«As câmaras utilizam, frequentemente, as colectividades como barrigas de aluguer quer para contratação de recursos humanos quer para transferências financeiras ou contratações de serviços, para conseguirem contornar alguns constrangimentos legais. Também se servem destas instituições para parcerias (virtuais), sempre que as candidaturas a financiamentos externos obrigam ao envolvimento de entidades locais. Lamentavelmente, não envolvem, de forma efectiva e constante, as associações na governação local e sempre que alguma é crítica relativamente a decisões camarárias é de imediato discriminada negativamente, excluída, ostracizada e até, por vezes, penalizada.
As entidades locais sem fins lucrativos são agentes fundamentais e imprescindíveis no processo de desenvolvimento e na cidadania activa e colaborativa, sendo, muitas vezes, supletivas da intervenção municipal em áreas a que esta não chega.
Seria uma prova de inteligência e de visão (até política) esclarecida fomentar e dinamizar verdadeiras parcerias com estas entidades locais e apoiar de forma mais significativa e substancial as suas iniciativas, projectos e intervenções. Todos tínhamos a ganhar, incluindo as próprias câmaras que aumentava assim a sua capacidade de intervenção no território e, consequentemente, os louros políticos a colher. Infelizmente, caminhamos no sentido contrário e as câmaras cedem, cada vez mais, à tentação da centralização do poder em vez de procurarem a via da partilha.» Opinião de Jorge Pulido Valente, aqui.