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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Câmara de Évora vai sair da “Águas do Centro Alentejo”

A Câmara Municipal de Évora deliberou a saída da empresa  Águas do Centro Alentejo, com efeitos já a partir do próximo dia 1 de Janeiro, com os votos favoráveis dos vereadores do PS e da CDU e a abstenção do vereador do PSD, por questões económicas (PS) e também devido à qualidade da água que é fornecida (CDU). Esta decisão segue-se à da Câmara Municipal de Estremoz, pelos mesmos motivos.

Estas decisões parecem vir dar razão aos comunistas, que sempre se opuseram à entrada das Câmaras nesta empresa pública, detida em 51% pelas Águas de Portugal. A “Águas do Centro Alentejo” fica, com a saída dos dois concelhos com maiores consumos, com o futuro comprometido. A sucederem-se outras decisões semelhantes, será mais um projecto – o das “Águas de Portugal” com o monopólio das águas em alta –, em que José Sócrates se empenhou desde o início, a ser posto em causa.

Manuel Narra põe o dedo na ferida

 

Ou, se quisermos, numa das feridas que afectam gravemente o associativismo municipal, ao acusar os municípios que não pagam as suas comparticipações de serem responsáveis pelos atrasos dos pagamentos dos salários e subsídios dos funcionários do Conservatório Regional do Baixo Alentejo e da Assembleia Distrital de Beja, afirmando que “não tolera mais a continuação de situações que deveriam envergonhar os dirigentes políticos e que colocam, de forma desnecessária, os trabalhadores em situação de instabilidade financeira” e que se todas as Câmaras não pagarem as dívidas, Vidigueira “vira as costas” às instituições, porque considera “intolerável” que os autarcas não cumpram as suas obrigações.

Ainda bem que há quem, com a autoridade de ser presidente de uma Câmara Municipal que sempre cumpriu os seus compromissos para com as entidades que integra, não se importe de ser politicamente incorrecto e denuncie situações que só favorecem quem não cumpre, que são os que, frequentemente, mais beneficiam.

Parabéns Manuel Narra, pela frontalidade e oportunidade de dizer verdades inconvenientes para quem gosta de “falar de galo” mas não cumpre as suas obrigações.

Cidadãos europeus, Uni-vos!

A luta de classes está a voltar, sob nova forma, mas com a violência de há cem anos: agora é o capital financeiro a declarar guerra ao trabalho. Os dados estão lançados, o jogo é claro e quanto mais tarde identificarmos as novas regras mais elevado será o custo para os cidadãos europeus. A luta de classes está de volta à Europa e em termos tão novos que os actores sociais estão perplexos e paralisados. Enquanto prática política, a luta de classes entre o trabalho e o capital nasceu na Europa e, depois de muitos anos de confrontação violenta, foi na Europa que ela foi travada com mais equilíbrio e onde deu frutos mais auspiciosos. Os adversários verificaram que a institucionalização da luta seria mutuamente vantajosa: o capital consentiria em altos níveis de tributação e de intervenção do Estado em troca de não ver a sua prosperidade ameaçada; os trabalhadores conquistariam importantes direitos sociais em troca de desistirem de uma alternativa socialista.

Assim surgiram a concertação social e seus mais invejáveis resultados: altos níveis de competitividade indexados a altos níveis de protecção social; o modelo social europeu e o Estado Providência; a possibilidade, sem precedentes na história, de os trabalhadores e suas famílias poderem fazer planos de futuro a médio prazo (educação dos filhos, compra de casa); a paz social; o continente com os mais baixos níveis de desigualdade social. 

Todo este sistema está à beira do colapso e os resultados são imprevisíveis. O relatório que o FMI acaba de divulgar sobre a economia espanhola é uma declaração de guerra: o acumulo histórico das lutas sociais, de tantas e tão laboriosas negociações e de equilíbrios tão duramente obtidos, é lançado por terra com inaudita arrogância e a Espanha é mandada recuar décadas na sua história: reduzir drasticamente os salários, destruir o sistema de pensões, eliminar direitos laborais (facilitar despedimentos, reduzir indemnizações).

A mesma receita será imposta a Portugal, como já foi à Grécia, e a outros países da Europa, muito para além da Europa do Sul. A Europa está a ser vítima de uma OPA por parte do FMI, cozinhada pelos neoliberais que dominam a União Europeia, de Merkel a Barroso, escondidos atrás do FMI para não pagarem os custos políticos da devastação social.

O senso comum neoliberal diz-nos que a culpa é da crise, que vivemos acima das nossas posses e que não há dinheiro para tanto bem-estar. Mas qualquer cidadão comum entende isto: se a FAO calcula que 30 mil milhões de dólares seriam suficientes para resolver o problema da fome no mundo e os governos insistem em dizer que não há dinheiro para isso, como se explica que, de repente, tenham surgido 900 mil milhões para salvar o sistema financeiro europeu? A luta de classes está a voltar sob uma nova forma mas com a violência de há cem anos: desta vez, é o capital financeiro quem declara guerra ao trabalho.

O que fazer? Haverá resistência mas esta, para ser eficaz, tem de ter em conta dois factos novos. Primeiro, a fragmentação do trabalho e a sociedade de consumo ditaram a crise dos sindicatos. Nunca os que trabalham trabalharam tanto e nunca lhes foi tão difícil identificarem-se como trabalhadores. A resistência terá nos sindicatos um pilar mas ele será bem frágil se a luta não for partilhada em pé de igualdade por movimentos de mulheres, ambientalistas, de consumidores, de direitos humanos, de imigrantes, contra o racismo, a xenofobia e a homofobia.

A crise atinge todos porque todos são trabalhadores.

Segundo, não há economias nacionais na Europa e, por isso, a resistência ou é europeia ou não existe. As lutas nacionais serão um alvo fácil dos que clamam pela governabilidade ao mesmo tempo que desgovernam. Os movimentos e as organizações de toda a Europa têm de se articular para mostrar aos governos que a estabilidade dos mercados não pode ser construída sobre as ruínas da estabilidade das vidas dos cidadãos e suas famílias. Não é o socialismo; é a demonstração de que ou a UE cria as condições para o capital produtivo se desvincular do capital financeiro ou o futuro é o fascismo e terá que ser combatido por todos os meios.

 Boaventura Sousa Santos

 

Costumo afirmar, quanto debato estas questões, que o capital vai contribuir para mais rapidamente se concretizar o grande objectivo das forças socialistas – Proletários de todo o mundo, uni-vos! – do que os partidos e as organizações de trabalhadores, quer pela crescente proletarização das sociedades mais desenvolvidas quer pelas razões expostas por Boaventura Sousa Santos. Nesta linha de pensamento escrevi, há uns tempos isto.

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    Ora aqui está um tema que deveria ser motivo de re...

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    Pelos vistos vai ser o primeiro a profanar o sítio...

  • Anónimo

    Tens toda a razão. Já cá faltava a patetice da com...

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    Vote no PAN.

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