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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

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Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

3 PERGUNTAS A… CARLOS JÚLIO

Zé LG, 20.01.15

cjulio-1708.jpgA “Imenso Sul” faz 20 anos. O que se conseguiu com este projeto jornalístico alentejano e o que ficou depois dele?
Na altura conseguiu-se juntar dúzia e meia de profissionais da comunicação social de todo o Alentejo, que aqui residiam e trabalhavam, num projeto editorial para criar fluxos de comunicação entre as várias parcelas do território e dar a conhecer, a cada uma delas, o que se fazia nas outras. Vivia-se, então, um momento que se pensava poder desembocar na regionalização e este conhecimento da região enquanto um todo parecia-nos duma grande importância, uma vez que todos os órgãos de comunicação social existentes tinham um horizonte concelhio ou, quanto muito, distrital. Ficou essa experiência e a ideia de um órgão de comunicação social que pusesse todo o território alentejano a dialogar entre si.

Nos dias de hoje, com toda a crise que afeta a comunicação social, seria possível erguer de novo um projeto como este?
Hoje é mais fácil trabalhar-se em conjunto, apesar de fisicamente não se partilhar o mesmo espaço. Mas hoje falta sobretudo apoio institucional. Um projeto destes tem que ser considerado relevante pelas instituições regionais – como, em certa medida, o “Imenso Sul” foi – e por elas apoiado publicitariamente.

Como jornalista veterano, como encara os acontecimentos de 7 de janeiro, em Paris?
Penso que, para além de em causa estarem questões específicas ligadas ao fundamentalismo islâmico, tratou-se também de um profundo ataque à liberdade de expressão. Ficou a mensagem: se eu não gostar do que ficou expresso mato o mensageiro. Mas isto não é nada de novo. O poder e os poderes não têm feito outra coisa: através de censura direta ou indireta, têm sempre tentado cercear e limitar a liberdade de expressão, através de leis repressivas, do cerco económico, e da perseguição aos jornais e jornalistas que não lhes sejam afectos. E o número de jornalistas mortos todos os anos (61 em 2014), mesmo em situações que não são de combate, mas em atentados e em ajuste de contas, é bem o exemplo disso. A conclusão é que não nos podemos amedrontar, seja pelas ameaças do vizinho do lado, do político do bairro ou pelo industrial da cidade. Ou pelo fundamentalista que brame uma verdade que julga única. A todos é preciso dizer, citando José Régio, “Não! Não, não vou por aí! Só vou por onde/Me levam meus próprios passos...”.
Carla Ferreira, in: http://da.ambaal.pt/noticias/?id=7052