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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

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Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Francisco Felgueiras faleceu há dez anos

Zé LG, 23.02.07

Francisco Felgueiras faleceu há dez anos, no dia 22 de Fevereiro, três dias depois do seu aniversário. Hoje faria 60 anos.

A Revolução dos Cravos apanhou-o quando ele trabalhava numa seguradora, na margem sul da grande Lisboa.

Com a nomeação de Brissos de Carvalho para Governador Civil de Beja, logo a seguir a 25 de Abril de 1974, Francisco Felgueiras foi nomeado seu adjunto.

Foi assim que veio para Beja. Aqui, no exercício daquelas funções, acompanhou os processos de criação do Sindicato dos Trabalhadores Agrícolas e da Reforma Agrária.

Em 12 de Dezembro de 1976, nas primeiras eleições livres e democráticas do Poder Local Democrático, foi eleito presidente da Câmara Municipal de Cuba, cargo que exerceu durante dois mandatos e lhe granjeou grande simpatia junto da população daquele concelho, onde foi enterrado.

A seguir foi eleito presidente da Câmara Municipal de Ourique, que arrebata ao PSD, exercendo o cargo durante um mandato.

Mais tarde, trabalhou na Associação de Municípios do Distrito de Beja (AMDB, hoje AMBAAL), de que foi um dos seus fundadores e primeiros dirigentes, quando presidente da Câmara Municipal de Cuba.

Finalmente, foi presidente da Região de Turismo da Planície Dourada, que ajudou a criar. Foi, neste período, que perdeu a vida num acidente de viação, junto aos Coitos, perto de Beja.

Conheci Francisco Felgueiras algum tempo depois de ter vindo para Beja, mas foi, a partir de 1989, quando fui eleito presidente da AMDB, que com ele passei a privar e nos tornámos amigos.

Trabalhámos íntima e intensamente na AMDB, onde eu era presidente e ele administrador-delegado, e na Região de Turismo da Planície Dourada, onde eu, também, era presidente e ele vice-presidente, substituindo-me frequentemente nestas funções e tendo-me substituído definitivamente quando renunciei ao cargo, quando fui eleito presidente da Câmara Municipal de Alvito.

Esta relação de proximidade, que mantivemos até ao seu falecimento, permitiu-me conhecer bem Francisco Felgueiras.

Sendo originário de uma família conservadora da burguesia nortenha, cedo abraçou a causa dos trabalhadores e dos mais desfavorecidos, o que o levou a aderir ao PCP, a que se manteve ligado até à morte.

Era um visionário. Não se preocupava apenas com o presente e o futuro mais próximo. Queria ver mais longe e intervinha em função disso. Era muito inteligente e perspicaz. Apercebia-se e compreendia com facilidade o que outros tinham dificuldade em alcançar. Esteve sempre com as ideias e os projectos mais avançados para a região.

Era um homem bom. Tinha uma generosidade sem limites. O que tinha era de todos. Sempre atento e preocupado com os outros. Sempre disponível para ouvir os outros e dar-lhes os seus conselhos e opiniões, quando lhe pediam. Não éramos poucos os que a ele recorríamos sempre que nos encontrávamos em dificuldades e precisávamos de ajuda, de uma palavra sábia, amiga e de confiança…

Francisco Felgueiras não foi nem queria ser um santo. Tinha os seus defeitos e cometeu os seus erros. Tinha dias bons, em que era de uma simpatia e capacidade de trabalho quase insuperáveis, como tinha dias maus, em que era difícil de aturar. Era humano.

Mas o que fez pelos outros, designadamente pelos alentejanos, e pela nossa região foi muito, tanto como poucos fizeram. Não o devemos esquecer. Eu não me esqueço.

19 de Fevereiro de 2007

Lopes Guerreiro

Publicado na edição de hoje do Diário do Alentejo

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