Dez anos depois
Dez anos depois do último processo de expulsões do PCP, o ex-dirigente histórico Carlos Brito afirma que o movimento dos renovadores “tinha razão” ao pedir mudanças ideológicas e políticas, perante o que considera ser a presente “estagnação do partido”.
“Passaram dez anos e a estagnação continua e até se agrava. O PCP na sua tradicional coligação eleitoral CDU nunca mais foi capaz de ultrapassar a fasquia dos oito por cento nas eleições legislativas. Quer fossem antecipadas ou não e estivesse o PS ou a direita no poder”.
“Não tenho por adquirido como alguns dizem, que dali (PCP) já não há nada a esperar, que aquilo há de ficar assim até à consumação dos séculos…Não, não tenho essa opinião. São pessoas que lá estão, são militantes que vivem os problemas do nosso povo e que estão a refletir sobre o que se passa e eu espero que haja capacidade de renovação e de inovação. Não espero que seja uma questão arrumada”.
O ex-militante comunista Carlos Luís Figueira, expulso há dez anos, recorda hoje com “bastante mágoa” todo o processo, valorizando a "liberdade necessária para ter opinião" e disse ver o PCP como “um partido de protesto”.
“O corte com as relações pessoais, com a vida que se teve, é um processo duro. Não é fácil aos 50 anos recompor a vida, recomeçar. Mas tive a sorte de me reconhecerem algum mérito, por parte de quem me procurou para trabalhar e provar que, para além de ter sido funcionário e dirigente de um partido político também sabia fazer outras coisas na vida”.
Dez anos passados, é possível provar que os propósitos dos renovadores comunistas nunca passaram pela “social-democracia”.
Disse, ainda, admitir "com dificuldade que o PCP mude” devido à “estrutura que tem e com o estilo de organização que continua a ter. (...) Pode-se continuar a ter uma opinião diferente no interior do PCP mas isso não serve para nada. A direção não sustenta qualquer opinião divergente”.

