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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

ASSOCIAÇÃO DE BENEFICIÁRIOS DO ROXO APRESENTA PROJECTO DE UM PARQUE DE CAMPISMO NA BARRAGEM DO ROXO

201506121631361.jpgA Associação de Beneficiários do Roxo vai apresentar este sábado, 13 de Junho, o projecto de um parque de campismo para a zona da barragem do Roxo.
A iniciativa está agendada para as 14h30 no Parque de Feiras e Exposições de Aljustrel, no âmbito da 15ª edição da Feira do Campo Alentejano.
O projecto prevê a criação de um parque de campismo junto à albufeira, que contará também com zona de caravanismo e com bungalows, além da requalificação do actual parque de merendas.
“O projecto terá ainda uma outra fase de construção para um pequeno espaço náutico, que permitirá o acesso público à água e a prática de desportos náuticos dentro daquilo que for possível”, adianta ao “CA” Nelson Brito, presidente da Câmara de Aljustrel, entidade que é parceira da iniciativa.
Nelson Brito revela ainda que a concretização do Parque de Campismo do Roxo estará sempre dependente do Turismo de Portugal e de apoios comunitários.

MAIS 10 ANOS CONFIRMARAM O QUE ESCREVI: “ALENTEJO 20 ANOS DEPOIS DA ADESÃO À CEE”

Alentejo 20 Anos depois da adesão à CEE

 

O Jornal Terras do Cante, propriedade da ADL Terras Dentro convidou-me para escrever um texto sobre “a comemoração dos 20 anos de adesão de Portugal à UE e a implicação que esta teve/tem no desenvolvimento do Alentejo”.
O convite deixou-me numa situação complexa. Se, por um lado, me honra pelo facto de acharem que poderei ter alguma coisa de interessante a escrever sobre o assunto, por outro lado, deixa-me atrapalhado e com alguma dificuldade em corresponder porque não sou um especialista de assuntos comunitários. Tenho apenas alguma experiência da aplicação desses fundos, que, praticamente desde a primeira hora, acompanhei.
A primeira questão que se coloca sobre a integração do nosso país na então Comunidade Económica Europeia (CEE) é saber se foi oportuna e bem negociada. Como é conhecido, o meu partido, o PCP, sempre achou que os interesses nacionais não foram bem acautelados, pelo que se manifestou contra.
Esta posição, tal como outras que o PCP tem tomado sobre a evolução da União Europeia (UE), tem a ver com a recusa de um modelo político-económico que facilita a vida aos ricos e aos grandes grupos económicos, concentrando cada vez mais a riqueza produzida, e dificulta a coesão social, acentuando as assimetrias entre países, regiões, empresas e pessoas.
Importa, face a esta posição, avaliar se, decorridos estes 20 anos de adesão, Portugal se desenvolveu e se aproximou da média europeia e se o mesmo aconteceu com o Alentejo, com as empresas e com os portugueses.
Ora, tendo por base os indicadores oficiais que regularmente são divulgados quer por entidades comunitárias quer mesmo por entidades nacionais, o que se verifica é exactamente o contrário. Ou seja, cada vez Portugal fica menos competitivo, mais atrasado, o Alentejo não parou de perder população, de envelhecer e de empobrecer, as empresas, com excepção dos grandes grupos económicos fortemente apoiados, atravessam cada vez mais dificuldades e entre as pessoas acentuou-se a diferença entre os mais ricos e os mais pobres.
Tudo isto resulta da adesão de Portugal à antiga CEE, actual UE? – Julgo que ninguém poderá atribuir todas as responsabilidades a essa adesão, embora nunca tenha visto a conta-corrente entre o nosso país e a UE.
Fala-se e escreve-se muito sobre os dinheiros que o país tem recebido da UE mas nunca, ou muito pouco, se fala ou se escreve sobre o que Portugal tem pago e a que condições, não só económicas mas também políticas, teve de obedecer em resultado da adesão.
Mas certamente que as responsabilidades da situação a que chegámos – a dependência alimentar passou de 30% para 70%, o aparelho produtivo nacional foi quase completamente destruído, as empresas estrangeiras dominam cada vez mais o nosso mercado e as empresas nacionais têm sido vendidas a estrangeiros, o fosso entre ricos e pobres no nosso país bem como a diferença entre o rendimento (principalmente o mínimo, as reformas e o subsídio de desemprego) português e comunitário acentuaram-se – não se devem apenas à adesão.
Há outras responsabilidades e essas são, principalmente, dos governos e das políticas que temos tido. Naturalmente que as pessoas, o povo, os eleitores têm também as suas responsabilidades porque são quem elege quem nos governa e põe em prática essas políticas. Já para não falar da cultura de irresponsabilidade, da desvalorização do papel social do trabalho, do desequilíbrio frequente entre deveres e direitos que se tem gerado na nossa sociedade.
O Alentejo, 20 anos depois da adesão à UE, está melhor infra-estruturado e equipado. A qualidade de vida na nossa região e nas nossas terras melhorou significativamente, pedindo messas a regiões e terras de outros países.
Mas não foi estancada a desertificação, nem o despovoamento, nem o envelhecimento, nem o empobrecimento da população. Isto é, os largos milhões aqui investidos contribuíram para a significativa melhoria da qualidade de vida da região mas não alcançaram a melhoria das condições de vida das populações nem conseguiram tornar a região atractiva.
Para isto contribuíram, a meu ver, o ostracismo a que foram votadas as regiões do interior pelo poder central, o incumprimento constitucional da criação das regiões administrativas, a ausência de uma política nacional de desenvolvimento regional e de um planeamento participado e adequado à região, de uma estratégia e liderança regionais claras e mobilizadoras, a insuficiência e a deficiente aplicação de fundos na região, a política dos quintais e grupos, a falta de ambição e acomodação das populações.
Os vários PDR’s preparados e elaborados de forma centralizada pelos governos e CCR’s têm-se mostrado incapazes de alcançarem os objectivos definidos. Isto significa que pecaram por falta de participação, foram mal elaborados, definiram mal os objectivos ou não criaram as condições para que estes fossem alcançados.
O desenvolvimento da chamada “psicologia do oportunismo”, da “corrida ao ouro” sem princípios, com todos os atropelos, com a sobreposição de interesses particulares e de grupo aos interesses colectivos e regionais também contribuiu para que, 20 anos depois da adesão, nos interroguemos sobre a evolução da UE e o contributo que está a dar para a coesão económico-social dos países, regiões e povos nela integradas.
Não é a integração que se deve pôr em causa. O que está em causa é o modelo político-económico dominante que tendo conseguido aumentar significativamente a produção de riqueza não a distribui de forma justa, impedindo dessa maneira a tão almejada coesão.
Alvito, 31.01.2006

José Lopes Guerreiro

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