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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

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Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Neoliberalismo e corrupção

Zé LG, 12.02.08

Resolvi abordar, hoje, dois temas que, apesar de serem de âmbito mais vasto, porventura universal, também revelam o que se passa no Alentejo, principalmente se tivermos presente que se trata de uma das regiões com maiores desigualdades sociais.

Os temas que escolhi são os do neoliberalismo e da corrupção, tão presentes no debate político nestes últimos tempos.

“O sistema neoliberal está podre. A economia de casino dos off-shores e das roubalheiras só trouxe desastres e escândalos. É preciso mudá-la!”, escreveu, com precisão certeira, Mário Soares, na última edição da revista Visão.

E não se ficou por aqui, ainda teve o à vontade suficiente lembrar Strauss-Khan, director executivo do FMI, que disse, recentemente, em Davos que “o pior está ainda para vir e que a conjuntura é de grande gravidade”, reconhecendo, por isso, que “Não se pode apenas depender de políticas monetárias para responder ao abrandamento económico”, pelo que “É preciso deixar crescer os défices”, para desenvolver políticas sociais e ambientais, no que foi acompanhado pelo presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick.

E, mais uma vez com o seu característico à vontade, para não lhe chamar outra coisa, Mário Soares concluiu que é pena que só agora tenham chegado a tais conclusões.

É caso para lhe perguntar há quanto tempo chegou ele a essas conclusões…

Até há bem pouco tempo essas eram posições, classificadas de irresponsáveis, defendidas apenas pelos comunistas e outros sectores da esquerda a sério.

Agora até os responsáveis das mais insuspeitas instituições financeiras do capitalismo se viram obrigadas a reconhecerem o óbvio.

Mas a crise do capitalismo não é apenas financeira, porque, e socorro-me mais uma vez das palavras de Mário Soares, “o neoliberalismo entrou em descrédito irremediável e a globalização selvagem, com as desigualdades a crescerem em flecha, …”

Ou seja, parece que começam a compreender que o capitalismo não é o fim da história.

 

Outro assunto colocado no centro do debate público é o da corrupção.

O tema ganhou outro impacto depois das recentes afirmações públicas do novo bastonário da Ordem dos Advogados, António Marinho Pinto.

O homem limitou-se a afirmar o que é por demais evidente, ou seja, há muita gente que tem enriquecido muito sem que para tal se encontrem razões razoáveis, passe o pleonasmo.

Perante tais afirmações, que chamaram a atenção para a evidente necessidade de cumprir a legislação aplicável e de fazer nova legislação e de tomar as medidas adequadas aos escândalos de corrupção e de enriquecimento sem justa causa, que atentam contra os valores mais nobres da República, como reagiram os responsáveis das principais instituições nacionais?

A generalidade deles mostrou porque estão tão descredibilizadas essas instituições – fazendo-se desentendidos, como se de virgens puras se tratassem, reagiram dizendo que se o bastonário tem conhecimento de casos concretos de corrupção os deve comunicar a quem tem competência para os investigar e julgar.

Ora, o que Marinho Pinto fez, como muito bem clarificou, foi criticar o regime e as suas instituições por permitir que tais situações aconteçam impunemente.

Pretender que ele indique nomes de pessoas ou casos concretos, como muitos têm reclamado, incluindo, pasme-se ou talvez não, muita da comunicação social, é querer que nada de novo aconteça e que esta onda de choque passe, para que tudo continue na mesma e a sorrir aos mesmos de sempre.

É a cultura do “Chico esperto”, que tão promovida tem sido, a manifestar-se no seu melhor.

E assim vai a República, 100 anos depois do regicídio…

Lido na Rádio Terra Mãe, em 7 de Fevereiro de 2008

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