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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

"ESTRANHA PÁTRIA A MINHA"

   Portugal. País igual a tantos outros, e diferente dos outros em tantos aspetos.

   O teu povo é o teu sangue, a tua cultura, incluindo a língua, é a tua maneira de ser no mundo. Ou de estar, que, neste caso, tanto faz.

   Tens séculos (quase nove!) de existência, e ainda há quem duvide da tua viabilidade. Sobreviveste a muito, conheceste a glória e o inferno, e continuas. Tiveste descobridores heróicos e esclavagistas sem coração. Conquistaste com ardor e sofrimento, e construíste com imaginação. Heróis e patifes nunca te faltaram. E povo anónimo, a massa de que és feito, e que sempre te levou à vitória. Porque sempre houve um querer coletivo que, discreto, te sustentou.

   Um pessimismo voraz atormenta-te, pátria minha. As tuas elites acham-te pequena para elas. Esquecendo que são tuas filhas, e que a sua maneira de pensar é uma das coisas que melhor te caracteriza. Não se pode negar ser filho duma cultura, mesmo que não se goste dela.

   De novo reduzida à tua Europa natal, ainda não encontraste o teu caminho. Nem pareces compreender que criaste no mundo um outro mundo de dimensão desmedida em relação ao teu modesto tamanho.

   A Lusofonia, filha de tanto ódio e de tanto amor, rebento inesperado da tua vontade, fruto da ação, nem sempre meritória, do teu povo, nas quatro partidas do mundo, está aí. E tu esqueces. E tu troças. E tu desprezas.

   A tua cultura é o que é. Resistente como poucas. Como o prova a sua sobrevivência numa terra em que tudo foi feito para a destruir durante duzentos anos, e onde volta a dar sinais de si. Em Olivença! Ignorada, claro. Pela imprensa, pela intelectualidade indígena.

   Uma cultura que saiu de ti, pátria minha, já deu por ela. O Brasil.

   Parece que os teus frutos são, por vezes, mais argutos e menos pessimistas que o teu povo de origem.

   Vai sendo tempo, pátria minha, de olhares mais para ti própria. Para a massa do povo anónimo. Que não se revê nas elites, políticas, culturais, ou económicas. E que, por isso, resiste, duzentos anos ou mais. Mesmo sem heróis, ou ideologias profundas e renovadoras. Mas resiste. E dura. E sente. E é Portugal.

   Estremoz, 31 de março de 2015

Carlos Eduardo da Cruz Luna 

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