Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Crise e muita conversa

 

Portugal está em crise. Tal como a Europa e o Mundo. Mas não se trata apenas de uma crise política, como insistem em apresentá-la os políticos e os comentadores da situação. A crise em que vivemos desde há muito, mas que nos últimos anos atingiu uma expressão mais grave, é do sistema dominante.

Quando estou a escrever este texto (22 de Março), falam que poderá criar-se uma crise política em Portugal se for chumbada, como garantem todos os partidos da oposição, a nova proposta de PEC, que o governo apresentou à União Europeia, sem passar cavaco ao PR e à AR, porque José Sócrates afirmou que se tal acontecesse não teria condições para continuar no governo. Se todos cumprirem o que estão a garantir não resta outra saída que não seja a de eleições legislativas antecipadas. Mas será que elas vão contribuir para resolver a crise? Julgo que ninguém acredita nisso. Basta ouvir o que dizem os senhores da situação – PS, PSD e CDS -, ao defenderem entendimentos entre o PS e o PSD ou entre os três, para se perceber que tudo vai continuar como está. Ou melhor, vai piorar!

Alguém acredita que a crise que Portugal, tal como a União Europeia, vive se ultrapassa com as mesmas políticas, medidas e soluções que a geraram e agravaram até ao ponto em que a estamos a viver. Se persistirem nesse caminho – e, neste momento, não se vislumbra outro, porque não foi ainda criada uma alternativa credível de esquerda e socialista -, vão acrescentar mais crise à crise que estamos a viver.

O sistema capitalista sempre mostrou uma grande capacidade de se regenerar e sobreviver, aperfeiçoando-se sempre que entrou em crise. Para isso, contou durante décadas, com um contraponto – as experiências de instaurar o socialismo, designadamente em países do Leste. Sempre que estas experiências contribuíram para o progresso civilizacional, principalmente através de grandes conquistas sociais dos povos, o capitalismo, para não se deixar derrotar e sobreviver, teve a arte e o engenho de responder satisfatoriamente a essa evoluções. Foi assim que conquistámos o chamado “modelo social europeu”.

Mas agora, sem esse confronto ideológico e político, com o pensamento único a impor-se, o sistema capitalista vive a sua maior crise, porque não tem com quem se desculpar. A culpa não pode mais ser atribuída a outros. É o sistema a evidenciar as suas limitações e incapacidades de se regenerar, chegado à situação a que chegou.

Os seus apologistas garantiram que era preciso produzir mais para se resolverem os problemas da fome, da pobreza e das desigualdades sociais e estas aumentaram. Sempre que prometem melhorar o “estado social” dão-lhes mais umas facadas. Sempre que falam em aprofundar a democracia ajeitam-na e limitam-na para assegurar a manutenção do sistema. Sempre que falam em direitos humanos esquecem os direitos básicos à vida, à alimentação, ao tecto, ao trabalho… Sempre que falam no direito internacional é para o administrarem como mais lhes convém.

A crise não é, como podemos ver, apenas política e não se resolve mudando ou trocando “as moscas”. A crise é sistémica e ideológica. É a esse nível que tem de ser resolvida. Quando? - Não sei! Mas estou convencido que as dificuldades maiores que o capitalismo tem agora para se regenerar e encontrar soluções satisfatórias para esta crise vão acelerar o processo de criação de alternativas de esquerda e socialistas credíveis.

O caminho passa por aplicar a democracia a todos os campos, designadamente o económico e o social, e não apenas o político ou formal. Esta crise combate-se com mais democracia e não com a sua suspensão, mesmo que temporária, como alguns advogam. Trata-se de um combate que não é simples porque, para além do mais, há quem esteja a ganhar com a crise e não se importe com o estado a que isto chegou, por mais bonitas e condoídas que seja a sua conversa. Não passa disso: conversa!

Alvito, 22 de Março de 2011

 

Publicado na edição nº 105 da revista Mais Alentejo.

Comentários recentes

  • Anónimo

    Gosto.Categoria de mensagem. Teria a mesma mensag...

  • Anónimo

    Que outros agentes desportivos ... e já agora polí...

  • Munhoz Frade

    Exemplar.

  • Anónimo

    O problema, é que por mais considerações ideológic...

  • Anónimo

    “DesilusãoTenho estado, como é meu hábito, atento ...

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds