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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Passos atrás

A actual maioria PSD – CDS, liderada por Passos Coelho, tem vindo a prosseguir uma política e a aprovar políticas que representam, como diz Carvalho da Silva, o maior retrocesso civilizacional alguma vez verificado.

A maioria dessas políticas e medidas em nada contribuem para os objectivos anunciados de combate aos défices, de crescimento económico e de justiça social. Antes pelo contrário, muitas delas contribuem para a ruína do país, o empobrecimento do povo, as desigualdades sociais e a falta de coesão nacional, como diversos indicadores vêm comprovando.

Há ainda quem lhe dê o benefício da dúvida e persista em acreditar que a política desta maioria e as políticas e medidas que tem vindo a tomar se devem a alguma impreparação de Passos Coelho e do seu governo. Não acredito nisso. Passos Coelho, o seu governo e restante entourage sabem bem o que querem e o que estão a fazer e fazem-no com competência. Este governo, apoiado pela maioria PSD – CDS, tem como principal objectivo testar até ao limite a capacidade de resistência do povo, designadamente dos trabalhadores, empurrando-os para uma situação equiparável à que se vivia há meio século atrás.

Todas as suas políticas e medidas atacam direitos dos trabalhadores. Sempre com a justificação / desculpa de que “não há dinheiro”. E que “não há dinheiro”, porque “vivemos acima das nossas possibilidades”, porque foram criados direitos patrimoniais que não podem ser satisfeitos.

Ainda começaram por dizer que o desemprego era o maior flagelo que devia ser combatido, mas a prática em pouco tempo evidenciou a hipocrisia. As medidas tomadas – aumento da idade para a reforma, redução do número de dias de férias, redução dos feriados, tentativa de aumento do horário de trabalho, entre outras -, têm como grande e imediata consequência o aumento do desemprego e a dificuldade de criar novos postos de trabalho. Aliás, a incapacidade e falta de vontade do governo de combater o desemprego ficou bem demonstrada com o convite do primeiro-ministro aos jovens para emigrarem, porque em Portugal não têm possibilidade de encontrar trabalho.

Mas existem outras medidas e afirmações, que pelo seu conteúdo e também pelo seu simbolismo, mostram bem como este governo pretende fazer o país andar para trás, nomeadamente nos direitos sociais e dos trabalhadores: a restrição da aplicação do rendimento mínimo, com a justificação de que é necessário impedir os seus beneficiários de se tornarem subsídio-dependentes; a redução do tempo e do valor do subsídio de desemprego, com o argumento de que é necessário incentivar os desempregados a voltar ao trabalho; o acordo de concertação social, que mais não é do que a consagração de um conjunto de medidas lesivas dos trabalhadores; o apelo do primeiro-ministro aos portugueses para serem “menos complacentes” e “menos piegas”, porque só assim será possível ganhar credibilidade e criar condições para superar a crise.

Ou seja, este governo faz dos trabalhadores – empregados, desempregados e reformados – os culpados da crise e penaliza-os com a austeridade e a retirada de direitos, procurando retroceder meio século, altura em que não lhes eram reconhecidos quaisquer direitos, o emprego era apresentado como um privilégio e as remunerações um favor, concedidos pelo Estado e pelos patrões apenas a alguns, mantendo sempre disponível um enorme exército de desempregados sem quaisquer direitos e meios de subsistência, que lhes permitia manter a situação.

É a esta situação que Passos Coelho pretende fazer o país retroceder. Passos Coelho é jovem na idade mas, através da sua acção, mostra que é um velho na política salazarenta que persiste em levar à prática.

Como alguém escreveu no meu blogue Alvitrando – com a direita no poder o Alentejo só tem uma mudança, a marcha atrás -, este primeiro-ministro só quer dar passos atrás, promovendo um acentuado retrocesso civilizacional.

Penedo Gordo, 09/02/2012

Publicado na edição nº 109 da revista Mais Alentejo.

2 comentários

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