Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Carlos temos de ter ciente que o Mundo se reparte em duas únicas classes: os explorados e os exploradores

Atendendo à oportunidade, publico aqui a crónica "Carta para um jovem em vésperas de Ano Novo", de José Moedas, editada no "Vento Suão - crónicas de uma cidade", editado pela AMDB em 1991.

 

Carlos: de novo, como no ano passado, um aviso ou se quiseres (e sei que queres de certeza certa, que o queres) um recado, um conselho, um abraço também, e muito apertado e muito querido, que normalmente te envio, nas vésperas de de um ano vovo (?) que, uma vez mais, se deseja bom. As coisas, Carlos, não acontecem como eu e tu, e muitos, muitos jovens (o que eu tenho pena de já não ser) gostariam de ter sucedido - aqueles projectos, aqueles sonhos que nós prevíamos que tornassem se realidade, e se frustaram.

Se muita coisa, Carlos, não veio a acontecer - vocês, que são os donos do futuro - têm que nos deixar a esperança de que tudo farão (numa luta difícil, é certo) para que a sociedade justa por que todos, mais ou menos, lutamos, venha a ser uma realidade no tempo que vocês desejam próximo - e ainda bem.

Olha, Carlos, a mensagem que fica aqui, não é o abraço de pai para filho, de amigo para amigo, de um mais velho para um jovem: é o conselho que a nossa vida, tão tristemente vivida nos últimos anos nos impõe - lutar para que não mais voltem as perseguições, as opressões, a falta de liberdade, para não falarmos já das prisões e (é verdade) das noites que banharam de sangue o meu tempo de adulto.

Se não forem, vocês, Carlos, todos vocês, quem poderá lutar para que este povo assuma a dignidade que conserva mas que alguns poderosos lhes querem roubar?

Carlos, todos os Carlos jovens deste país, não esqueçam que, apesar de naturais ambiguidades ideológicas, temos de ter ciente que o Mundo se reparte, mais do que em extratos sociais, em duas únicas classes: os explorados e os exploradores.

Os que sempre estiveram na "mó de baixo" ou ascenderam na vida, não devem esquecer que este ano que começa é mais um ano de luta para todos, jovens principalmente, porque neles reside a nossa esperança na sementeira do futuro.

Se todos os Carlos (e este nome não passa de um nome que surge em representação de todos os jovens, chamem-se Carlos ou tenham no registo outro nome qualquer) não olvidarem, ao menos, o que foram anos atrás a vida dos seus pais, resta-nos a certeza, Carlos, de que vamos viver (quer dizer: vocês) no país com que nós, os mais velhos, sonhámos e lutámos - e acabámos por não concretizar.

Carlos: pensa nisto e diz aos teus amigos que o que nós não conseguimos fazer, terá, obrigatoriamente de ser feito pelos que acabaram de nascer agora. Se falharem, lembrem-se disto, os velhos, caquéticos de frustrações, jamais lhe perdoarão.

O nível a que desceram o discurso político e o discurso jornalístico

Leia no A Cinco Tons um texto de reflexão sobre a campanha eleitoral que está a decorrer, de Carlos Júlio, de que aqui deixo a conclusão:

 

O discurso político reduziu-se à insignificância sem uma única ideia a não serem os "sound bites", as frases feitas e gastas de tanto serem usadas. Mas o discurso jornalístico, sobretudo das televisões, está ainda mais baixo e a pautar-se pela inanidade: ao discurso oco dos políticos juntam as velhinhas, as peixeiras, os jovens contratados de bandeira em punho a dizerem a todo o momento os mesmo lugares comuns, que vão do beijo até ao aspecto físico do candidato. Inaguentável!

Tenho para mim que é difícil descer mais baixo do que se tem descido nesta campanha. Do lado dos políticos e do lado dos grandes meios de comunicação. Mas talvez não: na descida aos infernos há sempre mais alguns degraus que podem ser percorridos. 

Comentários recentes

  • Anónimo

    O termo "velha" com que te referes à senhora que m...

  • Anónimo

    Não fecha.Sofre a evolução para cuidados de proxim...

  • Anónimo

    E o PS não se sente incomodado com a saúde no Dist...

  • Anónimo

    CIDADE DE PANHONHAS...

  • Anónimo

    Agora é passado, mais uma vez. A ULSBA não terá es...

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds