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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

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Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Feiras são importantes para a dinamização da economia

Zé LG, 11.11.07

Há alguns anos atrás, era frequente ouvir-se dizer que as feiras estavam em vias de extinção.

Sempre contestei essa visão, porque me parecia que o que iria acontecer era precisamente o contrário, ou seja, que iriam aparecer mais feiras e que teriam uma cada vez maior dinâmica.

A evolução do comércio, nas suas diferentes formas, parecia confirmar aquela visão mais pessimista.

Só que, como em tantas outras situações da vida, a dinamização de sectores de actividades não implica obrigatoriamente o enfraquecimento e a destruição de sectores concorrentes, contribuindo, antes pelo contrário, para a sua dinamização.

Para que tal aconteça é necessário que, perante essas ameaças, os sectores postos em risco sejam capazes de se adaptarem aos novos tempos, encontrando as melhores formas de os enfrentar com sucesso.

É isso que está a acontecer, incluindo com as feiras tradicionais, e que não aconteceria se, com todas as evoluções que se têm registado no mundo, as tradicionais feiras mantivessem as mesmas características de sempre, como se nada tivesse mudado.

Face às novas formas de comércio, designadamente as grandes superfícies, a terem disponível para venda tudo a todo o momento, fez com que as feiras tradicionais deixassem de exercer algumas das suas ancestrais funções.

Foi, por isso, que essas feiras foram ganhando novas componentes, como actividades de animação, colóquios, mostras de actividades económicas, transformando-as em eventos mais modernos e atractivos a públicos mais diversos.

Entretanto foram surgindo e desenvolvendo-se as feiras temáticas e de negócios.  

As feiras representam uma das principais e mais eficientes manifestações de markting, não sendo, por isso, de admirar que constituam uma das actividades económicas que movimenta mais dinheiro, a nível mundial.

As feiras, com tudo o que incluem desde a sua organização até à participação nelas, têm vindo, também por isso, a evoluir para uma crescente profissionalização.

A nível nacional e da nossa região, em particular, apesar do desenvolvimento que têm registado, existe ainda um enorme potencial de crescimento do sector.

Estas realidades nem sempre são tidas na devida conta por todos os que tomam decisões sobre a sua criação e organização ou a participação nelas.

Não basta ter um parque, por melhor que seja, para que as feiras, nomeadamente as temáticas e de negócios, principalmente se se pretende que tenham impacto que ultrapasse os níveis concelhios e regional, surjam e se afirmem.

É necessário muito mais, designadamente investimento inicial e profissionalização.

Sem isso dificilmente se pode esperar que, numa região em contínuo processo de despovoamento e desertificação, que o sector se afirme e ganhe condições para que se torne viável e rentável e, desejavelmente, autónomo.

Ou seja, é desejável que as autarquias invistam na criação de parques e na organização de feiras, pela importância que o sector tem para a dinamização da economia, mas será igualmente importante que criem ou apoiem a criação de estruturas autónomas que assumam progressivamente essa actividade, que se enquadra, claramente, na esfera empresarial.

É certo que a actual situação crítica que o nosso país e a nossa região, em particular, atravessam não facilitam a tomada de determinadas decisões, principalmente se exigem investimentos, mas não é menos certo que as decisões tomadas e os investimentos feitos nestas alturas terão maiores impactos no futuro e estes serão tanto melhores quanto as decisões e os investimentos forem os mais acertados.

 

Lido na rádio Terra Mãe, em 09.11.2007.