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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

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Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

A festa da democracia

Zé LG, 02.02.08

O País habituou-se a ouvir o primeiro-ministro José Sócrates dizer que é a festa da democracia sempre que é confrontado com alguma manifestação popular de descontentamento face à sua governação.

Foi isso que aconteceu, mais uma vez, no fim-de-semana passado, em Évora.

Depois de anunciar um Alentejo novo, foi recebido, à entrada da Arena de Évora, por uma manifestação de dirigentes e activistas sindicais e de movimentos populares, que reclamavam por aquilo a que julgam ter direito.

Logo a seguir, já no interior daquele recinto, foi brindado com assobios e apupos de uma boa parte das pessoas que ali se deslocaram para presenciar mais uma cerimónia de entrega de diplomas e computadores a formandos das “Novas Oportunidades”.

Em reacção a essas manifestações, José Sócrates, com um sorriso forçado que não escondia o seu agastamento, disse que já estava habituado a elas e que não iria, por isso, mudar a orientação das suas políticas.

E acrescentou, como tem repetido um pouco por todo o lado, que essas manifestações representam a festa da democracia.

Estes factos parem indiciar que José Sócrates tem uma visão muito limitada do que é a democracia.

A democracia, sendo o governo da maioria, tem de respeitar igualmente as minorias, as oposições. Caso contrário tenderá a descambar em ditadura, mais ou menos formal mas real.

A festa da democracia, ao contrário do que José Sócrates considera, deve ser a construção de uma sociedade mais justa, com menos desigualdades, com a dignificação das pessoas através da satisfação das suas necessidades.

A festa da democracia deve ser também o respeito pelos eleitores, através do cumprimento das promessas eleitorais, e a governação para as pessoas e com as pessoas.

A festa da democracia não pode ser limitada àquilo que Sócrates considera ser o folclore.

A festa da democracia deverá ser também o reconhecimento e a correcção dos erros de algumas políticas e práticas do governo por parte do primeiro-ministro, que deverá estar mais atento e avaliar melhor as manifestações de desagrado que se têm intensificado.

A festa da democracia tem que ser feita para as pessoas e com elas, todas elas e não apenas as mais privilegiadas. Quando tal acontecer certamente as manifestações serão diferentes das, que hoje, tanto incomodam e perturbam o primeiro-ministro.

 

Lido na Rádio Terra Mãe, em 31 de Janeiro de 2008