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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

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Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Política não deve ser só aritmética

Zé LG, 15.10.07

Como é habitual, já começou o nervosismo pré-eleitoral, designadamente dos que menos confiança têm em alcançar os seus objectivos.

Naturalmente que é demasiado prematuro a meio do mandato, a dois anos ainda das eleições autárquicas, alguém pretender definir o quadro em que as mesmas vão decorrer, escolher candidatos e, mais ainda, prever resultados e vencedores.

Mesmo as sondagens e outros estudos de opinião que se façam neste momento para pouco mais servirão do que para dar indicações sobre como conduzir a segunda parte do mandato ou como fazer para construir alternâncias ou alternativas. Tudo o que vá para além disso é entrar no campo da adivinhação.

É altura de alguns “lançarem o barro à parede para verem se pega”, quer seja porque têm interesses partidários ou por interesse pessoal.

Nessa ânsia de anteciparem o futuro é frequente alguns “queimarem logo todas as munições” de que dispõem e, a partir daqui, “ficarem a ver os comboios” passarem.

 

Foi neste quadro, que o PS, pela boca de Paulo Arsénio, líder da sua concelhia de Beja, “deu um tiro dos pés”, ao afirmar, no programa “Conselho de Opinião” da Rádio Pax, que entre manter a CDU na Câmara de Beja ou avançar com uma coligação com o PSD nas próximas autárquicas prefere a coligação.

No seu estilo característico de “falar mais depressa do que pensa”, nem se apercebeu que, com essa afirmação, estava a reconhecer a incapacidade do PS sozinho conseguir ganhar a Câmara de Beja.

Não contente com isso, logo surgiu, o não menos agitado, António Saleiro a falar de cátedra, aparentando pairar sobre o PS, a garantir que não é admissível uma coligação entre o PS e o PSD para a Câmara de Beja, porque os dois partidos são opositores e alternantes no poder central, mas que a CDU poderia ser afastada da Câmara de Beja por uma lista de independentes, com o apoio encoberto daqueles e, eventualmente, de outros partidos.

A ambição, de um e de outro, é tamanha que não lhes permitiu ver que, dessa forma, se Paulo Arsénio abriu a cova António Saleiro enterrou, a dois anos de distância, a possibilidade do PS ganhar as eleições para a Câmara de Beja.

Ou não viram ou quiseram “lançar a escada” para outras hipóteses porque já perceberam que, através do seu partido, não vão lá.

Não é de admirar que assim seja, de tal forma o PS ficou desestabilizado em Beja, com mais uma derrota eleitoral, e esta por maior margem, nas últimas eleições autárquicas, agora acentuada com a demissão de um dos seus vereadores, presidente da concelhia aquando daquelas eleições, que agora aceitou um pelouro e meio tempo na vereação da Câmara.

 

Paulo Arsénio e a concelhia de Beja do PS, a que preside, estão, de facto, a mostrar que não têm capacidade para gerir, satisfatoriamente, as crises que criaram, com as escolhas que fizeram, e resolveram “dar saltos em frente” e “tiros nos pés”.

António Saleiro, que estava a mostrar alguma habilidade na gestão de expectativas, através de um aparente distanciamento dessas “guerras”, não conseguiu, agora, conter-se e saltou para o palco, mostrando os seus objectivos, ou seja, que pretende ser candidato à Câmara de Beja e que, como tal parece não ser possível numa lista do PS, está disponível para, a partir da Associação Comercial a que preside, encabeçar uma lista de independentes.

Outros putativos candidatos, do PS ou independentes da sua área, ficaram contrariados, porque as hipóteses de serem candidatos ficaram baralhadas e as de serem eleitos, com maioria, começam a ser uma miragem.

O PSD não sabe se há-de rir ou chorar. Por um lado, alguns ficaram satisfeitos pelo facto do PS reconhecer que precisava do PSD para afastar a CDU da Câmara de Beja. Outros, mais ambiciosos, não gostaram do PS ter transformado o PSD apenas em muleta necessária para aquele fim. Ainda por cima, depois das eleições directas do novo líder nacional, Luís Filipe Menezes, e em vésperas da realização do congresso nacional em que vão ser eleitos os novos dirigentes nacionais, ninguém se atreve a dizer seja o que for que os possa comprometer, a não ser os que não contam para essas contas.

Finalmente, a CDU reúne com as populações através do “Município Participado”, gere a Câmara, e o silêncio, que lhe interessa de sobremaneira, enquanto assiste a estas lutas fratricidas dos seus adversários.

 

“Tudo isto é triste, tudo isto é fado” – apetecia-nos dizer se não fosse tão grave.

A meio do mandato autárquico, a dois anos das próximas eleições autárquicas, em vez de críticas sustentadas e propostas alternativas e, se possível, inovadoras para o futuro do concelho, assistimos a este espectáculo.

A política é reduzida a aritmética e esta apenas à soma – o que é preciso somar para alcançar e manter o poder.

Poucos dias depois das comemorações do nonagésimo sétimo aniversário da instauração da República, seria desejável um maior respeito pelos ideais e princípios republicanos.

 

 

Lido na rádio Terra Mãe, em 11. 10. 2007

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