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O lamaçal em que estes "comentadores" transformam os blogues locais é também, ele próprio, uma fotografia a corpo inteiro de Évora e de quem a habita. É isto que urge transformar. Conquistar a Câmara, ganhar o poder, ser eleito para a confraria do bairro são pequenos epifenómenos importantes para os poucos que participam nesses acontecimentos. Mas a transformação da cidade não passa apenas por aí. O que a cidade é, de facto, está nestes gestos semi-ocultos, nestes medos e frustrações, nesta incapacidade de "dar-a-cara", na opacidade dos poderes e dos seus protagonistas. Modificar este estado de coisas passa por outra forma de agir, outra forma de transparência, de capacidade de debate e de frontalidade de opiniões e também de criação de espaços que permitam uma maior partilha e aproximação de experiências. Uma mudança radical na forma como os seus habitantes se relacionam com a cidade e entre si, esse é que deve ser um dos grandes objectivos de quem se acha politicamente interveniente. E aqui não há "santos nem pecadores". Todos temos uma parte de responsabilidade em cada comentário (mesmo que não o tenhamos escrito) que não respeita o outro e que "achincalha" em vez de debater.
Todos nós somos um pouco destes comentaristas anónimos. E em cada comentário deste género é Évora e nós próprios, enquanto indivíduos e sociedade, que perdemos. E nos perdemos.
Carlos Júlio http://www.cincotons.com/2014/02/frustracoes-o-fel-nas-caixas-de.html?spref=fb






