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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

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Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

2 comentários

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    Anónimo 01.09.2012

    A ideia que no tempo do Estado Novo isto era um paraíso á beira-mar plantado é mais uma das muitas falácias com que vamos construindo a nossa memória. De facto, se folhearmos os jornais da época, sobretudo os de maior circulação - "O Século" ou o "Diário de Noticias" - raros são os relatos de crimes ou acidentes graves. Não porque não ocorressem, não. A escassez desse tipo de noticias devia-se, apenas e tão só, ao simples facto de a censura não as permitir, uma vez que o que se pretendia era fazer passar a ideia que o regime significava ordem e paz social. Um jornal como o "Correio da Manhã", repositório diário das nossa misérias e que não poucas vezes faz a "apologia do antigamente", no regime salazarista pura e simplesmente não seria tolerado, pelo que seguramente não existiria.
    Apenas um exemplo: aquando das cheia de Lisboa de 1967, que provocaram cerca de 700 mortos (sim, setecentos!) , o grosso deles por manifesta falta de meios de protecção civil (os nossos recursos estavam empenhados, na sua quase totalidade, na guerra colonial), pouca ou quase inexistente foi a cobertura dada pela comunicação social, que recebeu rigorosas instruções para evitar o tema. Para se saber alguma coisa era preciso comprar os jornais e as revistas estrangeiras que, por sua vez, estavam em grande parte impedidas de circular em Portugal...
    Quanto aos crimes violentos, numa ocasião em que surgiu polémica semelhante em roda de amigos, dei-me ao trabalho de contar os casos de que havia conhecimento na minha terra natal, Viana, antes do 25 de Abril. E contei muitos, a grande maioria radicando na grande miséria em que então se vivia e também no excesso de álcool na dieta alimentar da altura. Em determinados períodos, por exemplo na altura da 2ª Grande Guerra, quase uma média de um caso por ano: uma discussão mais acalorada na taberna, uma navalha que se saca, mais um morto para o cômputo macabro. Eu próprio, menino e moço, assisti a uma cena dessas numa noite de Verão, na rua, em que a navalha foi um machado de tirar cortiça. Que me lembre, nenhum jornal da altura, televisão ou rádio, falou no assunto. Análise idêntica, feita para o período pós 25 de Abril, deu qualquer coisa como um caso para cada nove ou dez anos!... Mesmo se tivermos em conta a diminuição da população, continua a ser uma média muito menor que a do regime anterior. Mas mais visível, porque muito mais mediatizada, resultado de uma das conquistas de Abril de que o comentador que me precedeu fez uso: a liberdade de expressão.
    F.
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