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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

HISTÓRIAS DA CAÇA

“HISTÓRIAS DE CAÇA” é mais um livro de Maria Antónia Goes, desta vez editado pela Gastronomia, sedeada em Alvito.

É um livro indispensável para quem gosta de caça mas também para quem se interessa pela história do último século de Alvito.

O livro relata episódios menos conhecidos e, naturalmente, sob o ponto de vista da sua autora.

Das inúmeras histórias, transcrevemos, com a devida vénia, esta, por traduzir a visão da autora sobre a caça.

 

A MAGIA DA CAÇA

A caça é uma das ocupações mais antigas do homem. Todos os homens primitivos, em diferentes lugares da terra caçaram. Os índios do Brasil ou da selva equatorial sul americana, de uma maneira geral, certas tribus de pretos em África, ou os aborínges da Austrália, que são as populações mais distanciadas da cultura ocidental e culturalmente mais atrasadas em relação a nós e mais próximas dos povos primitivos, continuam a caçar com as suas próprias armas – com fechas envenenadas matam jaguares, elefantes, leões e rinocerontes. Redes e fossos cavados no solo com paus pontiagudos espetados no fundo, também matam leões e elefantes.

 

Ricos e pobres, sempre caçaram – os ricos, antigamente, nas suas terras, a cavalo, usando armas, da lança à espingarda e à carabina, passando pelo arco e pelas aves de rapina. Os pobres usando armadilhas, laços, redes, zagaias ou paus. Não se trata, portanto, de uma ocupação caprichosa de puro lazer, que gente de dinheiro e em situações privilegiadas usa para passar o tempo. Caçar faz parte da condição humana, uma parte que contribui para o prazer de ser feliz, ambição suprema e portanto simples, de qualquer homem.

 

Entre todos os desportos, o que faz o homem da cidade sair verdadeiramente dos seus hábitos sedentários é a caça. É preciso ver o entusiasmo com que o caçador se levanta de madrugada, como anda centenas de quilómetros de carro e dezenas de quilómetros a pé, sob o sol escaldante ou sob a chuva gelada de Inverno, que o encharca até aos ossos, as botas carregadas de lama, a sensação de viver momentos irrepetíveis, de estar com os amigos, de partilhar um jogo de duras regras, de se ter evadido dos deveres do dia a dia, como a criança que falta à escola, para ir tomar banho numa ribeira às escondidas dos pais.

 

Na caça o homem esquece os seus verdadeiros problemas que deita para trás das costas ao vestir o colete, ao agarrar a arma, ao assobiar ao cão.

 

O furtivo e o caçador solitário têm uma maneira diferente de sentir a caça do caçador em grupo. O furtivo só conta com a sua inteligência e as suas próprias pernas. O solitário conta com o cão e com ele próprio. Ninguém está presente para o julgar, se errou, se podia ter feito melhor. Mas ambos têm por companhia o ar livre, os passarinhos, as estevas, as azinheiras e as pedras do campo e o fim é o mesmo – encontrar caça, o restolhar de uma perdiz a levantar, as pegadas do javali, as marcas de um veado numa árvore, os buracos dos coelhos, as tocas das raposas.

 

A caça é a origem de todas as civilizações.

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