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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

O 25 de Abril e a Ovibeja

Assinala-se no próximo dia 25 o 34º aniversário da Revolução dos Cravos.

As duas gerações mais recentes já não sentiram o que era viver num regime ditatorial, que se manteve, durante 48 anos, no nosso país.

A minha geração foi a da transição.

Vivemos os últimos anos do fascismo, sentindo o que era a falta das mais elementares liberdades, participando ou vivendo na angústia de ter de participar numa guerra colonial sem sentido e com derrota marcada.

Vivemos intensamente o derrube do fascismo pelo MFA (Movimento das Forças Armadas), que nos fez respirar e viver a liberdade, o PREC (Processo Revolucionário em Curso), que nos permitiu acreditar na concretização da revolução socialista e no fim da exploração do homem pelo homem, e, finalmente, o processo contra-revolucionário, que abriu caminho ao regresso ao passado, principalmente à reconstituição dos grandes grupos económicos e à acentuação das desigualdades sociais.

Foi, e ainda continua a ser, interessante acompanhar o posicionamento e a evolução de muita gente.

Alguns dos que assumiram posições e praticaram actos mais radicais, prejudicando gravemente o processo revolucionário, apresentam-se hoje como se nada tivessem feito e como se sempre tivessem sido os principais guardiães das posições conservadoras e retrógradas que agora defendem.

São os “vira-casacas” ou “cata-ventos”, que pouco se importam com as convicções e a coerência, tendo como única linha de rumo cavalgar a crista da onda, seja ela qual for, desde que estejam no (ou próximos) do poder.

São os que acham que a esquerda e a direita são posicionamentos do passado, que já definiram o capitalismo como fim da história, que se situam e vivem do bloco central de interesses.

Felizmente que, mesmo quando as condições políticas são mais adversas, o Povo português mantém vivas a sua capacidade de indignação e disposição para lutar por um Portugal mais justo, livre e democrático.

 

Este ano a OVIBEJA assinala o seu 25º aniversário.

O maior acontecimento, que anualmente, se realiza no Alentejo, resultou do espírito de iniciativa de um punhado de homens, é a melhor demonstração de que, sem renunciar às posições de cada um, é possível fazer convergir vontades e criar coisas importantes, representa a esperança e a confiança num Alentejo mais próspero, mostra o que de melhor se faz por cá.

Mas não foi fácil de chegar à dimensão e à qualidade que atingiu nos últimos anos.

Foi necessária muita perseverança para vencer dificuldades, contrariedades e, principalmente, incompreensões.

Nem sempre nem todos foram capazes, ao longo destes 25 anos, de compreender a importância que a OVIBEJA tem para a promoção do Alentejo.

Ao longo destes anos, alguns preferiram ver para crer, outros preferiram destacar o que acham que está menos bem na Feira em detrimento do que tem de melhor e, outros, ainda, foram acompanhando a sua evolução e participando no seu desenvolvimento, com mais ou menos envolvimento.

O Povo, na sua enorme sabedoria, recebeu-a de braços abertos, sem reservas participou nela de forma crescente, apropriando-se dela e transformando-a na sua sala de visitas colectiva.

Este ano, a organização, e todos os que com ela colaboram, e a generalidade dos expositores estão a preparar a edição comemorativa dos seus primeiros 25 anos, com redobrado interesse e empenhamento, para que atinja um nível ainda superior ao que nos habituou nos últimos anos.

Certamente que a Cidade e a região de Beja saberão, melhor do que nunca, acolher a edição deste ano da OVIBEJA e todos os que nela participam, para que a grande feira que é seja também uma grande festa comemorativa dos seu 25 anos.

 

Nestas palavras alusivas ao 25 de Abril e, principalmente, à OVIBEJA evoco, com saudade, a figura do Dr. Manuel Madeira, falecido há pouco mais de um ano, que foi um dos criadores da grande feira do Alentejo e um dos que mais contribuiu para o ambiente que nela se respira.

19.03.2008

 

Publicado na Revista Mais Alentejo nº 81

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