Turismo de postal ilustrado
E quando voltam aos países de origem é vê-los de fotos na mão (e agora com as máquinas digitais é ainda mais fácil) como se estivessem estado nalgum lado. Mas, de facto, nunca estiveram em lado nenhum. Estiveram sempre no sítio de onde partiram, incapazes de verem, com olhos de ver, os sítios onde foram, mas em que nunca estiveram. Porque nunca conseguem ir além do postal ilustrado que transforma todas as paisagens numa mesma paisagem, como o kectchup transforma todos os sabores num mesmo sabor: destrói o que torna cada sítio e cada cultura tão saborosas, porque diferente da outra ao lado. E esteja no Sal, na Boavista, em Punta Cana, em Varadero, nas Seychelles, numa ilha grega, na Tunísia, ou mesmo nalguns locais ainda do Algarve o turista típico nada mais verá do que uma só paisagem: a do postal ilustrado que lhe venderam uma vez e que se recicla em cada viagem. Mas que é sempre o mesmo. Insonso, sem sabor e com as cores esbatidas para que agrade ao maior número.
É assim que termina um texto de Carlos Júlioaqui, com o título “Os algarves que o turismo vai construindo pelo mundo”, cuja leitura completa recomendo.
