro” apenas em relação ao ordenamento urbanístico dos empreendimentos turísticos tem havido alguma preocupação.

Quanto a outros aspectos – ordenamento do território, preservação da costa e do ambiente, garantia de acesso a todas as praias a todas as pessoas, dignificação e valorização dos novos postos de trabalho -, podem não estar a ser tão acautelados quanto a situação da região justificariam.

É cedo para assegurar que podem estar a matar a nossa “galinha dos ovos de ouro”. Mas é pertinente e oportuno estarmos preocupados e atentos ao caminho que está a ser seguido e aos seus reais impactos na região.

Há alguns sinais que não nos devem deixar descansados:

- A utilização dos famosos PIN’s para permitir a construção onde antes não era permitido, todos eles a favor de grandes empresários do regime, deste e do anterior;

- Facilidades processuais e de financiamento para os grandes empreendimentos e empresários, todas as dificuldades para os pequenos empreendimentos e empresários, que são os que maior sustentabilidade podem assegurar ao desenvolvimento regional;

- A hiper-ocupação da costa alentejana com grandes empreendimentos turísticos, quase sempre, fechados;

- Eventual falta de preservação dos ecossistemas naturais, como as dunas ou o sapal e o projecto para os golfinhos, ou o arranque indevido de azinheiras e sobreiros, que têm vindo a ser denunciados pelos ambientalistas.

Se não quisemos que o Alentejo se transformasse num novo Algarve será que vamos ter agora um Allentejo à semelhança do Allgarve?

Não será pela semelhança mas pela diferenciação que o desenvolvimento turístico do Alentejo terá o êxito que desejamos.

 

Lido na Rádio Terra Mãe, em 10.09.2008.

 

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