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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Fartos de politiquices e de politiqueiros…

Zé LG, 25.02.08

Registaram-se, nos últimos dias, dois acontecimentos que revelam bem a postura do governo e da administração central.

Na semana passada, perante a denúncia do estado de conservação das muralhas de Évora, onde se acumula lixo e nasceram ervas e uma figueira, o Director Regional da Cultura do Alentejo emitiu um comunicado a informar que a responsabilidade da situação é da Câmara Municipal de Évora.

Na passada Terça-Feira, perante as cheias e inundações registadas na Área Metropolitana de Lisboa, o ministro do Ambiente afirmou publicamente que a responsabilidade da situação é das câmaras municipais.

Isto é, sempre que é confrontado com os problemas do país, o governo atira as responsabilidades para outros – para a União Europeia, para os governos anteriores ou para as autarquias locais.

Os responsáveis da administração central, imitando o governo, repetem “a voz do dono”.

Não mostram qualquer sentido de estado, respeito institucional e, muito menos, qualquer sensibilidade social perante as adversidades.

O que lhes importa, nessas alturas, é “fugirem com o rabo à seringa” e “sacudirem a água do capote”, mesmo que, nalguns casos, molhem correligionários, como aconteceu agora com os casos das muralhas de Évora e das cheias e inundações.

Tal como o primeiro-ministro afirmou, numa tentativa de atenuar o impacto das declarações do ministro do Ambiente, o que importa, perante os desastres naturais, é encontrar as melhores soluções para atenuar as suas consequências.

Naturalmente que importa apurar responsabilidades e responsabilizar os responsáveis mas tal deve ser feito com bom senso, oportunidade e escolhendo a forma adequada de tratar com as partes envolvidas.

É óbvio que nem o ministro nem o director regional mostraram perceber isso, mostrando, pelo contrário, não estarem à altura dos acontecimentos.

Em qualquer dos casos teria sido pertinente que, quer o ministro quer o director regional, tivessem tido em consideração que estavam, com as suas declarações, a por em causa órgãos eleitos, o que eles não são.

O que as pessoas querem é verem os problemas resolvidos, pouco lhes interessando assistir a guerras de competências ou falta delas.

Por isso, esses conflitos deveriam ser resolvidos em diálogo entre as instituições e sempre numa perspectiva de cooperação e de serviço público às comunidades.

Entre a política e a politiquice alguns preferem a politiquice e depois dizem, como se nada tivessem a ver com isso, que as pessoas não ligam à política.

As pessoas estão é cada vez mais fartas de politiquices e de politiqueiros…

 

Lido na Rádio Terra Mãe, em 21 de Fevereiro de 2008