Parece que fomos tomados por uma histeria masoquista, fundamentada na nossa educação judaico-cristã.
De repente, esforçam-se por nos fazer sentir culpados por tudo o que de bom se fez no nosso país, nas últimas décadas, como se não tivéssemos direito às conquistas civilizacionais.
Culpados por termos conseguido criar e manter um Serviço Nacional de Saúde, que erradicou ou reduziu significativamente algumas doenças e com alguns dos melhores indicadores dos países mais desenvolvidos.
Culpados por termos democratizado o acesso ao ensino e dispormos de alguns cursos e universidades ao nível do que de melhor existe internacionalmente e com um grande crescimento e qualidade em muitas áreas da investigação.
Culpados por nos termos aproximado alguns direitos sociais que existem noutros países.
Culpados por termos construído equipamentos coletivos e infra-estruturas que colocam o nosso país a nível dos países mais desenvolvidos.
Culpados por ainda termos bons níveis de segurança.
Culpados por termos um dos poderes locais mais democráticos e participados e com bons níveis de realização e satisfação das necessidades das populações.
Fazem-nos sentir culpados e nós alinhamos no estratagema, como se não tivéssemos o direito a aspirar a uma vida com direitos, como se tivéssemos pecado por termos lutado e alcançado direitos sociais e políticos e, agora tivéssemos de expiar esses pecados.
Esforçam-se por nos fazer crer que somos todos culpados pela crise que estamos a viver, por termos “vivido acima das nossas possibilidades”, como se não houvessem responsáveis e não houvesse quem tenha desbaratado à nossa conta.
Não! Não somos todos igualmente responsáveis pela situação a que o país chegou, nem nos devemos sentir culpados por termos tido acesso a alguns direitos! Nem tudo o que foi feito neste país foi mal feito, foi dinheiro mal gasto ou foi feito acima das necessidades ou, mesmo, das nossas possibilidades.