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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

A paisagem alentejana está a mudar

A paisagem alentejana está a ser bastante alterada.

Primeiro foram as florestações de grandes áreas de montados de azinheiras e sobreiros, para além de outras espécies.

Depois foram as plantações de vinhas e de olivais, para além de alguns pomares.

São também as horto frutícolas a aproveitar melhor alguns regadios existentes ou criados de novo.

As infra-estruturas do empreendimento de fins múltiplos de Alqueva – a construção das barragens de Alqueva e de Pedrógão, para além de outras mais pequenas, e o enchimento das respectivas albufeiras bem como os canais e outros meios adutores de água – quer durante as respectivas obras quer depois no seu aproveitamento, estão a provocar movimentações nas zonas de intervenção e também alterações profundas na paisagem.

Também os inúmeros empreendimentos turísticos previstos principalmente para o litoral alentejano e para o regolfo de Alqueva mas também para muitos outros locais ajudarão a mudar a paisagem do Alentejo.

Não podemos ainda esquecer as alterações que os projectos de energias renováveis – solar e eólica – irão trazer também à paisagem na nossa região.

E, ainda, as alterações provocadas por outras infra-estruturas rodoviárias, ferroviárias e aeronáuticas.

Qualquer fotografia aérea tirada hoje mostra como o Alentejo está diferente do que era há dez ou quinze anos e outra que for tirada daqui a cinco ou dez anos mostrará ainda melhor essas alterações, que se irão acentuar mais com o desenvolvimento das obras em curso e a entrada em funcionamento dos novos blocos de rega e consequentes regadios.

Estas serão as alterações mais visíveis, porque são físicas e irão perdurar no terreno durante algum tempo.

Outras alterações contudo irão também registar-se, as que se prendem com as novas actividades desenvolvidas nesses ou em consequência desses investimentos.

Mas a grande questão que se coloca é a de saber até que ponto todos estes empreendimentos vão alterar, para além da paisagem física, a paisagem humana. Ou seja, em que medida vão ser capazes de atrair e fixar pessoas e que tipo de pessoas.

Julgamos que para que tal aconteça importa, para além de produzir novos e mais produtos, acrescentar-lhes o máximo de valor, através da transformação, da conserva, da embalagem, do marketing e da comercialização.

Só assim será possível não só criar mais postos de trabalho mas mais qualificados.

O Alentejo ainda não parou de perder população e, apesar de todos esses empreendimentos continua com a mais alta taxa de desemprego não só nos mais idosos e com menos habilitações escolares como também, desde há alguns anos, nos jovens com mais formação.

Esta situação resulta de sermos poucos e, por isso, incapazes de fazer face a alterações mais ou menos bruscas e aos impactos de empreendimentos com alguma dimensão.

Importa, por isso e para aproveitar a “nova era de desenvolvimento”, que as instituições com responsabilidades no planeamento, no ensino e formação profissionais, na gestão do emprego, entre outras, preparem o terreno para que os alentejanos e os que optem por aqui trabalhar possam aqui fixar-se e manter-se.

Importa nunca esquecer que o desenvolvimento se faz com as pessoas e para as pessoas.

 

Lido na Rádio Terra Mãe, em 15 de Fevereiro de 2008

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