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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

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Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Sentido de Estado

Zé LG, 16.03.08

Por sentido de Estado entende-se o comportamento dos que exercem funções nos órgãos de soberania e no aparelho do Estado.

Deles se espera um comportamento acima da disputa político-partidária, quando no exercício das suas funções.

Naturalmente que, pelo exercício daquelas suas funções, não ficam diminuídos dos seus direitos de cidadania, mas espera-se que exerçam o direito e o dever de reserva com equilíbrio, não devendo, por isso, envolverem-se na disputa político-partidária e, muito menos, alimentar conflitos institucionais.

Infelizmente não é isso o que sempre acontece, registando-se, com alguma frequência, intervenções de detentores de cargos do Estado, que, no exercício das suas funções, agem como se fossem apenas dirigentes partidários, despidos das responsabilidades do Estado.

Assim aconteceu algumas vezes com o Governador Civil de Beja, o General Manuel Monge, que, ainda por cima se apresenta como independente.

Aqui há algum tempo, quando da criação do Movimento em defesa do Baixo Alentejo e Alentejo Litoral – BAAL 21, o Governador Civil de Beja não só não aceitou integrá-lo como o acusou de ser uma criação do PCP e os que nele se integraram de ser dominados por aquele partido, o que gerou uma enorme indignação nalguns deles, que nada têm a ver com o PCP.

Para o Governador Civil de Beja, tudo o que é movimento tem origem no PCP e é por ele controlado. Tal atitude mostra não só o seu anti-comunismo mas também o seu reconhecimento pela actividade que o PCP desenvolve na região.

Agora, a propósito de uma polémica gerada em torno da cedência do autocarro da Câmara Municipal de Beja ao Sindicato dos Professores, para estes participarem na sua marcha da indignação, o Governador Civil de Beja veio à liça “lamentar-se” da falta de igual “benevolência” em relação a pedidos que fez para iniciativas do Governo Civil.

Tal insinuação parece não corresponder exactamente à verdade, a crer na informação da Câmara Municipal de Beja que esclarece que tal não aconteceu devido a avaria do autocarro, conforme foi, na altura, justificado e foi, agora, demonstrado documentalmente.

Mas, como parece evidente, a polémica do autocarro foi apenas um pretexto para, mais uma vez, o Governador Civil de Beja inventar um conflito com a Câmara Municipal de Beja.

Importa, entretanto, lembrar que o recém-eleito líder da Comissão Política de Beja do PS é assessor do Governador Civil de Beja e que o seu chefe de gabinete anunciou a sua candidatura aquele cargo, para, pouco depois, desistir com os outros candidatos, incluindo o anterior líder, em favor da candidatura única do novo líder.

Tudo isto parece indiciar um interesse especial do Governador Civil de Beja pelo concelho de Beja e, principalmente, pela Câmara Municipal de Beja.

Importa ainda lembrar que, também, o reeleito presidente da Comissão Política de Castro Verde do PS é assessor do Governador Civil de Beja.

Se a tudo isto juntarmos a proximidade pública do Manuel Monge com o líder distrital do PS, Pita Ameixa, o Governo Civil de Beja começa a parecer-se com uma comissão eleitoral do PS.

Tendo em conta que é aos governos civis que compete o controlo dos processos eleitorais, a situação do Governo Civil de Beja deixa muito a desejar em termos da transparência e isenção que tais processos devem ter.

De facto, o sentido de Estado, de que falámos no princípio, parece não ser o que melhor caracteriza Manuel Monge, enquanto Governador Civil de Beja, pelo menos nos casos que referi …

 

Lido na Rádio Terra Mãe, em 13 de Março de 2008

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