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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Carta Aberta a Jorge Pulido Valente

Caro Jorge

Hesitei se devia ou não de escrever-te esta carta, mas o respeito pela nossa amizade e pelo que partilhamos na criação e execução de projectos com vista ao desenvolvimento do Concelho de Beja, durante uma dúzia de anos, e, ainda, o saber o que pode custar as pessoas que nos rodeiam só dizerem aquilo que acham que gostamos de ouvir obrigou-me a fazê-lo.

Não te apoiei na tua candidatura à Câmara de Beja, porque nos encontramos em campos partidários concorrentes e adversários. Mas desejei-te sucesso depois das eleições, porque isso seria bom para o concelho e porque sou teu amigo.

Começaste mal o mandato. Depois de uma certa ponderação no discurso, disparaste com aquela de que finalmente a democracia tinha chegado a Beja. Esperei que tivesse sido um excesso de linguagem no meio da natural euforia resultante de uma vitória difícil e para satisfazer apoiantes mais radicais. Mas, infelizmente, enganei-me, porque tens continuado a insistir nesse nível – o do excesso de linguagem -, perfeitamente desajustado da realidade.

Não tens parado de desculpar a inépcia deste primeiro ano de mandato com a “pesada herança” e levantar fantasmas anti-comunistas, o que daria vontade de rir se não fosse tão grave. Como se não percebesses que os resultados das eleições não tivessem resultado de uma convergência do PS com a Direita para acabar com essa tal “a pesada herança”…

Tenho gostado de te ouvir e ler sobre as questões do desenvolvimento. O que escreveste no Catálogo da Ovibeja é um bom exemplo disso:

“O Alentejo está num ponto crucial de viragem para o seu futuro.

É preciso que encaremos de frente este desafio.

Temos de nos entender, antes de mais, numa visão e numa estratégia comum e partilhada para a região. Temos, depois, que definir clara e rigorosamente, neste contexto de crise aguda, quais as prioridades de intervenção dentro das responsabilidades de cada um. Finalmente, temos que nos lançar e avançar, decidida e audaciosamente, no rumo da inovação e da competitividade, ambicionando sempre o reforço da coesão social e territorial.

É isso que defendo há mais de vinte anos.

Porque não te concentras nesse combate necessário, urgente, motivador e mobilizador pelo desenvolvimento da região e do concelho e passas ao lado da politiquice, com que, manifestamente, não tens nada a ganhar? É nesse desafio que deves apostar e colocar todas as tuas energias. Se assim fizeres todos ficaremos a ganhar.

Este primeiro ano de mandato não correu bem. Basta ler ou ouvir a tua própria apreciação e a de alguns dos que mais te apoiaram para perceber isso. E isso não se ficou a dever, apenas nem principalmente, à “pesada herança” e a outras naturais dificuldades. Revelou também o excesso de promessas e as dificuldades na sua concretização, as elevadas expectativas geradas, a inconsistência de apoios obtidos, as debilidades da equipa, a confrontação com a realidade política actual, do Poder Local e do Concelho.

Ainda (ou só?) faltam três anos para mostrares que este não foi um ano perdido, como diz a oposição, mas que foi um ano de “arrumação da casa” e preparação de projectos para o futuro, como dizes. Espero, para bem do concelho e teu, que não estejas enganado e em fuga para a frente.

Para além da oposição natural, já vais tendo a perder a paciência e a confiança alguns (muitos?) dos que te apoiaram. A “pesada herança”, a “conspiração” dos trabalhadores comunistas, incompreensões e dessolidarizações podem ter servido para fazer esquecer a demora (ou incapacidade) na concretização de promessas eleitorais, incluindo as apontadas como mais urgentes e as que não necessitam de grandes verbas, mas, cada vez mais, essas justificações começam a ser vistas como desculpas, por cada vez mais gente.

Ninguém de bom senso esperava que ao fim de um ano já tudo estivesse concretizado ou em vias disso. Mas já era legítimo esperar-se que já fossem claros o rumo e a estratégia com que pretendem implantar os pilares do programa Beja Capital e, principalmente, que já estivessem a ser concretizadas as medidas urgentes anunciadas.

Não me parece que o chamado “marketing territorial” e alguns eventos sociais sejam suficientes para justificar a tão prometida mudança, até porque, até ver, têm sido projectos e iniciativas vindas de trás os que maior relevância e melhor apreciação têm tido, incluindo alguns que tanto criticaram.

O enconchamento e o autismo perante as dificuldades não serão seguramente as atitudes mais aconselháveis e úteis para as ultrapassar. Perante as promessas feitas e as expectativas geradas, fazer o mesmo que a anterior gestão é pouco. Fazer menos é o caminho certo para o suicídio.

Vamos ver o que os próximos tempos nos reservam. O concelho e as suas gentes precisam e exigem mais. E tu prometeste mais e melhor...

Alvito, 14 de Outubro de 2010

José Lopes Guerreiro

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